terça-feira, 31 de julho de 2012

A SOLIDARIEDADE DOS PEQUENOS



família que acolheu os acampados.

Ali naquela pequena chácara se vê a manifestação do Reino de Deus, pois existe partilha e solidariedade.


Sessenta e seis famílias despejadas do Acampamento São Francisco são acolhidas por uma família de chacareiro, que possui menos de um alqueire de terra (3/4), depois de serem rechaçadas por vários fazendeiros para não acamparem nas imediações de suas propriedades.




As famílias moravam há mais de seis anos no acampamento. A área quando a ocuparam estava totalmente abandonada. Anteriormente havia sido recebida da união para plantação de cacau, o que não foi cumprido.

 

Ali chegando construíram suas casas fizeram suas roças e tocavam a vida quando teve início um processo judicial onde os acampados receberam ordem de despejo.
Nesse ínterim ocorre uma fatalidade: o fazendeiro, pretenso proprietário é assassinado na cidade por um pistoleiro desconhecido. Embora seja fato corrente que o Senhor Daniel Stivanin tivesse muitos desafetos em Rondônia e outras regiões, os acampados chocados com este acontecimento, recebem ainda ordem de despejos. Tiveram que abandonar as suas casas, e ainda foram proibidos de levar a produção.

Segundo os moradores as famílias tinham em torno de 500 toneladas de mandioca, 90.000 quilos de banana, fruteiras, verduras, plantação de arroz, feijão, café, bem como, pequenos animais.

Os acampados saíram à procura de um lugar para acampar. Buscaram exaustivamente uma localidade. Os fazendeiros do entorno de Ariquemes, proibiram o grupo de acampar nas proximidades de suas fazendas.
                                                                                   
O chacareiro, que utiliza a terra para o plantio de jiló, acolhe as famílias as quais têm permissão de utilizar a água do açude para banho e limpeza, e recebem por meio de uma mangueira a água do poço da família para beber.
Receberam ainda permissão de puxarem a energia de sua propriedade para os barracos de lona.

REVOLUÇÃO NA AGRICULTURA FAMILIAR

Aqui há Novidade!

É a impressão que se tem quando se chega à propriedade da família do Alexssandro, conselheiro da CPT RO no vale do Anari.

Uma singela e ampla casa de madeira rodeada de árvores frutíferas e ornamentais. Um sombreamento harmonioso torna o ambiente muito agradável e bonito.

Uma pequena estrada que corta o riacho, onde além da mata ciliar se plantou açaí e pouco adiante muitas mudas de mogno que se encontram bem planejadas por toda a propriedade.

  À esquerda da estrada, acima da moradia um belo bosque onde no sombreado se tem uma plantação de cacau. Mais acima o cafezal também sombreado. Na margem esquerda da estrada uma horta do PAIS/Produção Agroecológica Integrada e Sustentável, que é uma modalidade de horta consorciada com criação de galinhas de forma circular onde se aproveita o estrume das galinhas e verduras para alimentação delas. Há uma plantação de cana, bananal, mamão e legumes como quiabo, maxixe, batata doce etc.


 Há uma plantação de maracujá, onde no centro se plantou árvores de leguminosa cujas folhas são ricas em nitrogênio. Bem acima se encontra a pastagem com gado leiteiro.



 
 O Alex e seu pai estão continuamente participando de formação o que permite que sua propriedade seja considerada modelo. Foi nos seminários que aprendeu a importância dos SAF’s (é um sistema de tecnologia de uso da terra onde se combina culturas agrícolas, árvores, arbustos, palmeiras em associação deliberada para melhorar a produção de forma sustentável).


                                                              IMPORTANTE: A família não utiliza agrotóxico e pertence a um grupo de agro ecologia que fornece alimentos para a merenda escolar. Os filhos jovens trabalham, moram na propriedade e estudam no colégio próximo.

Parabéns Senhor Manfredo que apesar de viúvo há cinco anos, não desestruturou sua família e tornou sua propriedade sustentável!

domingo, 29 de julho de 2012

Madeireiros rondonienses insistem em roubar madeira de reservas amazonenses


Madeira apreendiada em operação em Vista Alegre do Abuná, em março 2012. Foto jaruonlne.

