quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

De Lula a Dilma

Claramente a eleição de Dilma foi também uma vitória pessoal de Lula, que dizem que terminou com 85% de aprovação popular. Gostei dum comentarista que disse que Lula sempre agiu como um negociador sindical: Você sabe quem são os poderosos e sua missão era barganhar para ver deles o melhor que poderia tirar para os trabalhadores. Ou agora para o povo como presidente: Ele dava para os grandes empresários o que eles queriam, porém sempre procurava tirar um pouco para os mais humildes. Antes a verdade é que não sobravam nem as migalhas. Com Lula o pessoal sabia que tinha de Presidente alguém que era um deles, alguém que lhes entendia, que pensava como eles e que estava olhando também para eles.

Grande parte desta popularidade de Lula se deve também ao fato que até agora o Brasil está se saindo muito bem da crise mundial. Com uma forte intervenção do governo na economia, atraindo investidores estrangeiros com os juros mais altos do mundo, e investindo maciçamente em infra-estrutura. Após o desempenho de Lula, aqui nem mesmo os mais radicais neoliberais continuam a defender que quanto menos o estado intervenha melhor. O estado brasileiro se converteu no principal empresário de América Latina. Muitos emigrantes brasileiros, que até recentemente trabalhavam de pedreiros na Catalunha ou em Portugal, agora todos têm emprego no Brasil. Trabalhando, por exemplo, na construção das duas grandes hidroelétricas do Madeira, em Porto Velho, com mais de 14.000 trabalhadores contratados. Além de todos aqueles que trabalham na construção em todo o país. Assim a maioria acabou elegendo a Dilma. 


Na minha opinião, ela é uma tecnocrata esquerdista. A luta armada da época passada da ditadura militar confirma a tendência. Porém até agora nunca tinha se  apresentado para uma eleição. Ela destacou como administradora. Começou por afirmar que a luta contra a miséria extrema será a principal prioridade. Veremos. 

Para mim é claro que não podemos esperar muita coisa boa para o meio ambiente, ou para as minorias indígenas e comunidades tradicionais, nem para a Amazônia. E após o fracasso internacional dos acordos contra o aquecimento global, quem não tenha pecado que atire a primeira pedra. A Dilma é dos principais promotores da avalanche de hidrelétricas que está se abatendo nos rios da Amazônia. A Amazônia sofrerá o impacto delas para sempre. E as empresas de energia foram as principais financiadoras do Partido dos Trabalhadores de Rondônia.

Por minha parte tenho dúvidas, como alguém disse, de que a solução para a crise provocada pelo excesso de consumo seja mais consumo. A mídia destaca que o Natal de 2010 foi o melhor para o comércio brasileiro nos últimos anos. Não será igual no Natal do próximo ano. A fim de impulsionar a economia, o governo facilitou  o crédito ao máximo. No Brasil, até o final de 2010 qualquer pessoa com um carteira assinada conseguia financiamento, e se ele não tinha carro era porque não queria. Não era necessário pagar nem entrada para um empréstimo bancário e sair com carro zerado pela porta. Isso tem levado muitas pessoas ao endividamento de financiamentos com prazo de 50 ou 60 meses, e veremos quem os poderá pagar. 

Na Catalunha todos sabem o que isso significa. Aqui também elevou os preços das casas, dos aluguéis e os preços dos terrenos, de forma inacreditável. Subiu a inflação, valorizou o preço da moeda brasileira, o real, facilitando a entrada de produtos baratos importados. Por agora, a balança comercial ainda é favorável às exportações, mas a diferença em relação ao ano passado caiu mais da metade. Embora em relação a alguns países como os Estados Unidos, o Brasil já está perdendo.

Passadas as eleições, onde a propaganda sobre o bem-estar econômico foi o principal trunfo para escolher o sucessor de Lula, e após o Pan Americano ser o primeiro banco a apresentar uma falência fraudulenta, parece que no governo federal tem se disparado o alarme. Todo mundo evita cuidadosamente a palavra "crise", mas estamos ouvindo a falar de redução dos financiamentos, de aumentar o fundo de garantia bancária do Banco Central, e de enxugar um terço os orçamentos de todos os ministérios e de evitar a criação duma bolha imobiliária.

Os mesmos sintomas do que passou lá fora. Esperemos que a Dilma Rousseff esteja a tempo.

Josep  Iborra Plans, zezinho
Traduzido do catalão de http://derondonia.blogspot.com

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