quarta-feira, 21 de junho de 2017

Carta de Rondônia sobre Violência e Conflitos Agrários em Rondônia




Os movimentos sociais no campo, em Audiência Pública sobre a violência e os conflitos agrários em Rondônia, realizada 20 de junho de 2017, na cidade de Porto Velho, vêm manifestar seu repúdio e preocupação com a situação social, agrária e territorial na Amazônia, onde a violência e a grilagem de terras públicas, tradicionalmente ocupadas pelos povos e comunidades tradicionais amazônicas, alcançam patamares alarmantes de violência, com o total apoio do atual governo brasileiro no processo proposital de negligência às questões demandadas por indígenas, seringueiros, quilombolas, ribeirinhos, camponeses, agroextrativistas, posseiros, sem terra e grupos socialmente organizados pelo direito à terra. 
Rondônia concentrou 40% das mortes no campo de todo o Brasil em 2015 e 2016 e este ano já registrou 14 mortes. A este cenário de violência contribuem as recentes medidas provisórias que alteram o marco jurídico das terras públicas, principalmente as áreas protegidas e os assentamentos rurais, que visam legalizar a grilagem de terras e instituir um cenário de insegurança no campo em todo Brasil, evidenciando as questões agrárias na Amazônia e diretamente no Estado de Rondônia. Sob tais aspectos os movimentos sociais reunidos nesta Audiência reiteram sua manifestação contra esses atos "ditos legais" do governo brasileiro e agora já aprovado no Congresso o Projeto de Conversão de Lei nº 12/2017, ao instituir em seu artigo 102 a doação de terras da União para o Governo de Rondônia incorre em um atentado à garantias já estabelecidas e em possibilidade de, uma vez mais, legitimar processos de grilagem de terras públicas no Estado de Rondônia. Previne-se que tal ato fragilizará e destruirá as possibilidades políticas de Reforma agrária, significando enormes prejuízos sociais em especial àqueles demandados pelos Movimentos Sociais do campo. Além de justificar e legalizar a grilagem de terras públicas, contribuirá para o aumento da violência, marca e mancha da questão agrária no Estado. Nítida pois, a cumplicidade do Estado brasileiro se permanecer esta situação, uma vez que, este mesmo Estado torna-se e toma parte ativa nestes processos de saque e violência.
Consoante as reivindicações dos grupos de camponeses e povos e comunidades tradicionais amazônicas nesta Audiência, constatou-se a preocupação frente a institucionalização da grilagem e especulação imobiliária contínua da terra, aos sucessivos crimes ambientais, devastação de florestas, ameaças e perseguição por agentes do Estado, atos de violência e assassinatos de lideranças do campo, pistolagem e milícias armadas, inclusive com participação de forças policiais, prisões e criminalização de lideranças. Por outro lado, impunidade na invasão de terras indígenas, Unidades de conservação, expropriação dos territórios e das áreas de plantio de pequenos agricultores, com despejo de centenas de famílias de pequenos camponeses, impedindo acesso aos recursos hídricos e a produção de alimentos. Registra-se ainda, a morosidade nas ações de governo quanto às políticas de infra-estrutura e consolidação dos assentamentos, sobretudo no Estado de Rondônia.
Ante esta ofensiva do governo brasileiro contra a terra e território, contra os bens da natureza, no sentido de mercantilizar os bens da vida, conclamamos às pessoas e instituições a somarem as forças na resistência que se caracteriza pelo saque e pela destruição dos bens públicos. Em especial, reivindicamos ao Ministério Público Federal, Defensoria Pública da União e outros Órgãos afins, para que promovam, no campo da justiça, medidas cabíveis contra os desmandos legislativos direcionados pelo governo e sobretudo pela Frente Parlamentar Agropecuária, a chamada Bancada ruralista. De igual forma, conclamamos também à estes Órgãos que acionem o Conselho Nacional de Justiça no sentido de atuar junto ao Poder Judiciário no Estado, sobretudo em relação ao tratamento jurídico dispensado de forma protetiva à grandes grileiros e especuladores imobiliários. Neste sentido, igualmente, que haja mais compromissos deste próprio Poder em agir quanto à investigação dos crimes contra camponeses, lideranças e defensores dos movimentos sociais do campo.
A nível interno, a crise político-social em que o país está imerso, a Carta que ora assinamos contra as mudanças impostas, assumimos o desafio de construir uma rede de mobilização conjunta associada a uma pauta de enfrentamento envolvendo todos os segmentos sociais que lutam pela terra, ocupação das rádios comunitárias, redes sociais, universidades, associações comunitárias, entre outros meios de mobilização. Dessa forma, poderemos ir além das denúncias, colocando em prática ações concretas de esclarecimento político e social, ao fato que avizinha outra manifestação política, a qual devemos agir para mudarmos este cenário, em curso e já anunciado, de impunidade. Vamos todos juntos lançar mão do nosso destino e partilhar nossas forças.
COMISSÃO PASTORAL DA TERRA- CPT-RO
MOVIMENTO DOS TRABALHADORES SEM TERRA-MST
MOVIMENTO DOS ATINGIDOS POR BARRAGENS - MAB
GRUPO DE PESQUISA GESTÃO TERRITORIAL E GEOGRAFIA AGRÁRIA DA AMAZÔNIA - GTGA/UNIR:
ORGANIZAÇÃO DOS SERINGUEIROS DE RONDÔNIA - OSR
PASTORAIS SOCIAIS DA ARQUIDIOCESE DE PORTO VELHO
CÁRITAS BRASILEIRA - REGIONAL NOROESTE
ASSOCIAÇÃO DOS SERINGUEIROS DE MACHADINHO
ASSOCIAÇÃO DOS PEQUENOS PRODUTORES RURAIS NOVA CANAÃ DE VILHENA
ASSOCIAÇÃO DE PRODUTORES DO VALE DO PIRACOLINO - ASPROVAP
ASSOCIAÇÃO DOS PEQUENOS PRODUTORES RURAIS DO VIVEIRO DO PIRACOLINO
ASSOCIAÇÃO UNIÃO DA VITÓRIA - ASCUV
ASSOCIAÇÃO ÁGUAS CLARAS - APRAC
ASSOCIAÇÃO FLOR DA SERRA - APPRFS
ASSOCIAÇÃO DOS PRODUTORES RURAL DO VALE DO RIO AVILA - ASPROVA
ASPEM - GLEBA CORUMBIARA
ASSOCIAÇÃO DOS PEQUENOS PRODUTORES RUAIS NOSSA SENHORA APARECIDA - ASPRINSA

