sábado, 27 de março de 2010

Reclamação geral dos atingidos de Jirau.

27/03/2010 - 12h41min - Atualizado em 27/03/2010 - 12h41min

CPI realizou reunião em Jacy-Paraná
O líder comunitário de Mutum Paraná, Elivaldo Alves , apresentou a CPI um documento contendo onze pontos que a comunidade local julga imprescindíveis para continuar a viver com “dignidade”.

Ivalda Marrocos de Tudorondona.com.br
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga possíveis irregularidades na construção das usinas do rio Madeira realizou hoje (26) audiência pública no distrito de Jacy-Paraná, na Escola Maria de Nazaré dos Santos. A finalidade da reunião foi ouvir as reivindicações das comunidades locais que serão afetadas com a construção da Usina Hidrelétrica de Jirau. Os deputados da CPI reafirmaram a disposição de continuar cobrando dos consórcios construtores os benefícios que as comunidades atingidas têm direito e que não aconteceram até agora.

O presidente da CPI, deputado Tiziu Jidalias (PP) , começou a reunião explanando a metodologia que deveria ser seguida por todos, já que se tratava de um encontro oficial da Assembléia Legislativa do Estado. O parlamentar disse que a comissão estava ali muito mais para ouvir os reclamos das comunidades, do que para fazer qualquer discurso ou avaliação prévia e pediu serenidade nos pronunciamentos.

Além das lideranças locais, e de representantes de órgãos da Prefeitura de Porto Velho e do governo do Estado, participaram também representantes dos consórcios construtores das usinas e demais membros da CPI: deputados Kaká Mendonça (vice-presidente); Wilber Coimbra – relator; Jair Miotto e os suplentes Valter Araújo e Ezequiel Neiva.

Tanto as lideranças de associações de moradores, quanto de comerciantes e produtores rurais foram unânimes em declarar que até agora a população local ainda não viu ou sentiu nenhum efeito positivo com a construção da usina. Pelo contrário, afirmaram, até agora apenas o aumento da criminalidade, a especulação imobiliária e um total desamparo com relação às prometidas indenizações.

O líder comunitário de Mutum Paraná, Elivaldo Alves de Brito, por exemplo, apresentou a CPI um documento contendo onze pontos que a comunidade local julga imprescindíveis para continuar a viver com “dignidade”. Em linguagem simples, mas bastante clara e incisiva, os moradores de Mutum-Paraná querem “terra por terra, casa por casa”. Para eles, cada morador atingido pela construção da usina deve receber uma casa ou uma área seja na zona urbana ou rural com um seguro por no mínimo cinco anos. Todos “tem direito, inclusive seus filhos com mais de 18 anos”. Eles lembraram que o valor das indenizações deve levar em consideração a atual “especulação imobiliária causada pelos consórcios hoje em Rondônia”. Os lucros cessantes dos produtores e comerciantes locais “deve ser ressarcido a todos os que foram impedidos de produzir, tanto na área urbana, quanto rural”. O pastor Joel Binas também reforçou as críticas, entregando à Comissão um ofício onde são relatadas diversas preocupações. Dentre elas a previsão de antecipação do término das obras em 3 anos da usina de Jirau.

“se estudos foram feitos, não foram respeitados até agora e até agora não fomos atendidos”. O representante dos indígenas, cacique Caxarari reclamou do tratamento da FUNAI e pediu que qualquer convênio para possíveis melhorias seja feito diretamente com eles, já que possuem uma organização não-governamental. “Até agora fomos lesados e não fomos convidados para participar de nenhuma reunião. Se dependermos da FUNAI continuaremos sem nada”.

O representante do consórcio da Santo Antonio Energia, Roberto Oliveira, apresentou as informações sobre como vem sendo feito os remanejamentos dos moradores. Segundo ele, já houve negociação com 48% das famílias e já foram pagas 35% das indenizações pelas moradias. A precariedade na documentação tem sido o motivo do atraso neste processo. O representante do consórcio que está construindo a usina de Jirau, Aluisio Ferreira, coordenador de sustentabilidade, fez um breve histórico desde o licenciamento ambiental para viabilidade da obra. Ele acrescentou que a licença para construção saiu apenas em agosto do ano passado. Nestes últimos oito meses é que as medidas de mitigação vêm sendo implementadas – tempo por ele considerado ainda curto.

