terça-feira, 27 de abril de 2010

Soja em Rondônia: Visita de Luc Vankrunkelsven


A CPT Rondônia recebeu a visita do frei belga Luc Vankrunkelsven, que faz anos conhece o Brasil e tem se especializado na análise do agronegócio da soja, tendo escrito três livros sobre o assunto: “Navios na calada da noite” (Cefúria Curitiba, 2007), “Aurora do campo Soja diferente”, (Curitiba 2008)e "Brasil - Europa em fragmentos?"(Ed Gráfica Popular Cefuria, 2010. Na primeira visita dele na Amazônia, Luc esteve em Plácido de Castro, no Acre, participando do curso da grande região noroeste da CPT (Roraima, Amazonas, Rondônia e Acre) Na volta a Rondônia parou em Ji Paraná e a caminho de Cuiabá visitou o Cone Sul, região onde o plantio de soja e cana de açúcar mais tem avançado em Rondônia. Eis a crônica enviada por João Damásio, veterano agente da CPT-RO na região onde analisa as causas da entrada da soja do ponto de vista dos pequenos agricultores.

VISITA DE JOÃO DAMASIO, DENIZE, APARECIDO E LUC AS PROPRIEDADES E FAMÍLIAS DE AGRICULTORES DE CEREJEIRAS – RONDÔNIA.

Foi um dia ( 24/04/10 ) de muitas andanças entre Colorado e Cerejeiras, para visitar algumas propriedades e aproveitar um encontro de Setores da Paróquia para uma conversa rápida com os proprietários.

Em conversa com algumas famílias pela manhã, precisávamos entender o processo da chegada da soja na região e o esclarecimento foi este: Era uma região que se plantava de tudo; arroz, feijão, milho, mas com predominância do gado tanto de leite como de corte.
Com o passar do tempo diminui o plantio do feijão, do arroz e outras culturas e passou-se a cultivar somente o gado de corte e de leite. Criou-se um outro problema com a monocultura do gado; a CIGARRINHA. As pastagens foram sendo devoradas pela Cigarrinha. Não existia interesse por parte dos agricultores em resolver o problema e aqueles que tentavam não conseguiam obter bons resultados, pois, as pragas vêm de outras pastagens. Resultado, plantar soja. Sai de uma monocultura para outra e com um agravante muito sério; o uso excessivo dos agrotóxicos causando grandes danos a saúde e ao Meio Ambiente.

O GRANDE PROBLEMA.
Como muitos agricultores não tinham condições de trabalhar a terra com implementos agrícolas, começam a fazer arrendamento e aluguel de suas propriedades por meio de contrato, variando entre Um e Cinco anos para grandes proprietários vindo de outras Regiões, Sul e Centro Oeste e até mesmo local. Com isso muitos deixaram suas propriedades e foram morar na cidade e não retornando a sua base. Perda de identidade camponesa.
FORMA DE CONTRATO OU ALUGUEL.
Os contratos não variam muito e mesmo se dá com uma renda de 20 sacas de soja por alqueire. O contratante tinha direito de usufruir da propriedade para fazer o Plantio da chamada SAFRINHA DE MILHO.
Agora para 2010, alguns agricultores mudaram o seu contrato cobrando também uma taxa por alqueire da Safrinha de Milho, 5 sacas.
CANA.
O plantio da cana deu uma parada em vista a lentidão para a liberação da Usina e muitos acreditam que esta não será possível e com isso esfriou o entusiasmo pelo plantio. Mesmo assim são Centenas de Hectares de cana plantada no Município de Cerejeiras.

NO SETOR.
Foi uma conversa bastante franca do Sr Luc com a comunidade e ele conseguiu questionar o grupo e o mesmo respondendo positivamente as colocações. O grupo sentiu que a discussão era muito importante e solicitou para que Ele voltasse um todo para tratar sobre o Assunto. Conclusão da comunidade reunida: A soja expulsou nossas famílias. Antes éramos muitos, hoje somos poucos e cada vez esvaziando mais as nossas comunidades.

João Damásio Vieira – CPT RO

sábado, 24 de abril de 2010

MPF de Rondônia recebe reivindicações dos indígenas


23/04/2010 - 06h55min

MPF recebe documentos com reivindicações e assegura apoio aos povos indígenas
Os índios relatam que lugares sagrados e cemitérios foram destruídos e a contaminação dos rios por agrotóxicos e lixo estão prejudicando a pesca.

Porto Velho (RO) – Três documentos com reivindicações dos povos indígenas foram entregues na manhã de hoje (22 de abril) ao procurador-chefe do Ministério Público Federal (MPF) em Rondônia, Reginaldo Trindade. A entrega ocorreu depois de uma manifestação em frente ao MPF, em que estavam presentes representantes dos povos Canoé, Puruborá, Wajuru, Cinta Larga, Djeromitxi, Aruá, Makurap, Cujubim, Kampé, Tupari, Kassupá, Sabanê, Tawandê, Mamaindê, Karitiana, Kithaulu, Arara, Gavião, entre outros. O Movimentos dos Atingidos por Barragens (MAB) também participou do ato realizado pelos indígenas.

O procurador-chefe Reginaldo Trindade recebeu uma comissão de manifestantes e explicou como são feitos os procedimentos relacionados às causas indígenas. “Temos interesse em atuar em parceria com os órgãos que defendem os índios. O que for bom para os indígenas, o MPF vai apoiar”, afirmou.