quinta-feira, 15 de junho de 2017

NOTA DE SOLIDARIEDADE A COMUNIDADE TRADICIONAL DE SERINGUEIROS DA RESEX FEDERAL DO RIO CAUTÁRIO




JOSÉ PANTOJA BEZERRA – PRESENTE! PRESENTE! PRESENTE!


A CPT RO vem a público repudiar, o acontecido na Resex Federal do Rio Cautário, no município de Costa Marques, onde o seringueiro JOSÉ PANTOJA BEZERRA, de 59 anos, foi brutalmente assassinado no dia 07 de junho de 2017, por um funcionário do ICMBIO, chefe da fiscalização da referida Resex, senhor Etienne Oliveira Silva.

Até se prove ao contrário, não acreditamos na hipótese de legítima defesa, como o acusado está afirmando, pelo fato da vítima ter sido atingida por dois disparos efetuados pelo servidor do ICMBIO e em lugares mortais.

Segundo informação local, a pessoa do chefe da Resex não é bem quista pelas famílias da comunidade, justamente por suas atitudes autoritárias nas fiscalizações que realizava na Unidade de Conservação. Esta informação não é descartável, pelo ao contrário, se acirrou de tal forma que resultou neste conflito seguido de assassinato de um dos guardiões da floresta.

 A comunidade alega que no dia dos fatos, após aparecer um pneu furado do carro que a ICMBIO tinha deixado perto do rio Cautário, Etienne suspeitou de José Pantoja Bezerra e o chefe do ICMBIO foi tirar satisfação na colocação dele, situada nas proximidades, rio acima. Segundo versões divulgadas, ele teria alegado ter sido atacado e agredido por José Pantoja com um facão e ter disparado nele em legítima defesa. Já outras versões recolhidas de testemunhas, apontam que após  ser atingido por um disparo no braço, José Pantoja teria se jogado no rio tentando fugir e foi morto por um segundo disparo entre o queixo e o pescoço quando ele tentava se erguer numa canoa. http://cptrondonia.blogspot.com.br/2017/06/morte-de-seringueiro-por-chefe-do-icmbio.html