Presentes na audiência pública, Valdir Hamatchuc – representante da SEDAM; Nelson Barbosa Rosa - Administrador do distrito de Jacy Paraná; Rosilene Prestes - Administradora do distrito de Mutum-Paraná; Roberto Oliveira – gerente de Remanejamento do Consórcio Santo Antonio; André Costa do Amaral – advogado do Consorcio Santo Antonio; Luiz Zoccal – coordenador de Reassentamento do Consórcio Santo Antonio; Charles Ferreira – gerente executivo do Consorcio Energia Sustentável do Brasil; Nelson Caproni Junior - gerente geral de obras do Consórcio Santo Antonio; Aluisio Otávio Ferreira – coordenador de sustentabilidade do Consórcio Santo Antonio; José Williane Ribeiro – presidente da Associação dos Moradores do Distrito de Jacy Paraná; Elivaldo Alves de Brito – representante de Mutum Paraná; vereador Jurandir Rodrigues de Oliveira – Câmara Municipal de Porto Velho, Pastor Joel Binas de Jesus – representante de Jacy Paraná; cacique Zezinho Caxarari – representante da aldeia Caxarari; Ivan Silveira – coordenador de Remanejamento do Consorcio Santo Antonio; Associação de Moradores, comerciantes, empresários e lideranças comunitárias do distrito de Jacy Paraná.

sábado, 20 de março de 2010

XXII Assembléia Nacional da CPT

A XXII Assembléia nacional da CPT do Brasil se reuniu em Hidrolândia, Goiás, os dias 18 e 19 de Março.

Teve a participação por Rondônia de Denize Monteiro, Maria José de Oliveira, (Irmâ Zezé e José Iborra, (zezinho).

Na foto Neusa e Denize, agricultoras do sul de Rondônia e conselheiras da CPT RO.



Vejam a Carta elaborada pelos participantes:


“Os governantes dominam as nações e os grandes as tiranizam” (Mateus 20, 25)

Reunidos em Hidrolândia, Goiás nos dias 18 e 19 de Março de 2010, celebramos a XXII Assembléia Nacional da CPT, reafirmando nossa missão evangélica ao serviço dos povos da terra e das águas.

Começamos escutando o clamor que vem dos diversos regionais da CPT: Eles relataram situações gritantes em todos os estados brasileiros. A ação devastadora do Estado, dos setores que o dominam, contra as organizações e movimentos populares, resultando no marasmo que hoje mais do que nunca atinge a base de nossa sociedade.

Constatamos que a maior parte das autoridades municipais e estaduais, do Executivo, do Legislativo e do Judiciário, são subservientes aos interesses do grande capital: hidrelétricas, mineração, ferrovias, hidrovias, transposições de águas e expansão do agronegócio da soja, eucalipto, cana e pecuária. O Governo Federal com o PAC promove e financia mega projetos em favor de grandes empresas, que sacrificam muitas comunidades e violentam o meio ambiente.

Diante desta realidade crítica e depois dum processo avaliativo no qual a CPT se debruçou ao longo de um ano, reafirmamos o nosso compromisso de enfrentar o atual modelo de desenvolvimento promovido pelo Estado e de continuar na defesa das comunidades atingidas pela devastação ambiental, pelos grandes projetos e pelo avanço do agro e hidronegócio. Somos vítimas de um Estado falsamente democrático, que precisa ser reconstruído a partir da base da sociedade.

Nos comprometemos, também, a apoiar a organização e articulação dos camponeses e camponesas na conquista da reforma agrária, ressignificando e atualizando seu sentido, e na defesa dos territórios tradicionais e demais direitos de seus povos. Para dar conta desta difícil missão, a CPT quer aprofundar suas convicções pastorais e sua mística libertadora, para ser testemunha e defensora da Vida que nos vem de Deus e da Mãe Terra. A CPT precisa também encontrar novas formas de organicidade interna e de sustentabilidade que nos fortaleça nessa missão.

