sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

A função social da terra

Religiosos, padres e leigos reunidos em assembleia em Porto Velho, em Novembro de 2012.
Nem a Comissão Pastoral da Terra (CPT) é comunista e muito menos as autoridades da Igreja atacadas por comentaristas neste mesmo blog. 
A Doutrina Social da Igreja defende o destino Universal dos Bens da Criação: Deus criou o mundo e a terra para todos e não apenas para alguns.
Nos defendemos a propriedade da terra para todos, não apenas para uns poucos. Por isso fizemos campanha para que seja estabelecido no Brasil um limite para as propriedade da terra: Não é justo que uns tenham imensos territórios e outros nada.
Em realidade, a propriedade da terra é de Deus, e nós somos apenas os seus administradores e cuidadores:
 “A terra não se venderá para sempre, porque a terra é minha, e vós estais em minha casa como estrangeiros ou hóspedes." Levítico 25, 23. 
Por isto a propriedade da terra não pode ser considerado um direito absoluto: Somos cuidadores da integridade dos bens da Criação (obrigações ambientais e ecológicas) e da justiça na distribuição da terra, de forma que a terra possa alimentar e sustentar uma vida digna para toda a humanidade que Deus chamou a existência e a vida.
A realidade é que no mundo a propriedade da terra é distribuída de forma muito injusta é desigual. Isto não é vontade de Deus. (continua)

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Suposta proprietária calunia novo bispo de Marabá.

Sendo padre Dom Vital intercedeu em Jaru para resolver conflito agrário. Foto Lenir.

Dom Vital Corbellini, padre de Caxias do Sul, que foi empossado como bispo diocesano o dia 21 de 12 de 2012 na Catedral de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, na Marabá, sofreu injusta calúnia pouco antes duma suposta proprietária de Rondônia, local onde atuava quando foi nomeado bispo. Desde 2011 o Pe. Vital Corbellini era missionário no projeto de Igrejas-irmãs, na Diocese de Ji-Paraná, sendo pároco em Jaru, na Paróquia São João Batista.

A origem das injurias, espalhadas na internet, está numa matéria assinada por Maria Ângela Simões Semeghini, do dia 30 novembro de 2012 e publicado no blog GPS do Agronegócio com o título "Em Rondônia se faz reforma agrária matando os proprietários". 

Na matéria, Ângela Semeghini se diz proprietária uma área de Ariquemes ocupada pela LCP (Liga dos Camponeses Pobres), e que teria recebido no dia 27/02/2012, um telefonema do Pe. Vital Corbellini, "que literalmente me disse “se não desistir da reintegração de posse correrá sangue”, por precaução registrei ocorrência na Delegacia de Polícia, e acrescenta que ela procurou Dom Bruno, bispo de Ji Paraná "comuniquei os fatos e fui tratada de forma desdenhosa", ainda escreve que como prêmio aos problemas causados pelo padre, este foi nomeado bispo, e termina invocando a validade dum decreto de 1949 de Pio XII, de excomunhão contra os comunistas. "Me coloco a disposição de qualquer pessoa para esclarecimentos angelasemeghini@yahoo.com.br". (continua)

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Reocupação da fazenda Riacho Doce


Casa destruída no local do A. Paulo Freire 3, Seringueiras, RO
Desde o despejo, ocorrido em setembro desde ano, as famílias que ficaram acampadas as margens da estrada esperando a decisão da Justiça sobre quem seria realmente o dono da área, já que há fortes indícios da mesma ser da União, presenciaram, cotidianamente, a atuação dos jagunços na área, que bem armados ameaçavam todos e isso com a complacência da Polícia local, que sempre estava na fazenda, inclusive, participou com viatura da escolta de gado para área, não se sabendo até o presente momento se havia autorização do Comando Militar para essa atividade particular.
A situação das famílias, nas margens da estrada, era precária, já que antes do despejo tinham suas casas e roçados para o sustento e de repente se viram fora da terra, com dificuldades, sem acesso a produção e o cultivo da terra para garantir os alimentos; situação que muito revoltava as famílias. Essa revolta foi ampliada quando um dos jagunços à mando do fazendeiro, pegou um pai de família, que estava pescando no rio, levou para a sede da Fazenda Rio Doce, isso na sexta-feira, dia 21/12/2012, fazendo com que as famílias tomassem a decisão e mobilizassem para buscar o companheiro. 
Registra-se que as famílias quando chegaram na fazenda tiveram a oportunidade de presenciar toda as suas produções destruídas, aproximadamente 200 alqueires dos mais diversos cultivos, o que fez com que revolta somada com a indignação levassem-os a fazerem a reocupação da área, colocando para fora, todos aqueles que impediam o acesso a terra.