No mesmo dia 07 Etiene teria se apresentado no hospital de Costa Marques para registro de corpo de delito, apenas com alguns arranhões. Não parecia estar ferido. Posteriormente, no outro dia foi divulgada a notícia da morte de José Pantoja e somente no dia 08 uma equipe de bombeiros foi recolher o corpo dentro do rio, que foi levado para Ji Paraná para perícia, sendo enterrado no dia 09. No dia seguinte a Polícia Federal se deslocou a Costa Marques para fazer uma reconstituição dos fatos. Moradores da área comentaram que José Pantoja tinha apenas um terçado, que foi achado guardado dentro da casa dele. Ninguém sabe quem em realidade furou o carro do ICMBIO e nenhum outro facão foi achado.

A Comissão Pastoral da Terra de Rondônia, bem como, a Articulação das CPTs da Amazônia se solidarizam com a Associação dos Seringueiros do Vale do Guaporé – AGUAPÉ, com as famílias enlutadas da comunidade do Rio Cautário, bem como, apoiamos o seu grito de justiça, onde pedem a imediata prisão do agente do ICMBIO e sua destituição do cargo de Chefe da Resex Federal.

O fato parece apresentar as configurações de desmando e violência por parte do agente estatal, com uso arbitrário das próprias funções, fato que precisa ser apurado e investigado pela Polícia Federal. Em Rondônia, José não é a primeira vítima da mão armada do poder público, ainda no mês de maio, um trabalhador sem terra, Paulo Sérgio, foi vítima fatal de um agente da GOE – Grupo de Operações Especiais, em Mirante da Serra.

Para que a comunidade local, bem como, para a sociedade organizada, possa acreditar na boa fé das autoridades competentes, o ICMBIO precisa afastar imediatamente o servidor de suas funções e iniciar um processo disciplinar.

COMISSÃO PASTORAL DA TERRA, REGIONAL DE RONDÔNIA
E ARTICULAÇÃO DAS CPTs DA AMAZÔNIA.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

MORTE DE SERINGUEIRO POR CHEFE DO ICMBIO

MORTE DE SERINGUEIRO POR CHEFE DO ICMBIO REVOLTA POPULAÇÃO DE COSTA MARQUES, RONDÔNIA.

O seringueiro JOSÉ PANTOJA BEZERRA, de 59 anos, foi morto o passado dia 07 de Junho de 2017 dentro da reserva extrativista estadua onde morava, no Rio Cautário, de Costa Marques.
Ele foi atingido por dois disparos atirados pelo servidor do ICMBIO  Etienne Oliveira Silva, chefe da Resex Federal do Rio Cautário, vizinha da reserva estadual. Segundo versões divulgadas, após aparecer um pneu do seu carro furado, Etienne suspeitou de José Pantoja Bezerra, com quem tinha umas desavenças fazia anos. E o chefe do Icmbio foi tirar satisfação na casa de José Pantoja Bezerra, situado nas proximidades, rio acima. Depois ele teria alegado ter disparado por legítima defesa, por ser agredido por José Pantoja com um facão. Os fatos aconteceram arredor das 16 horas.

Já outras versões recolhidas de testemunhas na cidade de Costa Marques, apontam que após ter ser atingido por um disparo no braço, José Bezerra teria se jogado no rio tentando fugir e foi morto por um segundo disparo entre o queixo e o pescoço quando ele tentava se erguer numa canoa.

No mesmo dia 07, Etiene teria se apresentado no hospital de Costa Marques para registro de corpo de delito, apenas com alguns aranhões. Não parecia estar ferido. Posteriormente, no outro dia foi divulgada a notícia da morte de José Pantoja e somente nesse dia 08 uma equipe de bombeiros foi recolher o corpo dentro do rio, que foi levado para Ji Paraná para perícia, sendo enterrado no dia 09. No dia seguinte a Polícia Federal se deslocou a Costa Marques para fazer uma reconstituição dos fatos. Moradores da área comentaram que José Pantoja tinha apenas um terçado, que foi achado guardado dentro da casa dele. Nenhum outro facão foi achado.

A mídia local tem demorado vários dias para publicar a notícia, divulgada apenas como agressão ao agente do ICMBIO e morte de José Pantoja por legítima defesa. O fato parece apresentar as configurações de desmando e violência por parte do agente estatal, com uso arbitrário das próprias funções, fato que precisa ser apurado e investigado pela Polícia Federal.