O III Congresso Nacional da CPT, que será realizado em Montes Claros de 17 a 21 de Maio, será o momento privilegiado, no qual com a participação majoritária de agricultores e agricultoras de todo o Brasil, ouvindo os clamores dos povos da terra e das águas, definiremos as linhas de ação, que nos orientarão nos próximos anos. Convocamos a todos os agentes da CPT, camponeses e camponesas, a somar forças com os movimentos que atuam no campo, parceiros e aliados a construir conosco este congresso.

E contribuir para que nossa ação junto aos pobres da terra seja uma resposta profética aos desafios atuais em defesa da Vida.

Nesta Quaresma e em comunhão com todas as Igrejas do Brasil, a CPT assume o plebiscito pelo Limite da Propriedade da Terra e proclama as palavras de Jesus: “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro” (Mateus 6, 24).




terça-feira, 16 de março de 2010

Atingidos do Madeira montam acampamento em Mutum-Paraná



Atingidos pelo Complexo Madeira montam acampamento e cobram seus direitos
Hoje (15), pela manhã, cerca de 300 atingidos pelas barragens de Samuel, Santo Antônio e Jirau, montaram um acampamento na comunidade de Mutum, ao lado da BR 364, em Rondônia. A atividade faz parte da Jornada do Dia internacional de luta contra as barragens, pela água, pelos rios e pela vida, comemorado no dia 14 de março.

Além de discutir a pauta nacional de reivindicação do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) o acampamento tem o objetivo de elaborar a pauta dos atingidos pela barragem de Jirau. Eles reivindicam, entre outras coisas, o direito ao reassentamento e a um plano de desenvolvimento local.

O consórcio Enersus (Camargo Corrêa e GDF Suez) é responsável pelo programa de remanejamento da população atingida, mas não atende a vontade popular de resolver as situações pendentes quanto às indenizações e à realocação. Quando são indenizados, os ribeirinhos recebem casas de placas nas agrovilas. Dezenas dessas casas já caíram, mesmo antes de serem ocupadas. "É um modelo que para realidade da Amazônia não serve, pois a região é muito quente e será insuportável viver nelas, além do mais, a qualidade dessas casas é péssima e nós não queremos morar nesses lugares", declarou uma moradora. Outros, recebem reassentamentos de apenas 3 hectares, sendo que antes da barragem eles morava em áreas de cerca de 50 hectares.

As comunidades ainda resistem à retirada forçada pelo consórcio, que vem negando informações aos atingidos. “Os atingidos devem ter o direito de decidir para onde querem ir, e como deve ser a sua transferência, com direito de permanecer na beira do rio. No entanto, o que acontece é que e empresa decide tudo pelas famílias e, este processo, está violando vários direitos dos atingidos”, denunciou Océlio Muniz, da coordenação do MAB.

A situação das famílias foi relatada ao presidente Lula por Cleide Passos, atingida pela barragem de Santo Antônio. A audiência entre o presidente e o MAB aconteceu no dia 4 de fevereiro, em Brasília. Na ocasião o presidente reconheceu novamente a dívida do Estado brasileiro com os atingidos por barragens e afirmou a necessidade das pessoas terem as condições necessárias para viver com dignidade.

Durante o acampamento os atingidos irão cobrar das empresas que cumpram as definições do presidente. Eles pretendem ficar acampados até serem recebidos pelo consórcio.






terça-feira, 9 de março de 2010

Mulheres trancam acesso ao canteiro de obras da barragem de Santo Antônio

09/03/2010 (do Diario da Amazonia)
Durante a manhã de ontem, 8 de março, cerca de 200 mulheres do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e da Via Campesina trancaram por uma hora a estrada de acesso ao canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio. Elas estão mobilizadas pelo Dia Internacional da Mulher e, em Porto Velho, protestam contra a construção das barragens no rio Madeira e todas as conseqüências negativas que as obras estão trazendo para a vida das mulheres.