domingo, 23 de dezembro de 2012

A revolta do Rio Madeira

Sexta, 21 de dezembro de 2012. 


Um rio em fúria
Dois dias antes do início dos testes na primeira turbina da hidrelétrica de Santo Antônio, em Rondônia, o telefone tocou na casa da pescadora Maria Iêsa Reis Lima. “Vai começar”, avisou o amigo que trabalhava na construção da usina. Iêsa sentou na varanda e se pôs a observar as águas, esperando o que sabia ser uma mudança sem volta. “O rio Madeira tem um jeito perigoso, exige respeito. Os engenheiros dizem que têm toda a tecnologia, mas nada controla a reação desse rio.”

Semanas depois, no início de 2012, as águas que banham a capital Porto Velho começaram a ficar agitadas. As ondas cresciam a cada dia, cavando a margem e arrancando árvores. O deque do porto municipal se rompeu. O rio alcançou as casas, até que a primeira delas ruiu junto com o barranco para dentro das águas.
A reportagem é de Ana Aranha e publicada pela Agência Pública, 30-11-2012.
O prognóstico de Iêsa estava certo. O que ela não podia imaginar era a rapidez com que a resposta do rio à abertura das comportas alteraria o curso da sua vida, do seu bairro e da história de Porto Velho. As ondas atacaram o bairro Triângulo, primeiro a se formar na capital. O bairro leva esse nome por ser o local onde o trem da estrada de ferro Madeira-Mamoréfazia a curva para desabastecer. A casa de Iêsa ficava entre a margem do Madeira e os trilhos abandonados. Cerca de sete quilômetros abaixo da usina.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Acampados de Seringueiras retomam terra

Jagunços armados ameaçavam expulsar os acampados. Foto  acampados.
Quarenta e cinco famílias do Acampamento Paulo Freire 3 de Seringueiras, Rondônia, retomaram neste sábado 22 de dezembro de 2012 as terras de onde foram despejados o passado mês de setembro.
Após dois anos e meio morando e produzindo no local, os últimos meses elas permaneciam acampadas em situação precária nas mediações do local, sofrendo intimidações e violência de parte de grupo armado procedente do local de onde tinham sido despejados.
A terra do Acampamento Paulo Freire 3 está em conflito com a Fazenda Riacho Doce, terra pública sem título, que tinha sido grilada pelo fazendeiro Sebastião de Peder e seus filhos. A área está sob disputa judicial faz anos, depois que o INCRA pediu a terra de volta para reforma agrária. 
Após o despejo a prefeitura de Seringueiras tinha aterrado e aberto uma nova estrada para os fazendeiros e a polícia tinha realizado a proteção para a entrada no local de cabeças de gado procedentes dum consórcio de diversos fazendeiros da região, que se opõe a o estabelecimento de pequenos agricultores pela reforma agrária na região, onde muitas terras públicas foram griladas.
Informações sofre feridos e reféns na retomada das terras hoje, relatadas por um site próximo a polícia militar, foram a desmentidas mais tarde. Segundo as mesmas informações, equipes policiais permaneciam nas proximidades do local.
Uma das antigas lideranças do acampamento, Orlando Pereira Sales, foi assassinado em data recente em Nova Brasilândia, onde estava refugiado após ter sofrido numerosas ameaças de morte. A esposa dele também tinha sofrido um atentado e continua sofrendo ameaças, e até agora não tem recebido nenhuma proteção, apesar de ter sido solicitada a mesma pela Secretaria de Direitos Humanos da presidência da República.


quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Ocupação em fazenda de Theobroma

Segundo informações colhidas pelo blog Rondoniavivo junto a um integrante do grupo de Sem Terras que estão neste momento ocupando uma área do Prefeito da cidade de Ouro Preto do Oeste Alex Testoni, cerca de 180 famílias estão há quase uma semana dentro da fazenda que fica localizada a cerca de 40 km de distância do município de Theobroma, próximo a localidade conhecida como Novo Oriente.