Considerado como um assassinato, a morte tem revoltado a população de Costa Marques, especialmente os parentes de José Pantoja Bezerra e os seringueiros das Reservas Extrativistas do Rio Cautário, que estão pedindo a imediata prisão do agente do ICMBIO e sua destituição do cargo de Chefe da Resex Federal.






quinta-feira, 8 de junho de 2017

CAMPONESES PROTESTAM NO CENTRO DE PORTO VELHO



Camponeses acusam:    "Ênedy fascista, assassino e terrorista"

Mais de 400 camponeses de diversas áreas que estavam no INCRA desde o dia 10, realizaram uma manifestação que se iniciou na praça Aluísio Ferreira e seguiu pelas avenidas 7 de setembro, Marechal Rondon e Carlos Gomes. Representantes das áreas: Canaã, Renato Nathan 2, Monte Verde, Raio de Sol, Lamarca, Paulo Freire 4, Bacuri, 10 de maio, Enilson Ribeiro I e II, Monte das Oliveiras, Terra Nossa I e II, Monte Cristo, Jhone Santos e Rancho Alegre I e II. Diversas denúncias foram feitas. O Ex-Padre, José Iborra da CPT, denunciou o Ouvidor Agrário Regional Erasmo Tenório acusando-o de dar declaração para proteger e inocentar latinfundiários.

Diversas camponeses e lideranças da LCP gritavam: "Ênedy fascista, assassino e terrorista", acusando o alto comando da PM e o governador Confúcio Moura de apoiarem e incentivarem diversos grupos de extermínio e pistolagem em Rondônia. O tom das falas foi o de denunciar as diversas perseguições contra inúmeros acampamentos da LCP e de outras organizações democráticas.

A LCP afirma que a maioria das áreas é terra pública, fruto de grilagem de terras, conforme constam nos dados dos imóveis. A mobilização conseguiu suspender temporariamente reintegração de posses em diversas áreas. O dirigente camponês Belchior, da área Bacuri, anunciou que foi vitoriosa a jornada, pois avançou os processos administrativos de desapropriação ou aquisição de áreas para os acampados. Determinaram-se, também, vistorias de áreas a mais de 05 anos sem qualquer acompanhamento. O INCRA e a Casa Civil também se comprometeram a garantir com o IDARON o cadastramento de camponeses de 06 áreas para a liberação de GTAs.

Os manifestantes, na rua, denunciaram ainda, as reformas trabalhistas e previdenciária e a falência da política agrária dos diversos governos de turno. Convocaram os trabalhadores da cidade a se somarem na luta pela democratização da terra. Após encerrarem o protestos, as delegações dirigiram-se ao interior.



Escrito por Resistência Camponesa

Publicado em 15/05/2017

Categoria: Notícias








AUDIÊNCIA PÚBLICA

Ref.: AUDIÊNCIA PÚBLICA  SOBRE VIOLÊNCIA E CONFLITOS AGRÁRIOS


             
A Comissão Pastoral da Terra / CPT- RO, juntamente com a Arquidiocese de Porto Velho, vem através deste, convidar Vossa Senhoria a se fazer presente na Audiência Pública sobre violência e conflitos agrários em Rondônia, bem como, do lançamento do caderno de conflitos do campo – ano 2016.

Data: dia 20 de junho de 2017
Local: Auditório da Catedral – Av. Carlos Gomes, nº 235 - Centro – ao lado do cartório.
Horário: das 9h às 16h30m


Como é de conhecimento de todos, a violência agrária vem assustadoramente crescendo em todo estado brasileiro, acrescida de uma impunidade vergonhosa. Porém aqui em Rondônia esse ranking vem sendo liderado desde 2015.
Nesse sentido, é urgente e necessário reunir as autoridades competentes para ouvir os trabalhadores, tendo em vista a grande problemática que estamos enfrentando em relação a violência no campo.
            No evento contamos com a presença dos trabalhadores e trabalhadoras sem terra do Estado de Rondônia.