Sul do Amazonas (Rio Ituxi, Lábrea e Canutama) –Por Xico Nery.
Não é de hoje que madeireiros e fazendeiros rondonienses são acusados de invadirem áreas compactas em terras indígenas e reservas extrativistas, estas habitadas por populações tradicionais destinadas a projetos de assentamentos e de reserva legal vinculados à agricultura familiar entre os estados do Amazonas, Acre e Rondônia.
Há três anos, o ex-governador João Aparecido Cahulla (PPS), anulou, com aval do Parlamento rondoniense, uma grande faixa de terras pertencentes a uma reserva extrativista ao longo do Rio Abunã. A área fica nos limites com as cidades de Lábrea e Canutama sob o olhar complacente de ambientalistas e autoridades dos três estados amazônicos. Até o momento o domínio ainda não foi restabelecido - nem pelo Estado rondoniense, nem pela União.
O ato possibilitou uma verdadeira corrida de toreiros e madeireiros às regiões de fronteiras e fundiárias com as terras indígenas da etnia Kaxaxari. As invasões escandalosas nunca contidas, o que corrobora até a essa data para o aumento vertiginoso dos índices de desmatamentos e depredação do ecossistema da fauna e da flora – uma atribuição do IBAMA, ICM-Bio e das secretarias de Florestas e de Desenvolvimento Ambiental.

sábado, 28 de julho de 2012

Olavo Nienow se despediu do MDA

Olavo Nienow foi superintendente do INCRA e delegado do MDA próximo aos movimentos sociais.
Fotode 2007 de Rondoniavivo.

Apesar do atraso registramos aqui a despedida no dia 10/07/12 de Olavo Nienow do cargo de Delegado do Ministério de Desenvolvimento Agrário de Rondônia.
Olavo, participante da igreja luterana,  tinha sido dos primeiros agentes e coordenador da CPT Rondônia na década dos 80. Com vasta experiência e conhecimento da realidade agrária e fundiária de Rondônia, foi nomeado pelo governo Lula superintendente do INCRA de Rondônia de 2003 até 2012, seguindo depois  como delegado do MDA até agora. O novo delegado, Genair Capelini, também foi conselheiro da CPT RO.
De perfil mais técnico que político que o seu sucessor, em refinada análise da situação local e das políticas públicas, achamos que o discurso de despedida de Olavo Nienov merecia ser divulgado.
Além dos obrigados reconhecimentos e elenco de metas conseguidas, Olavo não cita uma atuação, tal vez a mais diícil e polêmica, que foi facilitar o trabalho da polícia federal que desmanchou um esquema de grilagem de terras com servidores do INCRA e do IBAMA envolvidos, que fazia mais de quinze anos que funcionava em Rondônia com a maior impunidade.
Ainda muitos conflitos atuais e injustiças históricas são remanescentes desta atuação irregular desses anos. E no campo fundiário Olavo Nienow afirma: "É imperioso que o MDA proponha um pacto com o judiciário para dar celeridade na análise e julgamento do contencioso, especialmente dos processos que envolvem um número expressivo de famílias de agricultores familiares". Numa semana que o conflicto entre pequenos agricultores e judiciário se agudizou em Vilhena a proposta mostra sua pertinença e atualidade.
Outra das orientações gerais para o governo que destacou  foi "a necessidade de se observar melhor as peculiaridades locais na implementação de políticas públicas".

Curioso que o atual superintendente do INCRA não marcou presença no ato de despedida, nem enviou representante, apesar do ato de transmissão do delegado do MDA acontecer no mesmo prédio onde também funciona o INCRA de Porto Velho.
Entre os problemas que permanecem, tanto Olavo como o atual responsável da Emater, também denunciaram a discontinuidade de políticas públicas, que pode levar no momento a deixar sem assistência técnica arredor de 7.000 famílias e 90 técnicos desempregados, depois de não ser renovado um programa de assitência técnica (ATER) em convênio do MDA com a Emater. 
Vejam abaixo o discurso na íntegra.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

CIMI divulgará relatório 2011 sobre violência contra povos indígenas.

Na contramão do que a população brasileira pensa e defende, percebe-se nitidamente a existência de um pacto silencioso entre os poderes do estado brasileiro em torno dos interesses do capital e seus privilegiados beneficiários com o objetivo de desconstruir as bases do direito fundiário dos Povos Indígenas no Brasil.
Esses discursos mostram que estamos diante do momento conjuntural no mais complexo e perigoso dos últimos 40 anos para os Povos Indígenas.
No intuito de divulgar e refletir sobre a atual realidade dos povos indígenas, no dia 13 de Agosto estaremos realizando o lançamento do livro: Relatório - Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, dados de 2011, do Cimi – Conselho Indigenista Missionário, no Auditório da Câmara dos Vereadores de Ji-Paraná, das 19:30 às 22:00 hs.
Para o Cimi & Pastoral Indigenista de Ji Paraná sua participação é de suma relevância.