De acordo com os sem terras o locloa tem aproximadamente 2.700 alqueires, e apenas uma parte dela foi ocupada. Ele ainda destacou que o grupo é formado por famílias de agricultores trabalhadores, que querem apenas que o governo priorize um pedaço de terra para o sustento de seus filhos. Pelo o que foi apurado, esta ocupação é superior e mais bem organizada do que a realizada semanas atrás na Fazenda Seringal Rio Branco, e sua localização ficam apenas a 5 km da referida fazenda.

Aterro de Ouro Preto tem licença irregular


Questionada por um grupo de agricultores da vizinhança, resistência popular contra o novo aterro sanitário projetado para Ouro Preto do Oeste recebe apoio do MP que afirma que a licença do mesmo é irregular.
O Ministério Público do Estado de Rondônia, por intermédio da Promotoria de Justiça de Ouro Preto do Oeste, recomendou à Secretária de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam) a imediata suspensão da licença de instalação concedida para construção do Aterro Sanitário Regional de Ouro Preto do Oeste. Além de inconsistências materiais verificadas na licença, foi detectada ausência de indispensáveis estudos acerca do impacto ambiental da área escolhida para construção do Aterro.
Para o Promotor de Justiça Victor Ramalho Monfredinho, subscritor da recomendação, a Sedam não exigiu os estudos necessários para o licenciamento, razão pela qual há uma série de dúvidas acerca da viabilidade do empreendimento naquela localidade, o que somente pode ser sanado com a realização de Estudo Prévio de Impacto Ambiental por parte da empresa Nova Era.
O Ministério Público requisitou informações à Sedam no prazo de até 15 dias, sendo alertado que o descumprimento da recomendação ensejará a adoção de medidas judiciais visando à suspensão e posterior anulação da licença ambiental. Fonte rondoniagora.


quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Trabalhadores resgatados em Chupinguaia

Em matéria divulgada pela Globo o dia 13 de dezembro reportagem realizada em Vilhena noticiou o resgate de 27 trabalhadores rurais, cinco deles menores de idade, em condições semelhantes a escravidão.
O fato aconteceu numa fazenda situada na Gleba Corumbiara, a uns 135 km. de Chupinguaia. Eles estavam trabalhando no plantio de árvores (teca).Foram descobertos pela equipe apenas por estar fiscalizando uma área próxima. Encobrindo os supostos infratores, o nome dos proprietário não é divulgado na reportagem.
Entre as irregularidades que caraterizam trabalho análogo a escravidão, estão citadas condições degradantes, como alimento deficiente, e alojamento dos trabalhadores dormindo em pedaços de espuma no chão, em locais de armazenamento de combustível e de agrotóxicos e no curral; recebimento em cheques, que somente eram descontados por agiotas da região a cambio do 50% do valor; e impedimento de sair e para tratamento de saúde.
Já na Câmara dos Deputados, convocado pelo deputado Moreira Mendes, o presidente da Cooperativa dos Produtores Rurais de Vilhena, Carlos Eduardo Sartor, (o nome do qual está na lista suja do trabalho escravo), tentou se justificar acusando os fiscais que visitaram sua fazenda de terem “plantado provas” contra ele.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Ameaças à família do Paraíba