México recebeu o encontro Latino-americano





Cidade do México recebeu o encontro Latino-americano sobre estratégias de proteção para a defesa do território


Nos dias 30, 31 de maio e 1 de junho, na Cidade do México, aconteceu o encontro Latino-americano de Defensoras, Defensores e Autoridades Originárias dos povos e territórios da América Latina que debateu estratégias de proteção para a defesa do território, fazendo uma análise da realidade atual, das lutas e desafios e também esperanças para o futuro.
 A assessora jurídica da Terra de Direitos, Layza Queiroz Santos, esteve presente representando a organização. Confira o comunicado final do evento, em espanhol:



Encuentro Latinoamericano sobre “Estrategias de protección para la defensa del territorio”


30, 31 de mayo y 1 de junio 2017. Casa Xitla, Tlalpan, Ciudad de México


Declaración organizaciones participantes en el Encuentro Latinoamericano de Defensoras, Defensores y Autoridades Originarias de los pueblos y territorios de América Latina. [1]
Defensores y defensoras, autoridades originarias de los pueblos y territorios de América Latina nos hemos reunido en la ciudad de México para compartir y analizar nuestras realidades, luchas, desafíos y esperanzas. 
Vemos con indignación el avance de un modelo de desarrollo neoliberal y extractivista, que saquea los bienes naturales, que avasalla los territorios y destruye la vida en todas sus formas. Es un sistema basado en un nuevo colonialismo que genera nuevas formas de esclavitud entre las poblaciones que habitan los territorios devastados por una insaciable codicia. Es un sistema que considera los cuerpos de las mujeres otro territorio a ocupar y a ganar como botín de guerra.  Sus impactos se viven con intensidad particularmente en las poblaciones indígenas, rurales, negras, afrodescendientes, mestizas-rurales y quilombolas.
Vemos con dolor cómo se deterioran las aguas, los bosques, las tierras de nuestra región. Y cómo se criminaliza, se judicializa y se estigmatiza a quienes defendemos estos bienes comunes. Vemos con preocupación el acelerado proceso de reconcentración de la tierra y de la riqueza en cada vez menos manos, lo que está generando en nuestro continente monstruosas y peligrosas desigualdades.
Vivimos rodeados de impunidad, de corrupción, de censura, de compra de conciencias, de militarización, sicariato, de asesinatos, desapariciones y encarcelamientos. Vivimos en narcoestados en los que la vida no vale nada y las leyes son empleadas para reprimir a quienes alzamos la voz y trabajamos porque estos problemas desaparezcan.
Los poderes formales -gobiernos e instituciones-, los poderes fácticos -grandes capitales, transnacionales, narcoactividad, iglesias conservadoras, medios de comunicación cómplices- están fortaleciendo este modelo económico neoliberal y patriarcal que ha hecho del dinero el dios a quien servir a costa de la Vida, arrasando derechos civiles y políticos, derechos culturales, derechos ambientales, todos los derechos conquistados en tantos años para nuestros pueblos.
No aceptamos la manipulación que estos poderes hacen de la historia de nuestros pueblos ni el discurso que pretende hacernos creer que la destrucción de nuestros territorios y el saqueo de nuestros recursos naturales traerán desarrollo, progreso y bienestar.
Consideramos inaudito que en pleno siglo 21 y con el reconocimiento cada vez amplio de la comunidad internacional de los derechos para todo ser humano se continúe encarcelando y asesinando a defensores y defensoras de las aguas, los bosques, las tierras y el territorio.
El saqueo y las injusticias, el abuso del poder ha dejado grandes huellas y duelos aun no resueltos en nuestros pueblos y comunidades. Hemos visto desarticularse el tejido social comunitario y debilitarse los sistemas normativos, culturales e históricos de los pueblos indígenas, afrodescendientes y de sus territorios. Hemos visto desaparecer la autonomía municipal y la de los territorios. Hemos visto incrementarse los feminicidios, la violencia sexual, el tráfico y la negociación con los cuerpos de las mujeres, la fragmentación de las familias, el desplazamiento forzado de poblaciones que dejan atrás sus hogares, sus afectos, sus recuerdos. Hemos visto vivir a mucha de nuestra gente en incertidumbre y permanente zozobra, con el temor diario de perder la vida.
En el día de hoy, también en el de mañana y en el de pasado mañana, en cada uno de nuestros países, en cada territorio de Nuestra América, una defensora, un defensor, una persona, será asesinada, encarcelada, desaparecida, torturada, amenazada, violada o desterrada por defender derechos consignados en la Declaración Universal de los Derechos Humanos.
Es para enfrentar tanta muerte que defensoras y defensores de derechos humanos, particularmente quienes defienden el medioambiente y los territorios estamos tejiendo alianzas estratégicas que sean duraderas y que nos permitan protegernos mejor y fortalecer la organización, las resistencias y la acción política. 
Hacemos un llamado a otros pueblos, a académicos, intelectuales progresistas, organizaciones y movimientos sociales, populares y comunitarios a respaldar con decisión y pasión estas luchas y resistencias y a no permitir que avance más este modelo patriarcal, neoliberal y depredador de los bienes naturales, porque si sigue avanzando terminará destruyendo a toda la Humanidad y la vida.
Queremos decirles que, en medio de tanto esfuerzo, seguimos vivos y vivas. Y que nos sentimos alegres de mantener nuestro compromiso de luchar por la Vida. Por la vida de todo las formas de  vida. Por la libertad, la justicia y la permanencia de la memoria. Por un futuro mejor para todas y para todos. Por el planeta, nuestra casa común.
 En Ciudad México en el primer día del mes de junio de 2017 