Justiça mantém prisão de lideranças dos agricultores de Vilhena

Agricultores se manifestaram segunda feira 23/7/12 contra prisão de liderança sindical de Vilhena. Foto rondoiavivo 


A Juíza Liliane Pegoraro Bilharva, da Comarca de Vilhena negou esta sexta feira 23/07/12 pedido de relaxamento da prisão de Udo Wahlbrink, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Vilhena (RO), do vereador de Chupinguaia Roberto Ferreira Pinto, e do presidente da associação de posseiros Pedro Arrigo e do posseiro Diorande Dias Montalvão. Os quatro estão presos há quatro meses após confronto acontecido nos dias de carnaval de 2012  na Fazenda Caramello, quando um grupo de pequenos agricultores que tinha sido despejado da área tentar reocupar o local onde estavam morando e trabalhando fazia seis anos.O pedido tinha sido feito pelos advogados dos presos durante a audiência que ocorreu na última segunda-feira, 23. Pelas atividades a favor dos posseiros de terras abandonadas, Udo fazia dois anos que vinha recebendo ameaças de morte e em janeiro tinha sido vítima de intento de assassinato. Recurso de habeas corpus deve ser julgado em Brasília.

Retirada clandestina de madeira da área indígena surui.



Foto ilustrativa: Toreiro preso em Serinueiras (Ro).

Segundo relatos por mais de 15 dias os madeireiros neste més de julho de 2012 voltaram a retirar clandestinamente madeira na terra indígena "Sete de Setembro", situada entre Cacoal (RO) e Aripuanã (MT) e eles já teriam ultrapassado o Rio Branco, que fica cerca de 40 km da entrada da área indígena.
Os madeireiros estão saindo desta área a noite para não serem pegos pela policia. 
Com uma nota de manejo florestal chegam a realizar mais de de 5 viagens de maneira ilegal, e para não serem pegos existe um esquema de escolta que vai à frente dos caminhões para ver "se a barra esta limpa". Aí mais uma carga que passa com a mesma nota e se tiver fiscalização os motoristas são avisados por radio.Em total seria mais de 40 madeireiros retirando madeira no local o qual agudiza o conflito existente entre os indígenas suruí, entre os partidários da venda de madeira e os que são contra, como o cacique Almir Suruí, que está ameaçado de morte e sob escolta armada "por medo de represália de madeireiros". Na verdade não é somente dos madeireiros que ele tem medo, pois alguns indígenas já comentaram publicamente que se estiver sem a sua escolta e ir até a região onde agem os madeireiros eles vão dar uma surra nele.
Ele é acusado de ser o único que está satisfeito com a venda do crédito de carbono, pois estaria vivendo muito bem financeiramente e as 3 mulheres que vivem com ele andando com caros importados.
O qual deixa revoltados os grupos que não são beneficiados e provocado uma enorme divisão entre os indígenas suruí. Por outro lado, também quando se tira a madeira somente os caciques e seus parentes próximos que vendem a madeira que é dividida em tabelas. Já os indígenas restantes não vendem nem uma árvore.
Além dos madeireiros também é retirada madeira para os fazendeiros, para fazer cerca e curral. As madeiras utilizadas para a cerca são a Itaúba, a mirindiba e o tarumá. Ainda estaria sendo retirada castanheira para recuas de curral e construção de casas. Para utilização das castanheiras elas são queimadas primeiro e ainda tem relatos de morte de árvores por veneno.


quarta-feira, 25 de julho de 2012

Babaçu, filão desprezado em Rondônia.


Cacho de babaçú em Porto Velho.RO. Foto cpt ro
 Qual palmeira você vislumbra em grande quantidade viajando pelas estradas de Rondônia?

São eles os imponentes babaçus que ali esperam para serem explorados e agregar valor à propriedade do agricultor.

Essa descoberta fez uma associação no Assentamento Joana d’Arc com uma parceria de “Raízes Nativas” que com o apoio de fundos sociais programaram um projeto inovador em Rondônia – o aproveitamento da cadeia produtiva do babaçu.

foto: arquivo CPT
foto: arquivo CPT
Senhor Pedro, conselheiro da CPT RO e presidente da Associação é um homem otimista e de iniciativa. Juntamente com membros atuantes da associação participaram de vários cursos de capacitação para levar adiante o projeto.


