sábado, 28 de junho de 2008

As Famílias do Projeto Natureza Viva


Em São Miguel do Guaporé estão reunidas vinte-e-seis famílias do Regional Centro de nossa Diocese de Guajará Mirim, com representantes católicos e luteranos das paróquias de Costa Marques, São Francisco do Guaporé, Seringueiras e São Miguel.
Trata-se de pequenos agricultores que mostraram interesse por iniciar experiências de trabalho ecológico em seus sítios. Faz dois anos elas começaram a participar do “Projeto Natureza Viva do Vale do Guaporé”, que conta com financiamento da Conferência Episcopal Italiana.
Esta ajuda financeira serviu para começar um trabalho em linha agroecológica. Foram realizados convênios de assistência técnica com a COACARAM, uma cooperativa de comercialização de café, com sede em Ji Paraná, e com a EFA, a Escola Família Agrícola com sede em São Francisco.
Os recursos são utilizados também para despesas administrativas e para financiar um encontro geral das famílias, uma vez por ano. E para realizar mais dois encontros, regional e municipal, para cursos e coordenação das atividades que cada família realiza em seu sítio.
Com ajuda do projeto, são dois técnicos agrícolas que atualmente visitam as famílias e as orientam em seus projetos para melhorar o trabalho, procurando uma agricultura ecológica, sem uso de agrotóxicos e que ajude a recuperar o meio ambiente.
Cada família fez suas propostas de trabalho e recebeu também um fundo de ajuda para comprar material e equipamentos. Assim, muitos que tem café na lavoura, para deixar de usar herbicidas, optaram pela compra de roçadeiras de mato, pagando eles mesmos parte do equipamento. A avaliação é que tem ajudado muito, passando desta forma a produzir café orgânico (biológico). Também tem dispensado o uso de veneno para roçar o mato nas cercas e nos pastos.
Outros, para evitar mais derrubadas e conservar melhor o pasto, compraram cercas elétricas e fizeram mais piquetes nos pastos. Dividindo mais o pasto, o gado não fica andando e pisando por todo lado. Enquanto fica pastando num piquete, no outro lado da cerca o capim tem tempo de se recuperar e crescer, aproveitando melhor o espaço. Este sistema simples também tem ótimo resultado no controle de pragas, como o garrapato e a mosca do chifre do boi, pois quebra o ciclo de desenvolvimento das larvas.
Algumas famílias optaram pelo plantio de fruteiras, destinadas a produção de polpas de fruta na usina da Associação de São Miguel do Guaporé. Enquanto que outras famílias compraram cercas e galões para produção de biofertilizantes, procurando a formação de hortas e experimentando, ainda que com dificuldades, o plantio de verduras sem uso de agrotóxicos. Alguns tem posto na feira e conseguem comercializar uma produção de verduras totalmente orgânicas.
Já por iniciativa da Escola Família Agrícola, muitas famílias tem realizado um esforço de reflorestação nos cursos de rios e igarapés desmatados. Na Linha 33 de São Francisco, foi realizado um mutirão de plantio de mudas de árvores. O objetivo era começar a recuperar uma nascente de água. A atividade tem o apoio da toda a Paróquia e foi adotada como gesto concreto da Campanha de Fraternidade.
Seguindo várias experiências de outros lugares, tem se realizado cursos de homeopatia, com remédios naturais para tratamento de doenças da criação; de produção de minerais naturais para complemento da alimentação do gado, e produção de compostos e ajuda de minhocas para produção de húmus e de adubo natural.
Com muita humildade, cada família expõe o que tenta fazer, com luta e dificuldades e muito trabalho, que nem sempre conseguem realizar. Assim teve agricultor de Costa Marques que chegou a plantar por oito vezes tomate, sem conseguir que a praga de ferrugem não acabasse com as plantas. Outros conseguiram colher bastante feijão e amendoim. E muitos já terminaram a colheita de café, totalmente livre de uso de venenos.
Nestes dias deve ser discutida a coordenação do projeto, realizada por José Silva e José Ossak, dois dos próprios agricultores do projeto, com orientação técnica e administrativa até o ano passado, de Marcos Antonio Machadoda, e agora de Roseli Maria Magendanz, da Comissão Pastoral da Terra; assim como as parcerias da Acaram e da EFA, e das Paróquias do Regional Centro da Diocese de Guajará Mirim.
O grupo está representado na Articulação Estadual de Agroecologia, e pleiteia pesquisa oficial em linha ecológica e sustentável, assim como cursos e aplicação de recursos governamentais, e uma linha de crédito oficial, pois os bancos do governo até agora recusam projetos de agroecologia, com a desculpa que falta “base científica” nos mesmos.
Um grande esforço com o objetivo de viver a partir do trabalho na roça, e realizar a missão recebida de Deus por toda a Humanidade, de cuidar e colaborar com Ele na obra da Criação..

Pe. Josep Iborra Plans, zezinho

Um falecido e três sem terra presos em Seringueiras RO

UM FALECIDO E TRES SEM TERRA PRESOS EM RONDÔNIA

Ataides de Souza, Alessandro Correa e Anastácio Francisco de Souza, agricultores sem terra acampados em Seringueiras RO, foram presos cumprindo mandato de prisão expedido pelo juiz substituto Carlos Augusto Lucas Benasse, da comarca de São Miguel do Guaporé.

Apesar da disposição de negociar que sempre tiveram os acampados, eles sofreram gratuito e violento despejo na manhã do dia 26 de Junho de 2008, por numerosas tropas policiais, com disparos de balas de borracha e explosão de bombas, que atingiram diversos sem-terra, e ferindo várias crianças.

Conseqüência trágica da violência policial, o agricultor Lourenço Tony passou mal e posteriormente veio falecer for infarto em Seringueiras.

O acampamento chamado Paulo Freire II, realizou em setembro de 2007 a primeira ocupação da área, e exige a criação de assentamentos de reforma agrária na área da fazenda “Riachuelo Doce”, de Sebastião Feder. Segundo fontes do INCRA de Rondônia, trata-se de seis lotes de 400 Há de Terras da União, porém agricultores locais consideram que a fazenda grilou pelo menos 1.057,00 alqueires de terra pública.

Sofrendo ameaças e intimidações, a inícios de ano os acampados conseguiram reduzir e desarmar um grupo de doze jagunços. Porém logo tiveram em contra diversas ordens de reintegração de posse.

Enquanto aguarda o pedido de habeas corpus da assessoria jurídica da CPT RO, disse Ataíde: “Jamais pensei que fossem nos despejar daí. Este já é o quinto despejo que sofremos.” Pois depois de ser despejados da fazenda, tinham negociado para ficar numa chácara de um membro do grupo. Desta vez foram despejados até da propriedade deles mesmos, caracterizando invasão de privacidade. A desculpa seria ordem judicial para que eles fiquem a mais de quinze quilômetros da sede da fazenda “Riachuelo Doce”.

Os detidos são acusados de diversas ocorrências, sem que se tenha comprovado a participação deles na maioria dos fatos. Inclusive da queima do curral e da sede da fazenda, que foi realizada por homens encapuzados e armados depois duma reunião na sede do patronal Sindicato de Proprietários Rurais, em São Miguel. E que o povo atribui aos mesmos fazendeiros, com intenção de criminalizar os sem terra.

Sendo que grande parte das fazendas da região da estrada BR 429 são terras griladas, muitos têm medo de perder as terras de que se apossaram impunemente até agora.

Pes. José Iborra Plans e Afonso das Chagas,
Coordenação Colegiada da CPT de Rondõnia