Depois do protesto as manifestantes voltaram a se concentrar no acampamento localizado no ginásio Eduardo Lima e Silva, na Avenida Jatuarana, na capital. A programação seguiu com atividades de formação e debates sobre os direitos dos atingidos e das atingidas. A tarde elas foram para o bairro Vila Princesa onde localiza-se o lixão da cidade, local de trabalho de muitas mulheres. Lá, as manifestantes fizeram um debate com as catadoras sobre as condições de trabalho das mulheres e as convidarão a participar das atividades. O acampamento segue até amanhã.

A construção das barragens de Santo Antônio e Jirau está causando inúmeros impactos sociais e ambientais. As mulheres são as principais vítimas destas construções que acabam desestruturando as famílias. Outra grave conseqüência é a instalação de negócios da prostituição perto do canteiro de obras da barragem ou junto ao alojamento dos trabalhadores. “Essa estratégia das empresas tem o objetivo de “entreter” os operários, que estão longe de suas famílias há bastante tempo. Em alguns casos, há a mercantilização do corpo das mulheres com a venda de adolescentes para a prostituição, podendo até influenciar e facilitar o tráfico internacional de mulheres”, denuncia uma militante do MAB.

segunda-feira, 8 de março de 2010

AS RESERVAS EXTRATIVISTAS DO MACHADINHO DO OESTE ESTÃO DESAPARECENDO AOS POUCOS


No município do Machadinho do Oeste, existem 14 reservas extrativistas, mas segundos alguns seringueiros da região que estão muito preocupados com a destruição de algumas reservas principalmente a Rio Preto de Jacundá, os seringueiros disseram que esta reserva e mais afetada com a invasão de madeireiros de Cujubim.
Segundo os seringueiros informaram que mais de mil cabeça de bovinos foram retirados desta reserva, esses bovinos pertenciam ao Deputado Federal Ernandes Amorim (PTB). Em seguida o Chefe da Sedan foi afastado do cargo. Muita coincidência tudo isso. Quando os órgãos públicos agem contra os grandes Os políticos da região afastam os funcionários do cargo. Esse é o tipo de política que termos dentro do nosso Estado de Rondônia.

A agricultura familiar de Rondônia vive momento de fracasso



A Comissão Pastoral da Terra - RO, vem fazendo um diagnostico nos assentamentos e acampamentos em alguns município de RO. Percebe-se um grande fracasso na agricultura familiar. Notamos que a as famílias estão organizadas para conquistar a terra, mas o grande problema em geral é permanecer na terra, gerada pela descapitalização que se encontram.
E preciso que as famílias voltem para suas origens de permanecia na terra, procurando diversificar o Maximo de suas propriedades, porque a maioria dos pequenos produtores implantam o sistema de monocultura.Esse sistema facilita á venda das propriedades, proporcionando assim o êxodo rural.
A CPT - RO está muito preocupada com esse problema que acontece com essas famílias. Estamos trabalhando com alguns grupos com o sistema de agroecologia, acreditamos que será a salvação da nossa agricultura familiar dentro do nosso Estado.