Desta forma, a agroindústria para o aproveitamento do babaçu começou a funcionar no início deste ano, 2012.

foto: arquivo CPT
foto: arquivo CPT
Já estão retirando o óleo utilizado na culinária e para a fabricação de sabão, sabonete e, com o mesocarpo se faz a farinha para mingaus e multi-mistura. Aproveitam também o farelo que vai para a ração dos animais. Finalmente com as sobras se faz carvão mineral.

O grupo aprendeu também a fabricar cestaria e biojóia.

foto: arquivo CPT
foto: arquivo CPT
A associação buscou outras parcerias para um viveiro de mudas nativas e frutíferas para reflorestamento das propriedades degradadas.

Nas segundas, terças e quartas - feiras o braço atuante da associação trabalha com o babaçu e nas quintas, sextas e sábados se dedica ao viveiro.

Óleo e farinha de babaçú elaboradas pelo Assentamento Joana d' Arc. Foto cpt ro.
LIÇÃO IMPORTANTE DESSE GRUPO: buscar alternativas, criatividade, preocupação com o meio ambiente e trabalho coletivo.

Acampamento Paulo Freire 2, Nova Brasilândia.



As famílias do Acampamento Paulo Freire 2 estão acampadas há 7 anos na área na União, esperando a intervenção do INCRA para destinarem a terra para a reforma agrária..

Em reunião com o INCRA, no dia 13 de julho de 2012, com representantes do Acampamento, a Assessora Jurídica da CPT, Lenir Correia, o Superintendente, a Ouvidora Agrária  e a chefe de obtenção do INCRA, onde o mesmo se comprometeu  em agilizar a aquisição da fazenda Gladys, localizada na cidade de Alvorada do Oeste/RO, onde se encontram acampadas 42 famílias.

A chefe de aquisição informou que as conversações entre o INCRA e o fazendeiro encontram-se avançadas, onde o Sr. Natanael, representante do fazendeiro, apresentou a área para aquisição, tendo entregado parte da documentação e se comprometido a agilizar a entrega dos demais documentos para expedição da ordem de vistoria para aquisição.

Os representantes do Acampamento Paulo Freire 2 destacaram a luta das famílias para manter-se na terra, evitando a venda de marcação, com cada família residindo em sua casa, trabalhando e produzindo para o sustento familiar e da cidade, pois, produzem arroz, café, milho, feijão, hortaliças e frutas, que são disponibilizadas no mercado local.

FETAGRO e CUT divulgam Nota de Solidariedade ao presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Vilhena



A Federação dos Trabalhadores na Agricultura (FETAGRO) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT) vem a público manifestar apoio e solidariedade ao presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Vilhena, Udo Wahlbrink, que se encontra preso injustamente há mais de quatro meses. O suposto crime de Udo é a sua atuação junto aos trabalhadores rurais que reivindicam Reforma Agrária.

A ação das autoridades de Vilhena criminalizou estes trabalhadores, com a intenção de intimidar os movimentos sociais que defendem a Reforma Agrária. Tais fatos foram comprovados pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, cujo relatório aponta abuso destas autoridades e a falta de motivos para a prisão de Udo; cópia deste relatório foi encaminhada ao Conselho Nacional de Justiça e outros Órgãos.

Nesta segunda-feira, dia 23, terá início a Audiência de instrução de mais de uma dezena de trabalhadores rurais; a expectativa das entidades representativas da categoria é a de que os abusos constatados e denunciados pela Comissão de Direitos Humanos sejam reparados e a Justiça seja feita!



Autor: Assessoria

terça-feira, 24 de julho de 2012

Agricultores recebem títulos de terra no sul do Amazonas

42 famílias da Gleba Mapinguari, município de Canutama-AM, receberam o título de sua propriedade pelo Programa Terra Legal do Amazonas.
Dr. Luiz Antônio, coordenador do Programa Terra Legal do estado do Amazonas, participou da solenidade que aconteceu na sexta-feira, 13 de julho, na agrovila Rio Azul, município de Canutama-AM, a 23Km de Porto Velho. Falou da importância desse pedacinho de papel que garante a permanência dos agricultores em sua terra, esta terra que devem ser tratada como parte da família. “Ninguém vende um membro de sua família, ama, protege, assim deve ser a relação com a terra. É esta terra que vai garantir o futuro de vocês, bem como, o futuro de seus filhos, netos e tataranetos. Por isso eu peço que não vendam, não estraguem, não degradam, cuidam do seu futuro,” concluiu.
Além da presença de mais de cem agricultores, estiveram presentes: A Comissão Pastoral da Terra do Amazonas e de Rondônia, alguns presidentes de associações rurais, o advogado da Associação ASPECRA (anfitriã) e jornalistas de Canutama.