Organizaciones firmantes y país.
 Parlamento Mapuche Río Negro – Argentina
Red Nacional de Mujeres en Defensa de la Madre Tierra – Bolivia
Comissao Pastoral Da Terra (CPT) – Brasil
Movimento Sem Terra – Brasil
Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos – Brasil
Terra de Direitos – Brasil
Anamuri – Chile
Red de Defensa de los Territorios – Chile
Pueblo Mapuche, Comunidad Juan Kurrin – Chile
Asociación de Campesinos de Buenos Aires – Colombia
Consejo Comunitario de la Cuenca del Río Naya – Colombia
Equipo Jurídico Pueblos – Colombia
Movimiento Ríos Vivos – Colombia
Proceso Comunidades Negras – Colombia
Asociación Norte por la Vida (UNOVIDA) – Costa Rica
Asociación de Mujeres Waorani de la Amazonía Ecuatoriana – Ecuador
Asociación de Mujeres de Santo Tomás (Momujest) – El Salvador
Unidad Ecológica Salvadoreña – El Salvador
Articulación Nacional de Mujeres Tejiendo Fuerzas para el Buen Vivir – Guatemala
Comité Campesino del Altiplano (CCDA) – Guatemala
Consejo de Pueblos K’iche’ CPK – Guatemala
Consejo Mam – Guatemala
Coordinadora Ecuménica y Social en Defensa de la Vida en Zacapa y Chiquimula – Guatemala Gobierno Ancestral Plurinacional Izabal – Guatemala
Jóvenes Organizados en Defensa de la Vida – Guatemala
Madre Selva – Guatemala
Resistencia Pacífica La Puya – Guatemala
Centro Hondureño de Promoción para el Desarrollo Comunitario (CEHPRODEC) – Honduras
Comunidad el Listón – Honduras
Comunidades Zacate Grande ADEPZA – Honduras
Consejo Cívico de Organizaciones Populares e Indígenas de Honduras – Honduras
Movimiento Ambientalista de Olancho – Honduras
Movimiento Independiente Indígena Lenca de La Paz – Honduras
Organización de Mujeres Miskitas – Honduras
Organización Fraternal Negra Hondureña – Honduras
Alianza Sierra Madre – México
Asamblea de los Pueblos Indígenas del Istmo de Tehuantepec en Defensa de la Tierra y el Territorio – México
Asamblea Popular del Pueblo de Juchitán (APPJ) – México
Colectivo de Mujeres Hilamos Vida – México
Cooperativa la Tosepan Sierra Norte de Puebla – México
Frente de Pueblos en Defensa de la Tierra – México
Movimiento en defensa del río San Pedro Libre – México
Movimiento en Defensa de la Vida y el Territorio (Modevite) Chiapas – México
Tribu Yaqui – México
Red Nacional de Mujeres Indígenas: Tejiendo Derechos por la Madre Tierra y Territorio – México
Movimiento de Mujeres Segovianas – Nicaragua
Movimiento Segoviano Llegó la Hora de la Acción del Pueblo – Nicaragua
Coordinadora Nacional de Mujeres Indígenas de Panamá (CONAMUIP) – Panamá
Organización de Mujeres Campesinas e Indígenas – Paraguay
Organización Nacional de Mujeres Indígenas Andinas y Amazónicas del Perú – Perú
Pueblo Shiwilu de la Amazonía – Perú
Rondas Campesinas femeninas de Bambamarca – Perú