Dezesseis dias depois do homicídio (29/11/12) de Orlando Pereira Sales, o Paraíba, liderança do acampamento Paulo Freire 3 de Seringueiras, ninguém foi preso, nem as testemunhas do assassinato foram ouvidas pela polícia civil, que em está em greve no estado de Rondônia. Desta forma, mais um crime por causa da terra pode permanecer na impunidade.
Ainda, a esposa de Orlando, que apenas está recuperando dum grave atentando sofrido em 04 de agosto der 2012, também tem sofrido ameaças: "Hoje estão celebrando o velório do Paraíba, daqui trinta dias celebrarão o velório dela". O Marimondo, acusado de ter atingido ela com três golpes de foice na cabeça teria mandado recado: "Somente deixei ela porque pensei que estivesse morta, porém vou terminar o serviço".  Ela ainda deve ser sometida a uma delicada cirurgia para recuperar dos ferimentos sofridos.
A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República realizou visita da equipe técnica ao local para ajudar a dar proteção da família do Paraíba, acompanhados pela CPT RO e posteriormente pela Ouvidora do INCRA de Rondônia, Dra Márcia. Porém em Rondônia ainda não existe convênio nem para o programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos nem para o programa de Proteção a Testemunhas.
O Ouvidor Agrário Nacional, Dr Gercino Filho,  já solicitou o dia 06 de Dezembro ao Delegado Pedro Roberto Gemignani Mancebo, Diretor-Geral da Polícia Civil, a realização das oitivas as testemunhas da morte, porém até quinta feira, dia 13 de dezembro, isto não tinha acontecido. 
Os bispos da Diocese Guajará Mirim e a CPT RO publicaram Nota Pública sobre a morte do Paraíba, a sexta morte por causas agrárias acontecida em Rondônia durante este ano de 2012.
Já em Brasília aconteceu seminário entre o Brasil e a União Européia de defensores de direitos humanos nos dias 10/11/12/do mes de dezembro de 2012, com presença de representante da CPT nacional e do estado de Rondônia. Depois de varias reuniões e debates com diversas lideranças e autoridades das esferas federal e estaduais de todas regiões do pais, a situação e os problemas dos direitos humanos, incluidos as ameaças e criminalização dos defensores, foram divulgadas numa carta, que foi entregue a ministra da secretaria de direitos humanos Maria do Rosário. Vejam abaixo a carta.

Coacaram comercializará castanha do povo indígena


Aprovado pela Fundação Banco do Brasil, o projeto “Cadeia Produtiva da Castanha Orgânica – Apoio à Estruturação Física no Sudoeste de Rondônia e Noroeste de Mato Grosso”, irá atender o povo indígena Zoró. 
O projeto foi apresentado pelo deputado federal Padre Ton (PT-RO) ao presidente do Ibama, Volney Zanardi, na sexta-feira, e Leandro Dias Martins, da Cooperativa dos Produtores Rurais Organizados Para Ajuda Mútua (Coocaram).
A Coocaram, instalada em Ji-Paraná há mais de 20 anos, fez parceria com a comunidade Zoró. Além de atuar na elaboração do projeto, destinado a fortalecer a cadeia produtiva da castanha do Brasil, coleta e venda de frutos, a cooperativa irá atuar na comercialização da castanha para os indígenas.
O deputado federal Padre Ton esteve com Volney Zanardi para que o Ibama viabilize a declaração de isenção de licenciamento ambiental, uma exigência da Fundação Banco do Brasil. Por ser uma terra indígena, somente o Ibama tem competência para emitir o documento, e conforme Padre Ton, a gerência do órgão em Rondônia orientou a procurar o Ibama de Brasília. 
O presidente do Ibama disse, após solicitar do representante da Coocaram, Leandro Dias, documentos para análise do Departamento de Licenciamento Ambiental, que até esta terça-feira o órgão deverá se posicionar sobre o documento solicitado.
A intervenção que será feita em parte da área dos Zoró é mínima, segundo Leandro Dias, e não haverá supressão de mata. Será construída uma estrutura em área de no máximo 100 metros, destinada a armazenar a castanha coletada.
Fonte: Mara Paraguassu, assessora de Imprensa. Deputado Padre Ton (PT-RO)