Várias famílias presentes questionaram o porquê de seus nomes não estarem na lista das famílias beneficiadas com o título, para estes, Dr. Antônio afirmou que ainda este ano receberão o título. Esta foi a primeira remessa dos títulos e que ainda neste ano, ele quer fazer a entrega a todos os agricultores da Gleba Mapinguari que já fizeram o georeferenciamento da área.

Existem famílias que vivem em seu sítio há mais de vinte anos e ainda não tem o título da terra, a exemplo de dona Edith Lopes, que mora na linha 07 há 25 anos e não foi contemplada com  o título.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Suspensa reintegração de posse em Seringueiras.

Uma das casas dos acampados em Seringueiras Foto: moradores.

Provisoriamente foi suspensa reintegração de posse de 82 famílias do Acampamento Paulo Freire 3, em Seringueiras, RO, em conflito com a Fazenda Riacho Doce, de Sebastião de Peder. A reintegração estava marcada para o dia 16/7/12 porém acabou sendo adiada após pedido do Desembargador Gercino José da Silva Filho, Ouvidor Agrário Nacional e Presidente da Comissão Nacional de Combate a Violência no Campo. O pedido foi realizado após conversas entre o superintendente do INCRA de Rondônia, Flávio Carvalho, e representantes do fazendeiro. O acordo alcançado sem a presença dos acampados foi sometido ao parecer da procuradoria nacional do INCRA e ainda não tinha sido oficializado até a data do despejo nem apresentado as famílias acampadas.
As 82 famílias moram faz dois anos na área de 2.500 ha. produzindo e com numerosas benfeitorias, como pode ser visto na página anexa deste blog. O terreno está sendo retomado pelo INCRA da Fazenda Riacho Doce como terra pública após irregularidades no registro da mesma.
O local tem sido palco de violência e ameaças por elementos acampados que tem dividido as famílias, alguns deles agindo com ameaças e violências O fato mais grave aconteceu com a morte por engano, na rodoviária de Seringueiras, do agricultor José Barbosa da Silva, (15/05/12) confundido com uma das lideranças do acampamento. Até o momento nenhum suspeito de ter cometido o crime foi detido. O engano com a liderança do acampamento segue sendo o principal hipótese da causa do assassinato.
Ainda em data recente viatura da polícia florestal retrocedeu após ser recebida com disparos no local. 

Segue o despacho da justiça de São Miguel suspendendo a reintegração de posse:

Despacho de Mero Expediente - Vistos

O Desembargador Gercino José da Silva Filho, Ouvidor Agrário Nacional e Presidente da Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo, requereu o sobrestamento da ordem judicial de reintegração de posse, pois, realizará uma reunião em Porto Velho, na sede do Incra, no dia 01/08/2012, com a finalidade de discutir com os trabalhadores rurais sem-terras, que são os requeridos no presente feito possessório, a melhor forma de cumprimento da Ordem Judicial de reintegração da fazenda Riacho Doce.
Desta feita, por ora, SUSPENDO o inteiro teor do despacho de fl. 114 dos autos, até a realização da reunião supramencionada. Intimem-se, e pratique-se o necessário. S. Miguel do Guaporé-RO, segunda-feira, 16 de julho de 2012.João Valério Silva Neto Juiz de Direito



quinta-feira, 12 de julho de 2012



Tortura na Hidrelétrica de Jirau é repudiada em Brasília

Deputado alerta que o governo “não pode lavar a mão como Pilatos” para os problemas das hidrelétricas.
Jirau (Foto: G.R/VC no G1)
O deputado Padre Ton disse hoje (11) pela manhã à Rádio Câmara, durante entrevista ao Programa “Manhã no Parlamento”, que o governo federal não pode “lavar as mãos como Pilatos” no caso dos renitentes conflitos envolvendo trabalhadores e empreiteiras que constroem as usinas de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira, em Rondônia, e que por causa disso pode sofrer retaliações por descumprimento de resoluções da Organização Internacional do Trabalho, OIT.
Convidado pelos apresentadores Lincon Macário e Danielle Popov a falar sobre a mais recente denúncia, o caso do operário Raimundo Braga, de 22 anos, que denunciou tortura durante cerca de 4 horas no alojamento feminino de Jirau e prisão ilegal durante 54 dias no Pandinha, o deputado Padre Ton disse que embora o governo não seja construtor das usinas “ele precisa estar presente, não apenas com o uso da Força Nacional, porque o dinheiro é publico, do BNDES, e a decisão de construir as obras, através do PAC, também é do governo”.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Justiça federal vai julgar legalidade das terras da Fazenda Cacau - Só Arrobas, em Jaru.