[1]Este encuentro fue organizado por Amnistía Internacional, Brigadas Internacionales de Paz (PBI), Fondo Acción Urgente – América Latina (FAU-AL), Front Line Defenders, Iniciativa Mesoamericana de Mujeres Defensoras de Derechos Humanos, Just Associates (JASS), Pan para el Mundo, Protection International y en coordinación con Aluna Acompañamiento Psicosocial, Comité por la Libertad de Expresión Honduras (C-Libre), Consorcio Oaxaca, Coordinadora de Derechos Humanos del Paraguay (Codehupy), Coordinadora Nacional de Derechos Humanos Perú, Programa Somos Defensores, Servicios y Asesorías para la Paz (Serapaz), Red Latinoamericana de Mujeres Defensoras de Derechos Sociales y Ambientales, Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos, Unidad de Protección a Defensoras y Defensores de Derechos Humanos Guatemala (UDEFEGUA) y la Unión Latinoamericana de Mujeres (ULAM) y contó con la participación de distintas defensoras y defensores quienes elaboraron este comunicado.
ARQUIVADO EM NOTÍCIAS COM AS











Juventude Camponesa Da Via Campesina Em RO












Brasil: Juventude Camponesa Da Via Campesina em  RO   realizou o  III Acampamento


Com muita música, mística e animação a Juventude da Via Campesina em Rondônia inicia na tarde desta sexta-feira, 2 de junho, o seu III Acampamento na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de RO (SINTERO), na cidade de Ouro Preto do Oeste-RO.
São mais de 150 jovens camponeses, sem-terras, indígenas e atingidos por barragens vindos de todas as regiões de Rondônia e representações de Mato Grosso, Pará e Santa Catarina, que nos próximos quatro dias irão debater os impactos do agronegócio na juventude e no meio ambiente, as reformas da previdência e trabalhista, e, a luta pelas Diretas Já.
A mesa de abertura foi composta pela juventude que teve por tarefa apresentar suas organizações e lutas. Florenildo Macedo da Mata, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), destacou a forma de ensino. “A escola que temos hoje, não deixa as crianças e os jovens abrirem suas mentes é um quadrado que não deixa sonhar com dias melhores, mas aqui é nosso espaço e esse acampamento será uma grande escola, que possamos sair com a mente mais aberta do que já temos”.

O Acampamento reúne mais de 150 jovens. Foto: MAB
A jovem camponesa do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Edilaine Santos Barros, destacou a origem do Movimento e em qual conjuntura o país vivia, bem como, suas lutas travadas quanto Movimento Nacional deste então, destacando a participação da juventude na sua construção. “Como um novo marco histórico na caminha do MPA, estão a Aliança Camponesa e Operária por meio do Alimento Saudável e o Mutirão da Esperança Camponesa. Estamos na luta desde sempre e para sempre vamos continuar”, afirma a jovem camponesa.
Francisco Kelvim Nobre da Silva, jovem atingido por barragem do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), afirma: “o MAB nasce a partir das contradições do Modelo Energético. E esse momento é muito delicado, entretanto como dizia Mao Tsé Tung, “quando tudo sob o céu está mergulhado no caos; a situação é excelente’, “a juventude tem papel central nas lutas contra os golpes, não podemos deixar que esse governo, que deu o golpe, que é financiado pelo imperialismo e pelo agronegócio siga no governo, ou escolha outro para tal, por isso Diretas Já”.
Por sua vez, Virginia Miranda de Souza, do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), enfatiza o momento histórico do surgimento da organização. “O CIMI nasce ainda no período da Ditadura Militar quando vários povos indígenas foram dizimados, não apenas quanto sujeitos, mas como entidade também”.
A representante do CIMI também fala da demarcação de terras, das lutas dos povos indígenas que em muito se assemelha com a dos camponeses. “A luta é igual dos indígenas e camponeses. É muito importante que a juventude do campo e indígena se unam”. Destacando ainda o desmonte da Educação Camponesa e Indígena e a implantação do EMITEC (Programa de Ensino Médio com Intermediação Tecnológica) no Estado de RO. “Quando falamos da luta pela terra, os primeiros a lutar pela terras foram os indígenas e a prova disse é que estão ai, mais de 500 anos de resistência, mesmo depois de anos de massacres, seguimos. Para termos uma ideia, em Rondônia há 60 povos indígenas e apenas 20 deles tem áreas demarcadas. Hoje são mais de 100 PECs e PLs para retirar os direitos dos povos indígenas, são muitas mesmo”, afirma Virginia.