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Pedro: Profeta da Esperança. Este documentário é um fiel retrato de Dom Pedro Casaldáliga: de poesia e de profecia. A poesia emergiu nele e naturalmente, inda bem jovem e foi amadurecendo em radicalidade, em beleza, em ternura e rosto latinoamericano. A profecia irrompeu nele pela unção martirial, "in sanguine", sobretudo no sangue de João Bosco Burnier e também na proximidade das mortes matadas de índios, quilombolas e camponeses. Em Pedro a poesia e a profecia são como a taça de cristal que não se mostra a si mesma, mas revela o vinho velho, o melhor, que aí foi guardado para a Hora da Esperança de Ressureição, a Hora de Deus.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Pedro: Profeta da Esperança (Parte 1)"

Pedro: Profeta da Esperança. Este documentário é um fiel retrato de Dom Pedro Casaldáliga: de poesia e de profecia. A poesia emergiu nele e naturalmente, inda bem jovem e foi amadurecendo em radicalidade, em beleza, em ternura e rosto latinoamericano. A profecia irrompeu nele pela unção martirial, "in sanguine", sobretudo no sangue de João Bosco Burnier e também na proximidade das mortes matadas de índios, quilombolas e camponeses. Em Pedro a poesia e a profecia são como a taça de cristal que não se mostra a si mesma, mas revela o vinho velho, o melhor, que aí foi guardado para a Hora da Esperança de Ressureição, a Hora de Deus.

Polícia faz escolta particular de gado

  



Do dia 12 ao dia 15 de setembro de 2012 moradores da área Paulo freira 3 em Seringueiras, foram despejados de forma arbitraria e violenta, já que a maioria das familias acampadas não aceitaram o acordo proposto pela Ouvidoria Agrária Nacional, que novamente se fez de “surda” ao clamor dos moradores e de perto acompanhou e providenciou o despejo, numa “bela e permanente” parceria com o Judiciário e o Latifúndio, já que a fazenda em questão, tem seu título questionado na Justiça Federal, por ser área da União.
Se os acampados podem esperar a decisão da Justiça federal sobre a área fora da terra, mesmo com todos os fortes indícios de ser a área da União, porque o fazendeiro não pode esperar fora da área até esse julgamento? Onde está escrito na lei que um fazendeiro tem mais direitos de que oitenta e três famílias que viviam de forma digna e produtiva na terra? Onde está escrito que fazendeiro pode matar pode ter guaxebas? Parece que nosso Judiciário e Ouvidoria Agrária Nacional acham que os latifundiários são mais “gente” do que os outros. As audiências públicas da Ouvidoria Agrária Nacional tem prestado somente para validar práticas violentas de retirada dos camponeses do campo e respaldar a grilagem de terras pelos latifundiários.

Relatório sobre o inquérito policial sobre a morte de Renato Nathan Gonçalves Pereira (09/04/12)




Todos os seis crimes agrários acontecidos no estado de Rondônia durante 2012 até o momento permanecem na impunidade. Um deles foi o homicídio do Renato Nathan Gonçalves Pereira, assassinado em Jacinópolis (Nova Mamoré) nas proximidades de Buritis, Rondônia, em 09/04/2012. 
A assessora jurídica da CPT RO, Lenir Corréia Coelho, tem acompanhado a pedido da família de Renato Nathan e da CPT RO o inquérito sobre esta morte, e tem elaboraod o presente relatório, mostrando a situação que envolveu o morte e o deplorável e suspeito estado em que está a elaboração do inquérito que deveria esclarecer a morte e procurar os culpados. 

INQUÉRITO 070/2012- Delegacia de Polícia de Buritis- RO - Vítima: Renato Nathan Gonçalves Pereira

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

MPF/RO processa servidores do Ibama e madereiros




Esquema de falsificação ocorria no Ibama em Ariquemes. Na semana em que se comemora o Dia Internacional de Combate à Corrupção (9 de dezembro), o Ministério Público Federal em Rondônia (MPF/RO) ingressa com uma ação civil pública de improbidade administrativa contra servidores do Ibama de Ariquemes e madeireiros, acusados de operar um esquema “gravíssimo” de adulteração das autorizações para transporte de produtos florestais (ATPFs), nas quais eram fraudados os reais valores da madeira que era transportada.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

famílias de agricultores acampam na sede do INCRA em Porto Velho



Assentamento Dois de Julho, município de Cujubim.
Nenhum sacrifício é grande demais quando se luta para a conquista do pedaço de terra onde se tem a moradia, as roças, hortas e os animais e sobretudo, de onde se tira o sustento da família.