Para quinta feira dia 12/07/12 está marcada audiência na justiça federal para julgar o pedido de restituição como terra pública das terras da antiga Fazenda Cacau - Só Arrobas, de 3,6 mil hectares. Neste local foi beneficiado com um título provisório de terras para um projeto empresarial de plantio de cacau, que logo foi abandonado, repassando de forma ilegal parte da terra para terceiros e outras partes restaram abandonadas, ficando inadimplente o título provisório original. Por este motivo, por não serem concedidas as condições de implementar uma exploração de cacau nesta área, o INCRA pediu a terra de volta para o domínio da união.  O local está situado aproximadamente a 70 km. de Ariquemes e a 40 km. de Jaru.

Religiosas da paróquia de Jaru mostra a fartura produzida pelos posseiros do Acampamento Canaã.

Lideranças ameaçadas de Vilhena podem receber proteção.


Imagem da audiência pública contra a violência agrária
de Vilhena em Março 2012. Foto redemeridional.liveradio.com.br
Comissão técnica da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República esteve em Vilhena formada por um coordenador, assistente social, socióloga e advogada os dias 06,07 e 08 de Julho de 2012. Eles realizaram entrevistas com agente da CPT e diversas lideranças dos pequenos agricultores que no ano passado e em 2011 estão sofrendo ameaças de morte por causa de conflitos de terra.
Algumas destas lideranças podem precisar serem incluídos no Programa Nacional de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos.
A visita é um dos resultados das denúncias apresentadas em Audiência Pública realizada os dias15,16 de Março da Comissão Nacional contra a Violência no Campo, presidida pelo Desembargador Gercino Filho, celebrada em Vilhena, e também da visita da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, promovida pelo deputado federal Pe. Ton.
Um dos entrevistados chegou a ser pressionado diante nas declarações na audiência pública da Comissão e um dos presentes teve que ser retirado da audiência.
Uma das lideranças que por anos também sofre ameaças na região é o presidente do sindicato Udo Wahlbrink, que está preso, após um confronto armado na Fazenda Caramello, em Chupinguaia. Udo tinha sofrido intento de assassinato com disparos que alcançaram o carro do sindicato, em um claro exemplo de criminalização das lideranças dos pequenos agricultores que resistem a pressão violenta dos grandes proprietários da região do Cone Sul.

domingo, 8 de julho de 2012

Denúncia de tortura em Jirau

Comissão de Direitos Humanos da Câmara recebe denúncia de tortura em Jirau

Em reunião na quarta-feira (4), a Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados recebeu denúncia de tortura nas dependências da hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira, que teria ocorrido na madrugada do dia 2 de abril, no auge do movimento grevista que resultou no incêndio de alojamentos da construtora Camargo Correa.
O jovem operário Raimundo Braga Souza, 22 anos, contou a parlamentares e assessores presentes que foi detido e torturado por policiais que fazem a segurança dentro da usina a partir das 2 horas da manhã do dia 2 de abril até às 6h30 do dia seguinte para confessar participação na greve e no incêndio. Posteriormente, teria ficando 54 dias detido, primeiro no Pandinha e depois no presídio Urso Branco, sem o devido processo legal.
“Sou pobre, porém mereço respeito. Não faria nada daquilo que me acusaram, mesmo porque eu precisava do trabalho”, afirmou Raimundo, que ficou sem documentos e pertences, retidos no alojamento e lhe foi negada a devolução pela Camargo Corrêa.

Antigo conselheiro da CPT RO é novo delegado do MDA

Um pequeno agricultor de Santa Luzia do Oeste, Genair Capelini foi nomeado novo responsável da Delegacia Federal de Desenvolvimento Agrário no Estado de Rondônia, em substituição a Olavo Nienow, que estava no cargo há quase quatro anos. Olavo já tinha sido coordenador da CPT RO no passado. Também Genair tinha sido durante anos conselheiro da Comissão Pastoral da Terra de Rondônia.
Genair foi indicado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e militante próxima ao deputado federal Padre Tom. O novo delegado teve que renunciar ao cargo de vice prefeito de sua cidade para assumir este cargo. Esta nomeação foi divulgada diante dos camponeses que participavam do Grito da Terra em Porto Velho, Rondônia, esta semana passada. No dia 10 de Julho vai tomar posse na sede do MDA em Porto Velho.