Técnico em Agropecuária: Genivaldo Castil Sabará
Comissão Pastoral da Terra - RO

quinta-feira, 4 de março de 2010

Asesino do agricultor desaparecido Adélio Maibuk

O CASO ADÉLIO MAIBUK
ADELIO MAIBUK, casado, professor, bibliotecário, agricultor e apicultor, residente e domiciliado no Município de Pimenta Bueno (nasc: 12.07.1957), envolvido nas atividades da Comissão Pastoral da terra (membro da equipe local) e ainda participante da Comissão Justiça e Paz (Diocese de Ji-Paraná), além de ser Coordenador da Comunidade de Base, Santa Luzia (Pimenta Bueno), foi dado como desaparecido na data de 30.12.2008.
Saiu de sua residência naquele dia, por volta das 13:00 horas dizendo que voltaria em seguida, foi visto em alguns comércios da cidade até por volta das 15:30 e a partir de então não foi mais visto. Até à noite a família aguardou, depois o mesmo foi procurado na Chácara da família, região do Aeroporto de Pimenta Bueno, bem próximo à cidade. Na manhã do dia seguinte sua moto foi encontrada com a chave na ignição e capacete junto à um estabelecimento comercial da cidade.
A partir de então a família registrou ocorrência policial e as buscas se intensificaram na Chácara e em lugares em que ele costumava freqüentar. Não era dado à freqüência em bares, nem em jogatinas ou qualquer vício. Por 09 dias consecutivos as buscas ocorreram num raio de 30 Km em todas as direções do município: rios, estradas, matagais, lugares ermos, construções abandonadas. A família então, lançou mão de todos os meios de comunicação para pedir ajuda à população local. Intensamente as buscas se ampliaram para regiões de fronteiras do Estado de Rondônia, como Buritis, Chupinguaia entre outros. Além disso, cartazes divulgaram o desaparecimento por todos os municípios do Estado e fora do Estado inclusive. Além disso, foi empreendidas missões de buscas por parte da família na região de Humaitá e Apuí, no Amazonas além da região mais próxima do Mato Grosso.
A família, Madalena D.S. Maibuk (esposa), Ana Paula Maibuk e Patrícia Maibuk (filhas), de tudo fizeram, utilizando todos os meios ao alcance para encontrá-lo, todavia sem sucesso. Foram 13 meses de buscas, à espera de uma notícia. Persistiram, com ajuda de amigos, na esperança de encontrá-lo com vida, até receber a notícia de que estava morto.
Foi no final do ano de 2009, quando veio a informação trazida à família por um usuário de drogas que ouviu de Carlos Eduardo Cripaldi dos Santos, à época, caseiro na Chácara da Família Maibuk, da autoria do homicídio do professor. Dias mais tarde, o próprio Carlos Eduardo Crepaldi dos Santos procurou o Sr. Devair Dias, presidente da Casa de Recuperação “Resgate Vida” e confirmou a autoria do homicídio e ao mesmo tempo solicitou ajuda para que se entregasse à Polícia. Tudo foi preparado para que no dia seguinte, inclusive com assistência de Advogado Carlos Eduardo se entregasse à polícia e assim desvendasse o caso indicando inclusive a localização do corpo. No entanto, o mesmo desistiu dos planos de se entregar, informando a Devair Dias que por enquanto não assumiria. Na conversa inicial, Carlos Eduardo disse ter assassinado o professor Adélio sob influência das drogas e por motivos banais.
De posse destas informações, o Delegado responsável pelo caso, Dr. Araújo, representou pela prisão de Carlos Eduardo Crepaldi dos Santos, sendo que o mesmo encontra-se preso na penitenciária local com a dilação de prazo de prisão requerida e deferida. No entanto Carlos Eduardo insiste em negar às Autoridades tanto a autoria quanto o local onde foi colocado o corpo de Adélio Maibuk, correndo assim o risco de o mesmo ser inocentado em poucos dias, por falta de provas. Neste intervalo de tempo em que se encontra preso, Carlos Eduardo Crepaldi dos Santos ainda confessou o crime para Agente do Judiciário local que presta serviço junto aos detentos.
Neste sentido é que tanto a família quanto a sociedade de Pimenta Bueno buscam respostas e principalmente o direito de garantir um enterro digno ao ente familiar, sem falar das demais conseqüências para a família diante de tantas incertezas. Como Carlos Eduardo confessou o crime à pessoas idôneas, conta-se inclusive que seja levado em conta este fato por parte do Ministério Público e seja oferecido a denúncia de Carlos Eduardo Crepaldi dos Santos.
Assim, apela-se ás Autoridades responsáveis, Delegacia de Polícia, Poder Judiciário e Ministério Público, através de Cartas, telefonemas, emails, abaixo assinados, no sentido de que tal caso não acabe sem uma solução e que mesmo, todos os esforços sejam efetivados para que seja o suspeito ainda, denunciado e levado á Justiça, por ter confessado o crime e agora voltado atrás.
Entendemos que neste momento, um apelo por parte de Autoridades, Organizações, Instituições e Pessoas Públicas e de boa fé, junto aos Órgãos públicos responsáveis pelo caso, só tendem a ajudar no sentido de que haja uma atenção desdobrada ao caso e, sobretudo por ser questão de JUSTIÇA.
Entendemos ainda que qualquer manifestação junto à Secretaria de Estado da Segurança, Defesa e Cidadania (SESDEC), o Ministério Público, de Pimenta Bueno, a Delegacia de Policia Civil de Pimenta Bueno e outros Órgãos julgados necessários.