Com essa motivação, em torno de 100 famílias de agricultores e agricultoras estiveram acampados por seis dias no  INCRA-RO. Após reintegração de posse anunciada, os acampados (as) vieram discutir com o INCRA e Sedam os impasses para a criação do assentamento, os quais são justamente, a questão ambiental.
 
 
As 140 famílias há seis anos estão na ocupação pertencente ao conhecido "Galo Velho" dono de várias áreas no Estado. Voltaram confiantes de que há uma saída jurídico-social para eles.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Nota pública da Diocese de Guajará Mirim

Os bispos de Guajará Mirim, Dom Benedito de Araújo e Dom Geraldo Verdier, junto com a CPT Rondônia tem publicado uma nota sobre a morte da liderança dos sem terra de Seringueiras, Orlando Pereira Sales, o Paraíba.

NOTA PÚBLICA DA DIOCESE DE GUAJARÁ MIRIM E CPT RO

A Diocese de Guajará Mirim e a CPT/RO, entristecidos lamenta a morte violenta de Orlando Pereira Sales, o Paraíba, liderança do Acampamento Paulo Freire 3, de Seringueiras, que foi assassinado o dia 29 de novembro de 2012, sendo a sexta morte por conflito agrário acontecida no estado de Rondônia este ano.

Orlando Pereira Sales, há meses vinha sofrendo ameaças e se encontrava refugiado afastado de Seringueiras desde o mês de maio. Já tinha sido atingido por disparos, junto a outras duas pessoas, em agosto de 2011 e escapado de vários intentos de assassinato. Em 15 de março de 2012, um agricultor foi assassinado na rodoviária de Seringueiras, ao que tudo indica, confundido com o Paraíba.

Sua companheira, Teolídes Viana dos Santos, ainda está se recuperando de graves feridas na cabeça, depois de intento de homicídio por três golpes de foice, na manhã do dia 04 de agosto de 2012. Ela também está recebendo ameaças. Tudo isso apesar do grupo de 45 famílias liderado pelo Paraíba ter aceitado acordo pacífico em Audiência Pública da Ouvidoria Agrária realizada no dia 01/08/, para cumprimento da ordem de reintegração de posse no local.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

CPT-RO e Projeto Terra Sem Males, realizam oficina de agroecologia durante o VI Forun Panaamazônico.




Agroecologia quer dizer casa, nossa casa, como estamos cuidando da nossa casa? (Agricultor José Silva)




A CPT/RO se fez presente no VI Fórum Panamazônico, em Cobija na Bolívia, com o intuito de participar das discussões sobre a Amazônia. O Fórum contou com a presença de representantes dos nove países que compõe a Amazônia Legal e de todos aqueles que veem a questão Amazônica como uma questão de interesse mundial. Ficou a cargo da CPT/RO a realização de uma Oficina, cujo tema: Experências Agroecológicas, a ser executada pelos agricultores que participam do Projeto Terra Sem Males. Projeto este realizado pela CPT, e que serviu como um berço para a Agroecologia, mas essa criança cresceu, esses agricultores produzem e vivem de forma agroecológica e querem passar suas experiências nesse processo afim de disseminar conhecimento, e assim incentivar outras pessoas a conhecerem e viverem a agroecologia.



Objetivos Específicos da oficina:
Valorizar e divulgar as experiências e práticas de agroecologia existentes; Fortalecer a agricultura familiar; Incentivar a produção agrícola sem uso de veneno.