Presos 22 sem terra em Ariquemes

Segundo fontes da TV Globo a polícia de Ariquemes prendeu o passado dia 04 de julho um grupo de agricultores sem-terra. Eles são acusados de resistir a uma ordem de reintegração de uma posse de uma fazenda dos herdeiros de Daniel Stivanin. Segundo o site G1, durante a operação feita pela polícia, 22 pessoas foram presas e seis motos foram apreendidas.
Junto com os invasores, a polícia também encontrou uma espingarda, munições, armas brancas, rádios comunicadores, fardas do Exército e uma escala de trabalho para vigiar a entrada das pessoas na fazenda.
Eles foram presos após o dia 29 de junho eles terem retornado ao local que ocupavam fazia mais de seis anos.
Mais de 60 famílias tinham saído pacificamente do local em maio, forçados por uma ordem judicial de reintegração de posse e após o supertintendente do INCRA ter prometido para eles outra terra em três o quatro meses. Eles alugaram uma chácara e montaram um acampamento na beira da estrada de Machadinho, a 15 km. de Ariquemes, que batizaram com o nome de Acampamento Arraial da Vitória. Depois do despejo eles reclamaram que não lhes tinha sido permitido sequer retirar a produção das lavouras plantadas, e que estavam passando necessidade. O INCRA prometeu cestas básicas para as 52 famílias acampadas. Daniel Stivanin foi assassinado em 15 de maio de 2012, sem que se conheçam suspeitos nem os motivos das mortes. Os acampados achavam que por causa desta morte o despejo deles tinha sido acelerado, sem que fosse negociado um acordo com a família como eles pediam, pois o local que ocupavam estava totalmente abandonado quando eles tinham começado a trabalhar e morar lá.
Não está confirmado que os presos formassem parte do da Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Trabalhador da UHE Jirau desaparecido


Desde o dia 04 de maio estamos pedindo providência a respeito do desaparecimento de FREUDJONISON DOS SANTOS MELO
  O Sr. FREUDJONISON encontrava-se sozinho nesta Capital, trabalhando nas obras da Usina de Jirau (construção do Distrito de Mutum Paraná – empresa BS Construtora S/A) e, segundo seus familiares, desde o mês de dezembro/2011 não mais se comunicou com a família, nem foi mais visto por conhecidos.
   A família reside no Distrito Federal, e não possui condições de vir até Porto Velho/RO. 
Seus familiares nos procurou pedindo ajuda em maio deste ano.
Foi registrado um pedido ao DELEGADO DA 1ª DELEGACIA DE POLÍCIA CIVIL DO MUNICÍPIO DE PORTO VELHO/RO. Mas ainda não sabemos dos encaminhamentos.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Oficina sobre Comités de Bacia em Alta Floresta RO


PCH Angelo Cassol foto skyscrapercity.com

Preocupados com a degradação da mini bacia hidrográfica do Rio Branco, em Alta Floresta do Oeste, RO,
atingido por diversas PCH (Pequenas Centrais Hidroelétricas), além de´laticínios e um lixão, o GRUPO SOCIEDADE CIVIL ORGANIZADA EM DEFESA DO MEIO AMBIENTE está organizando em Alta Floresta uma oficina sobre Comitê de Bacias que será realizada no Centro Comunitário de Formação da paróquia no dia 17/07/2012 das 8:30 h as 12:00 h.
A oficina será assessorada pela Profa. Núbia Deborah Araújo Caramello, Integrante do Laboratório de Geografia e Planejamento Ambiental – LABOGEOPA (linha de pesquisa - Meio físico e Desenvolvimento Sustentável ) e Profa. do Departamento de Pós-Graduação da FAROL.