Ji-Paraná (RO), 01 de março de 2010.

Pe. Afonso Maria das Chagas

Coordenação da CPT/RO



terça-feira, 2 de março de 2010

Pedida a batificação do Pe. Ezequiel como mártir


02/03/2010 Entrevista com Pedro Bracelli - IHU On-Line –
Ezequiel Ramin era padre e queria ser médico. Veio para o Brasil em 1983, onde assumiu a causa dos trabalhadores sem-terra e dos índios na região norte do país, onde foi missionário da diocese de Ji-Paraná, em Rondônia. Quando chegou ao Brasil, Pe. Ezequiel encontrou uma caminhada já em andamento, em favor dos povos da região, que se viam cada vez mais oprimidos pelos latifúndios que eram estabelecidos pelos colonizadores que estavam indo ocupar aquela região. Os que lembram da luta de Pe. Ezequiel dizem que a pouca idade, 33 anos, dava-lhe o entusiasmo que o desafio exigia. “Ele foi uma pessoa de coerência, inteligente e que se comprometeu a estudar os problemas do Brasil logo que chegou da Itália”, relembrou Pe. Pedro Bracelli, comboniano assim como Ezequiel Ramin, durante a entrevista que concedeu à IHU On-Line por telefone.

Havia coisas que incomodavam Pe. Ezequiel profundamente, como as desigualdades sociais, as injustiças, a arrogância de quem tenta se impor pelas armas ou pela manipulação das leis. Ele lutava veementemente contra isso. “A fazenda em que ele morreu, já na época, ia além dos seus limites e seguia até o Mato Grosso. Toda a dinâmica da história relata a morte em Rondônia, mas dados mais recentes falam que ele foi levado até Cuiabá pelo criminosos. Ele tinha sido desaconselhado a ir até aquela fazenda porque era perigoso. Ele ouviu calado, mas seus colegas ouviram, um dia antes da sua morte, o barulho do motor do jipe. Assim, ele se afastou de casa e foi. Por volta das 12 horas do dia 24, chegou a notícia de sua morte”, afirmou Pe. Pedro Bracelli.

Confira a entrevista.


IHU On-Line – Quem foi Ezequiel Ramin?

Pe. Pedro Bracelli – Ezequiel Ramin foi, para mim e muitas comunidades cristãs do Brasil, uma pessoa de coerência, inteligente e que se comprometeu a estudar os problemas do Brasil logo que chegou da Itália. Entre todos os cambonianos, foi o mártir mais novo, sua história o fez assim por ser testemunha de uma coisa importante que parecia ser de responsabilidade dos mais velhos, mas que ficou aos cuidados dele. Ele se tornou testemunha de uma dedicação total aos mais pobres no campo da terra, lá em Rondônia.

IHU On-Line – Onde ele trabalhou e quantos anos atuou no Brasil?

Pe. Pedro Bracelli – Ele atuou um ano e meio no Brasil. Ao chegar, fez o curso do Centro de Formação Cultural Missionária - Cenfi , em Brasília, e depois foi enviado à Rondônia. Ele tinha trabalhado durante algum tempo na própria Itália, depois da ordenação, e, nessa época, houve um forte terremoto lá. Seus colegas contam que, por seis meses, ele viveu com as vítimas do terremoto e, nesse tempo, teve o testemunho de dedicação sincera, de simplicidade e capacidade de sofrer com os outros. Aqui no Brasil, ele se tornou o testemunho mais novo e mais evidente em âmbito nacional.



IHU On-Line – Por que e quando ele foi morto?