O Acampamento reúne mais de 150 jovens. Foto: MAB
A jovem camponesa do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Edilaine Santos Barros, destacou a origem do Movimento e em qual conjuntura o país vivia, bem como, suas lutas travadas quanto Movimento Nacional deste então, destacando a participação da juventude na sua construção. “Como um novo marco histórico na caminha do MPA, estão a Aliança Camponesa e Operária por meio do Alimento Saudável e o Mutirão da Esperança Camponesa. Estamos na luta desde sempre e para sempre vamos continuar”, afirma a jovem camponesa.
Francisco Kelvim Nobre da Silva, jovem atingido por barragem do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), afirma: “o MAB nasce a partir das contradições do Modelo Energético. E esse momento é muito delicado, entretanto como dizia Mao Tsé Tung, “quando tudo sob o céu está mergulhado no caos; a situação é excelente’, “a juventude tem papel central nas lutas contra os golpes, não podemos deixar que esse governo, que deu o golpe, que é financiado pelo imperialismo e pelo agronegócio siga no governo, ou escolha outro para tal, por isso Diretas Já”.
Por sua vez, Virginia Miranda de Souza, do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), enfatiza o momento histórico do surgimento da organização. “O CIMI nasce ainda no período da Ditadura Militar quando vários povos indígenas foram dizimados, não apenas quanto sujeitos, mas como entidade também”.
A representante do CIMI também fala da demarcação de terras, das lutas dos povos indígenas que em muito se assemelha com a dos camponeses. “A luta é igual dos indígenas e camponeses. É muito importante que a juventude do campo e indígena se unam”. Destacando ainda o desmonte da Educação Camponesa e Indígena e a implantação do EMITEC (Programa de Ensino Médio com Intermediação Tecnológica) no Estado de RO. “Quando falamos da luta pela terra, os primeiros a lutar pela terras foram os indígenas e a prova disse é que estão ai, mais de 500 anos de resistência, mesmo depois de anos de massacres, seguimos. Para termos uma ideia, em Rondônia há 60 povos indígenas e apenas 20 deles tem áreas demarcadas. Hoje são mais de 100 PECs e PLs para retirar os direitos dos povos indígenas, são muitas mesmo”, afirma Virginia.


Nesta edição a juventude irá debater os impactos do agronegócio na sua vida e e no meio ambiente. Foto: MAB
Beatriz Santos Buffon, jovem do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), aponta: “o MST se constitui como Movimento Nacional em 1984, com o objetivo de organizar os trabalhadores sem-terra para lutar pela Reforma Agrária”. Beatriz fala ainda sobre a necessidade de produzir alimentos saudáveis com preço justo para os trabalhadores da cidade, apontando as Feiras como forma de venda direta. “A Reforma Agrária não está na pauta desse Estado burguês, então a gente precisa construir uma Reforma Agrária Popular e ela só e sustentada por quem faz”, afirma a jovem militante do MST.
Representando a Via Campesina, Carlos Frederico Santana (Fredi) destaca o surgimento da Via em 1993 como uma demanda das organizações do campo em todo mundo. “A Via campesina nasce com o objetivo de unificar a luta internacional contra o Imperialismo que se apresenta nas mais diversas facetas e frentes em cada país. No Brasil, 15 organizações do campo em todos os Estados fazem parte da Via Campesina, a nível internacional está presente em 88 países, divididos em 10 grandes regiões, em 4 Continentes e contempla 183 organizações”. Fredi destaca ainda o papel e a articulação da Juventude da Via Campesina em RO da qual este III Acampamento é um dos frutos.
O acampamento é organizado pelos movimentos que compõe a Via Campesina no Estado, entre eles CIMI, MAB, MST, MPA e CPT. A programação do III Acampamento da Juventude contempla ainda mesas de debates, rodas de conversas, oficinas, integração e espaços culturais, como parte da Jornada Nacional “Juventude em Luta Permanente: o Agronegócio Destrói o Meio Ambiente”, que está sendo realizada de 1º a 5 de junho deste ano, 2017, dia nacional do Meio Ambiente.


Por Adilvane Spezia – Comunicação do III Acampamento da Via Campesina-RO
Revisão: Francisco Kelvim – Comunicação do III Acampamento da Via Campesina-RO