Interessados em participar devem fazer inscrição na Secretaria Paroquial - Avenida Rio Grande do Sul, 4506

“Nós temos a Terra emprestada por um tempo definido. O mínimo que nós podemos fazer é devolver a Terra nas mesmas condições como nós a ganhamos” [...] Markus Wilimzig















Trabalhadores e trabalhadoras do campo fecham BR364 por ocasião do Grito da Terra



Pelos menos quatro mil trabalhadores do campo do estado de Rondônia se reuniram hoje em Porto Velho por ocasião do Grito da Terra Estadual para reivindicação de políticas públicas voltadas aos trabalhadores rurais.
Durante toda a manhã, os participantes fecharam a BR364 nas proximidades do município de Candeias, onde realizaram sua assembleia para tratar da seguinte pauta: Educação, Saúde e Representante do INCRA Nacional. Esses assuntos ficaram pendentes da semana passada.
Foi agendada uma reunião com secretário de Educação do Estado, bem como, com o secretário de Saúde. Infelizmente não foi possível uma conversa com ambos os secretários, pois, o Secretário de Educação havia agendado para as 11h30m. A comissão ficou na secretaria até às 13h e não foi atendida. Já o secretário de saúde, estipulou um prazo de cinco minutos para a reunião. Como a comissão não aceiotu a proposta de cinco minutos,  ficaram adiadas as reuniões.

O presidente do INCRA Nacional se comprometeu em enviar um representante amanhã para uma possível negociação com os trabalhadores.

Somente a tarde, os trabalhadores foram acampar na frente do INCRA. Para amanhã está previsto uma passeata até o Palácio do Governo onde já está agendada uma conversa com o governador do Estado.


terça-feira, 3 de julho de 2012

Os bispos da Amazônia se encontram em Santarém

A catedral de Santarém, na missa do dia 02/07/12 foto cnbb

O Encontro dos Bispos da Amazônia sobre os 40 anos do Documento de Santarém iniciou na manhã de ontem, com a participação dos bispos da Amazônia, além de padres, religiosas e convidados representantes de pastoral . O encontro iniciou com uma missa solene na Catedral de Santarém.
O arcebispo de Porto Velho, Dom Esmeraldo B. Farias e o cardeal Dom Claudio Hume fizeram a abertura oficial. Dom Esmeraldo destacou que assim como o Documento de Santarém marcou o rosto da Igreja em nossa região das últimas décadas, este encontro deve ser uma luz para as novas ações de evangelização das Dioceses da Amazônia para os próximos anos.
O "Documento de Santarém" foi resultado de um encontro, que reuniu 22 bispos das arquidioceses, dioceses e prelazias da Amazônia brasileira. O evento foi realizado em Santarém, no período de 24 a 30 de maio de 1972, na época, Santarém era considerada a maior e mais antiga prelazia do Brasil, e tinha como pastor, o saudoso bispo Dom Tiago Ryan. No encontro, foram definidas ações internas de evangelização da Igreja na Amazônia, como comunidade cristã de base, formação pastoral para os leigos; atenção aos povos indígenas, além de acompanhamento das questões sociais: conflitos de terra, estradas, entre outros.
Entr outros organismos, a criação da CPT e do CIMI foram frutos do Documento de Santarém, e hoje particpam do encontro, assim como representantes de outros organizações eclesiais convidadas.
Um dos assessores, padre Raimundo Possidônio, da Arquidiocese de Belém e estudioso da história da Igreja na Amazônia, fez uma retrospectiva histórica da evangelização da Igreja nos últimos 50 anos. Apontou o Documento de Santarém como um dos marcos dessa evangelização.


Veja abaixo entrevista sobre o encontro aparecida no site da CNBB com Dom Moacyr, arcebispo emérito de Porto Velho.

Grito da Terra atrae trabalhadores rurais




tenda montada em frente do Incra em Porto Velho para o Grito da Terra

Nesta quarta e quinta-feira acontece o Grito da Terra em Porto Velho,


Incra recebe pauta do Grito da Terra em Rondônia

Superintendência do Incra em Rondônia recebeu a pauta do Grito da Terra 2012, que acontecerá na quarta e quinta-feira (4 e 5 de julho), em Porto Velho(RO), com a participação prevista de trabalhadores rurais de todo o estado. “O Grito da Terra é uma manifestação instituída na década de 90 para negociação de políticas públicas da agricultura familiar e os povos do campo, é a data base de negociação da classe trabalhadora rural com o poder público constituído”, assinala o documento.

Na pauta foram consideradas prioritárias as políticas de titulação, regularização fundiária e ambiental, infra-estrutura nos projetos de assentamento (PA’s) e crédito. Alguns dos 21 pontos abordados foram antecipados pelo superintendente do Incra/RO, Luis Flavio Carvalho Ribeiro, que manifestou abertura para o diálogo e disposição de buscar as soluções para as principais dificuldades vividas pelas famílias dos PA’s. “É uma manifestação legítima e histórica e cada pleito será cuidadosamente analisado”, afirmou.