Pe. Pedro Bracelli – Ele foi morto no dia 24 de julho de 1985, em Rondônia. A fazenda em que ele morreu, já na época, ia além dos seus limites e seguia até o Mato Grosso. Toda a dinâmica da história relata a morte em Rondônia, mas dados mais recentes falam que ele foi levado até Cuiabá pelos criminosos. Ele tinha sido desaconselhado a ir até aquela fazenda porque era perigoso. Ele ouviu calado, mas seus colegas ouviram, um dia antes da sua morte, o barulho do motor do jipe. Assim, ele se afastou de casa. Por volta das 12 horas do dia 24, chegou a notícia de sua morte.

IHU On-Line – Qual a situação atual das pessoas que mataram Pe. Ezequiel?

Pe. Pedro Bracelli – Houve dois processos em Cuiabá, onde os combonianos marcaram presença, assim como o povo. Um foi até condenado, mas está foragido até hoje. Poucos meses depois da morte de Ezequiel, houve um desafio entre colonos e fazendeiros, e um dos fazendeiros considerado responsável pela morte do padre foi morto numa emboscada. A coisa, juridicialmente, não foi resolvida.

IHU On-Line – Como o Padre Ezequiel é lembrado hoje, em Rondônia, no Brasil e na Itália?

Pe. Pedro Bracelli – Na Itália, em sua cidade natal, parece que a família, na época, fez questão de levar seu corpo para lá. A mãe dele morreu há poucos meses. A Diocese de Pádua está interessada em encaminhar o processo canônico para averiguar se existe o martírio. Aqui no Brasil, já faz tempo que falamos nisso. Agora, o conselho provincial do nosso Grupo Comboniano Brasil-Sul decidiu lançar o tema aos colegas, recolhemos testemunhas, dois terços dos confrades são positivos e julgam útil que se inicie o processo canônico. Portanto, acabamos de mandar para Roma toda a documentação e o pedido oficial do nosso grupo diretivo para que a direção geral aprove, como parece já estar fazendo verbalmente, e trasmita esses atos ao encarregado dos processos de canonização junto ao Vaticano.

IHU On-Line – Como está o processo de beatificação de Pe. Ezequiel?

Pe. Pedro Bracelli – Estamos dando os primeiros passos oficiais, então. Foi bom deixar passar esse tempo porque as opiniões são diferenciadas e também para ver se a memória aguentava a história passando. Em Porto Velho, no ano passado, tivemos uma prova pública eclesial, no Brasil todo, onde apareceu que a memória de Padre Ezequiel foi uma das mais vivas que ficaram na igreja do país. Isso estimulou nós do conselho comboniano aqui de São Paulo a enviar um questionário para a base pedindo sua opinião sobre isto. Recebemos uma resposta muito positiva. E assim, encaminhamos o pedido oficial para Roma, como relatei. Esperamos que, dando início a isso, o processo demorará, mas que os testemunhos sejam fundamentais. Temos 30 testemunhos escritos que enviamos a Roma, eram relatos muito bonitos de pessoas que foram colegas de Padre Ezequiel. Elas escreveram que ele era um rapaz muito inteligente, sensível, decidido e que tinha vontade de ser médico e, assim, pediu aos seus superiores que depois de cursar teologia, pudesse estudar medicina. Como o pedido não foi aceito, ele veio para o Brasil. Ele aceitou vir e, com coerência, enfrentou a vida.

IHU On-Line – A camisa dele foi exposta na Tenda dos Mártires durante o último Encontro Intereclesial das Comunidades de Base. O que foi a Tenda dos Mártires?