Assuntos:
Experiências de agroecologia que deram certos ou não e testemunho de agricultores familiares que já vem desenvolvendo essa prática; as bases da agroecologia, como produzir alimentos sem veneno; compostagem, queima de ossos e sal mineral;

Relato:
A oficina iniciou-se na manhã do dia 29, atraindo um público de aproximadamente 40 pessoas, sendo todos do Brasil, com exceção de uma pessoa da Bolívia. Se fez presente, pessoas do Acre, Amazonas, Goiás, Mato Grosso e Pará, o público maior foi de rondônia. Todos e todas se apresentaram e foram recebidos em rítmo de música. A oficina proseguir-se-á com uma troca de experiências, um diálogo entre os participantes, contando com o depoimento dos produtores agroecológicos.

Zé Pinto, em suas palavras enfatizou a visão dos movimentos sociais sobre a agroecologia, devemos ter muito cuidado, pois a agroecologia pode ser falada e defendida até mesmo pelos representantes do capital. A visão dos movimentos é a de fortalecimento da agricultura familiar, e de produção de alimentos acessíveis, e que possam corresponder aos anseios do povo pobre e sofredor, por alimento, e alimento saudável.

O agricultor José Silva (do Projeto Natureza Viva),  iniciou sua fala perguntando qual o significado da palavra agroecologia: essa palavra bonita o que diz para nós? Agroecologia quer dizer casa, nossa casa, como estamos cuidando da nossa casa. Ao começar contar sua trajetória de agricultor disse que, a introdução do veneno após a Revolução Verde, a desvalorização e posterior perca dos costumes e tradições que os nossos antepassados viviam. Sentiu e viveu as transformações desse processo, quando em fim teve a oportunidade de participar de um curso, onde lhe fora apresentado a proposta da agroecologia, e pode visualizar os prejuízos, as consequências desse modelo de produção convencional.

Com essa experiência José Silva, junto de sua Família decidiram dizer não ao modelo convencional, ao agrotóxico, e começou a trabalhar a agroecologia, a se apropriar dos instrumentos, de suas bases para produzir.

Explica a proposta do modelo convencional, e os meios que temos para não tornar necessário seu uso. Temos meios que a própria natureza nos oferece para fertilizar nossos solos, sem nos tornar dependentes das grandes indústrias produtoras de insumos. Um exemplo do que se utiliza são as leguminosas, em especial a mucuna preta, consorciada, ou utilizada no pré-plantio. Quando iniciei o uso da leguminosa, nosso solo precisava de 06 a 07 toneladas de calcário, usando leguminosa, em 04 anos conseguimos zerar essa taxa. As leguminosas são nosso calcário que a gente precisa, são nossas amigas e eu não as abandonos jamais. Eu sou tipo morcego, onde eu vou levo sementes e procuro também levar sementes pra casa.

Com a participação da plenária uma exposição buscou evidenciar o processo que nos desestruturou, e tornou grande parte dos agricultores dependentes de insumos. Um processo apoiado pela mídia, e que as pessoas se tornaram adeptos pelo sensação de facilidade que ele oferecia. Só que as consequências vieram, ao mesmo tempo que esse modelo convencional ganhava espaço a população adoecia.
José Silva ainda acrescenta a importância de terem um grupo local com trabalhos voltados a agroecologia, com um trabalho em especial com o café. Sobre o modo de utilização das leguminosas, elas têm suas especificidades quanto a que cultura vai preceder ou dividir espaço, a qualidade da terra, e a espécie de leguminosas.

Na experiência citada por Roberto monitor da EFA de São Francisco DO Guaporé, o trabalho da escola voltado a produção agroecológica. Sobre as leguminosas explica serem elas aliadas a todos que desejam praticar uma agricultura ecológica e sustentável, por realizar a recuperação do solo, que muitas das vezes já foi atingido por esse convencional e se encontra degradado. Assim como o ser humano que se tornou um ser químico. Ainda cita a importância da manutenção do equilíbrio natural, existem as receitas naturais, que podem estar sendo utilizadas, mas é importante perceber que a natureza não é nossa inimiga. Nesse momento foram sendo realizadas trocas de receitas e experiências.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Audiência pública sobre a situação agrária em Rondônia

A Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado Federal realizou sexta feira 29 de Novembro de 2012 audiência pública sobre a situação agrária em Rondônia. Entre outros assuntos, a morte no dia anterior de Orlando Pereira Sales, o Paraíba, foi lembrada.
A mudança de local a última hora, de  Presidente Médici (,Rondônia), para Brasília, prejudicou a participação dos camponeses do Estado. Apenas Claudinei dos Santos, coordenador do MST de Rondônia representou os movimentos sociais do Estado. As perguntas enviadas via twitter pela CPT Rondônia não foram lidas nem respondidas. Mais uma vez ficaram decidindo em Brasília a sorte dos camponeses de Rondônia sem a participação da maioria deles. Publicamos abaixo a matéria aparecida na agência do senado.  


domingo, 2 de dezembro de 2012

Carta de Cobija para os povos do mundo

CARTA DE COBIJA 

Domingo, 2 de dezembro, 2012. 

Nós somos o povo de todos os povos. Somos homens da floresta e as mulheres da chuva, nós somos a Panamazônia, o coração do planeta.
Em nossas terras e rios desenvolve-se uma batalha decisiva para o destino da Humanidade. Por um lado, as empresas transnacionais, o agronegócio e a grande mineração promovem a destruição de nossas florestas e nossas águas, em nome dum progresso como somente beneficia os donos do capital. Por outro lado, estamos nós, indígenas, camponeses e camponesas, quilombolas, trabalhadores e trabalhadoras dos campos, da mata e das cidades, lutando por nossos territórios, pelos direitos da Mãe Terra, por nossa cultura, por nossos direitos do Bem Viver, em harmonia com a natureza. (continua)

Velório do Paraíba: Entre a revolta e o perdão

Velório de corpo presente do Orlando Pereira Sales,  o Paraíba,
vítima da violência em conflito agrário em Rondônia. foto cpt ro
Ontem dia 01 de dezembro de 2012, houve no Assentamento Chico Mendes, o velório e funeral de Orlando Pereria Sales, o Paraíba, que tinha sido assassinado em Nova Brasilândia o dia 29 de novembro.
Além de parentes e amigos, alguns deles vindos de longe, estavam presentes representantes da CPT RO e conhecidos da luta pela terra de outros assentamentos.
No dia anterior a morte dele tinha sido lembrada em Audiência Pública sobre a Reforma Agrária no Senado Federal, em Brasília.
Antigos companheiros do MST do assentamento, onde o Paraíba tinha recebido um lote como assentado pela reforma agrária, colocaram uma bandeira do movimento acima do seu corpo e lembraram a contribuição decisiva do mesmo para a conquista da terra, para as famílias de camponeses que hoje moram no lugar e em outros assentamentos vizinhos.
Dona Maria, mãe do Paraíba, que andava com ele voltando da roça onde tinha ido trabalhar e estava apresente na hora do homicídio, testemunhou como depois de ver o seu filho atingido por um tiro de espingarda, tinha chegado a pedir ainda para um dos assassinos: "Tira minha vida, porém não tira a vida do meu filho. Porque vocês estão fazendo isso?" E para os presentes no velório implorou para ninguém ceder a tentação da vingança: "Eu imploro: Por nada deste mundo, meus amigos, minhas amigas, por nada deste mundo, por nada, ninguém derrame o sangue dum ser humano. Precisamos estar unidos para gente lutar, Deus darmos força e unidos conseguir nossa terra. Porém por nada deste mundo, nada, ninguém pode derramar sangue humano".
A esposa do Paraíba, em recuperação dum grave atentado, e ainda precisando de cirurgia, puxou um dos cantos preferidos compostos pelo Paraíba: "Igreja Amada". 
Após outras palavras de despedida e orações, a encomenda do falecido se realizou na Igreja Matriz Católica de São João Batista, em Presidente Médici, antes de sepultar seu corpo no cemitério da cidade.

"Quando se falta consciência, se vende, se cala, tem que ir pra luta e saber o que quer" Paraíba. 23/05/12 - Ariquemes, encontro da CPT.