Eva Canoé, presidente da Coordenação União das Nações dos Povos Indígenas de Rondônia, Noroeste de Mato Grosso e Sul do Amazonas (Cunpir), ressaltou a importância dos trabalhos realizados pelo MPF e solicitou ao procurador agilidade em alguns casos. “Sabemos que o Ministério atua em favor das causas indígenas, mas pontuamos nessa documentação algumas necessidades que temos de imediato”, disse.

Entre as reivindicações estão temas como o uso e a prática tradicional nos rios, além de prejuízos sociais e ambientais. Os índios relatam que lugares sagrados e cemitérios foram destruídos e a contaminação dos rios por agrotóxicos e lixo estão prejudicando a pesca.

Com relação à saúde, os indígenas documentaram a precariedade no atendimento, falta de construção de postos médicos em terras indígenas, além da falta de equipe médica, medicamentos, equipamentos e transportes terrestres e fluviais para o atendimento de emergência.

Fonte: MPF/RO (www.prro.mpf.gov.br)

sábado, 17 de abril de 2010

CPT mobiliza contra trabalho escravo no Vale do Guaporé

por Xico Nery

São Francisco do Guaporé, Rondônia - Atuar na prevenção ao trabalho escravo e suas variadas formas de patrões atuarem no Estado, esse foi o objetivo da segunda reunião, realizada na segunda-feira 12, dos grupos da cadeia produtiva social e religiosa que integram o arco de aliança da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Conselho da Consciência Solidária (CCS) e entidades de trabalhadores rurais e urbanos do Vale do Guaporé e da cidade de Ji-Paraná.

Foto: Maria José de Oliveira, da coordenação colegiada da CPT RO, e Ademir P. de Souza, pedagogo da Campanha Contra o Trabalho Escravop em Rondônia.

A agenda do grupo para 2010, de acordo com com a coordenadora do Gruto de Trabalho e Ação (GTA), naquela parte do estado, Irmã Theresa Catarina Canossa, "é agirmos preventivamente no combate a prevalência do trabalho escravo e outras formas análogas à exploração da mão-de-obra de trabalhadores não cientes de seus direitos perante à Constituição do país". Ela revelou, ainda, que, "na região, especialmente nas localidades mais afastadas de São Francisco, Rolim de Moura e Pimenteiras, há registros de que algum ou outro patrão, venha cometendo infrações à legislação no ato de contratar trabalhadores".

Foto: Irmã Thereza Canossa, de São Francisco do Guaporé.


A religiosa, no entanto, adiantou que, "os grupos que integram o Conselho da Consciência Solidária, não é composto apenas por católicos". Conta, fundamentalmente, com a participação de abnegados de outras religiosos correlatas, entre os quais, evangèlicos preocupados com o avanço da violação dos direitos dos cidadãos e não alfabetizados que, segundo ela, "tem em certos empregadores do agronegócio, um dos maiores índices de desrespeito aos direitos humanos e trabalhistas do país".

A presença de trabalhadores sem conhecimento dos seus direitos, afirmou o Padre Zezinho, da Pastoral Fluvial e coordenador atual da Comissão Pastoral da Terra (CPT), na capital (Porto Velho), "começa a sair dos espaços confinados e a sensibilizar, inclusive magistrados e a classe política de formação mais moderna em Rondônia, Pará, Amazonas, Acre, Tocantins e Mato Grosso, no centro oeste brasileiro". Para ele,"a única de combate a essa prática deplorável de exploração do ser humano, é a prevenção e conscientização dos atores, os trabalhadores do campo e da cidade'.

O Conselho da Consciência Solidária (CCS), com sede nesta cidade, (São Fracisco do Guaporé), reúne à cada mês. Na reunião da segunda 12, o encontro foi realizado com sucesso no Salão Paroquial da Igreja Matriz de São Francisco de Assis. Contou com participação de religiosos (católicos e evangélicos), lideranças de trabalhadores da região, da Capital, Porto Velho, Ji-Paraná e de Brasília. Além da presença de jornalistas da imprensa regional e da fronteira do Brasil com Países Andinos (Bolivia, Chile e Peru).

CARTA DO VALE - O encontro definiu como novas bandeiras de luta, o mapeamento de potenciais locais (sítios, chácaras, madeireiras, fazendas, canteiros de obras na BR-429 e 364) onde possa haver a existência de trabalho escravo e suas formas análogas de exploração da mão-de-obra, bem como registro de denúncias - em caso de comprovação - às autoridades do país, entre as quais, da Polícia Federal, Policia Rodoviária Federal, Ministério do Trabalho e Emrego (MTE), ao Congresso Nacional, Câmaras Municipais e entidades ligadas à luta em defesa da vida.


JUDICIÁRIO NA PAUTA - Ficou decidido,ainda, que, integrantes da Comissão criada na reunião do segundo encontro, irá atuar junto ao Judiciário das Comarcas da região, cuja finalidade principal é fazer com que, "agentes ministeriais, servidores e magistrados encorpem os programas defendidos pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), Comissão Inter-americana de Defesa dos Direitos Humanos, da Organização dos Estados Americanos (OEA), Organização das Nações Unidas (ONU), UNICEF, Secretaria Nacional dos Direitos HUmanos do Brasil, além de entidades ligadas ao setor". A Comissão tenta, agora, agenda reuniões com os juizes e promotores das Comarcas de Alvorada do Oeste, São Francisco do Guaporé e Costa Marques.

http://www.radioeducadoraam.com.br/