Pe. Pedro Bracelli – Durante o 12º Encontro Intereclesial das Comunidades de Base, no ano passado, realizado em Porto Velho, religiosos, religiosas, padres e leigos organizaram a chamada Tenda dos Mártires. Foi um local com referências,


Pe. Pedro Bracelli – Estamos dando os primeiros passos oficiais, então. Foi bom deixar passar esse tempo porque as opiniões são diferenciadas e também para ver se a memória aguentava a história passando. Em Porto Velho, no ano passado, tivemos uma prova pública eclesial, no Brasil todo, onde apareceu que a memória de Padre Ezequiel foi uma das mais vivas que ficaram na igreja do país. Isso estimulou nós do conselho comboniano aqui de São Paulo a enviar um questionário para a base pedindo sua opinião sobre isto. Recebemos uma resposta muito positiva. E assim, encaminhamos o pedido oficial para Roma, como relatei. Esperamos que, dando início a isso, o processo demorará, mas que os testemunhos sejam fundamentais. Temos 30 testemunhos escritos que enviamos a Roma, eram relatos muito bonitos de pessoas que foram colegas de Padre Ezequiel. Elas escreveram que ele era um rapaz muito inteligente, sensível, decidido e que tinha vontade de ser médico e, assim, pediu aos seus superiores que depois de cursar teologia, pudesse estudar medicina. Como o pedido não foi aceito, ele veio para o Brasil. Ele aceitou vir e, com coerência, enfrentou a vida.

IHU On-Line – A camisa dele foi exposta na Tenda dos Mártires durante o último Encontro Intereclesial das Comunidades de Base. O que foi a Tenda dos Mártires?

Pe. Pedro Bracelli – Durante o 12º Encontro Intereclesial das Comunidades de Base, no ano passado, realizado em Porto Velho, religiosos, religiosas, padres e leigos organizaram a chamada Tenda dos Mártires. Foi um local com referências, celebrações e debates sobre o martírio de muitas pessoas na Amazônia Legal. Nesta recordação, testemunharam que uma das pessoas mais conhecidas, mais apreciadas foi a Padre Ezequiel Ramin.

IHU On-Line – Porque a camisa chamou tanta atenção?

Pe. Pedro Bracelli – Aquela camisa tem uma história interessante. Quando o corpo de Padre Ezequiel foi trazido para São Paulo, sua camisa foi trazida pelas irmãs da região de Rondônia que acompanharam o processo. Um mês depois da sua morte, eu ia para Rondônia, e a irmã me pediu encarecidamente que a camisa fosse levada de volta. Eu peguei aquela camisa, botei em minha mala e entreguei lá na paróquia de Rondônia. A camisa se tornou o símbolo e a relíquia de Ezequiel, uma vez que o corpo foi levado para a Itália. A camisa estava ensaguentada, perfurada de muitas balas, tornando-se o símbolo do fato grave que aconteceu, assim como do martírio, uma vez que foi totalmente voluntário a disponibilidade dele de lutar pelos povos mais pobres da região.

IHU On-Line – O que a luta de Pe. Ezequiel representa hoje?

Pe. Pedro Bracelli – Através de seu testemunho, sabemos que ele ofereceu sua vida por uma causa justa, pela fé, por amor a Deus e ao próximo. Por isso, Ezequiel Ramin representa o melhor. Pensávamos, os mais antigos, por sermos os missionários experimentados, que éramos as pessoas mais representativas na missão. E, então, com dois anos de presença, Ezequiel assumiu a problemática e ofereceu a própria vida para os pobres, índios e roceiros. Ele dizia sempre: “a vocês pertence a minha vida e a vocês também pertencerá a minha morte”. Esta é uma frase registrada que corresponde a verdade e revela, portanto, as ideias e a força que ele tinha.

IHU On-Line – Passados 25 anos do assassinato de Pe. Ezequiel, quais são os grandes desafios hoje na região de Ji-Paraná e em Rondônia?

Pe. Pedro Bracelli – Os desafios hoje são em parte parecidos e em parte não. Parecidos no sentido que Rondônia se organizou. É um estado que evoluiu muito. Com a organização, a colonização teve um sucesso bom no início e, depois, surgiram os latifúndios. Ainda há uma desigualdade entre os que são proprietários de terras e os que são empregados e vivem a vida quase obrigados a migrar novamente. Rondônia é vítima de uma praga maior ainda, atualmente, que são as drogas e corrupção. Todo mundo sabe que o governo de Rondônia é muito corrupto em todos os níveis. Esse é um grande dilema.