terça-feira, 29 de abril de 2014

Agroecologia em Colorado do Oeste. Rondônia.

 I SEMINÁRIO DE AGROECOLOGIA, SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL E ECONOMIA SOLIDÁRIA DO TERRITÓRIO CONE SUL

                                 
Seminário de Agroecologia, Segurança Alimentar e Nutricional e Economia Solidária: Estratégias e tecnologias sociais voltadas para a Promoção o Desenvolvimento Sustentável do Território Cone Sul, que ocorrerá no Auditório Deputado Eduardo Valverde Filho, IFRO - Campus de Colorado do Oeste, nos dias 09 (13:00  as 22:00 horas) e 10 de Maio (08:00 as 17:00 horas) de 2014.

Segundo Vagner Meira Teixeira, professor do IFRO, o objetivo do seminário é estimular o debate sobre a qualidade de vida nos meios rural e urbano, através da conservação e do uso sustentável da agrobiodiversidade, estimular a produção e o consumo de alimentos agroecológicos e promover a troca de experiências e, principalmente, discutir temas de ordem estratégica para o desenvolvimento da humanidade e a preservação de toda a forma de vida do ecossistema. O evento buscará a participação de ceca de 200 estudantes do ensino técnico e de graduação, além de diferentes organizações e instituições públicos e provadas e movimentos sociais, com perspectiva é de envolver 250 agricultores familiares, assentados de reforma agrária, ribeirinhos, pescadores, quilombolas e indígenas dos municípios do Território Cone Sul.

Pode ser confirmada a participação pelo e-mail: vagner.teixeira@ifro.edu.br ou Telefone Celular: (69) 81637830.

Quilombolas do Forte Príncipe da Beira recebem 120ª Romaria do Divino


Chegada do batelão doDivino ao Forte Príncipe da Beira, em 28 de Maio de 2014.
Foto de Elizabeth Farias Brito
Conforme a programação, a 120ª Romaria do Senhor Divino Espírito Santo do Vale do Guaporé chegou ontem ao Forte Príncipe da Beira, em Costa Marques. 
Um remeiro e um folião da comitiva são membros desta comunidade. Apesar de receber de tempo imemorial o Divino, a criação da Irmandade local é recente nesta comunidade quilombola, que planeja celebrar os festejos daqui a alguns anos. 
Por causa da enchente do Guaporé a comunidade tem enfrentado problemas no fornecimento de água potável, após a enchente ter alcançado as fossas de algumas casas do quartel militar e contaminado o poço que abastece os militares e a comunidade. A construção de dois poços artesianos é planejado faz tempo e toda a comunidade tem esperança que possa ser construído em breve tempo.
Ainda amanhã a comitiva deve seguir para Lamego e Nova Brema, antes da chegada a Costa Marques, prevista para às 16 h do dia 01 de maio, permanecendo na cidade até o dia 06, que deverá visitar o distrito de São Domingos por primeira vez na história.
A 120ª Romaria do Divino do Vale do Guaporé partiu da comunidade quilombola de Pedras Negras e tem como destino a comunidade de Rolim de Moura do Guaporé, onde serão celebrados os festejos de 03 à 08 de Junho de 2014. 

Veja mais fotos de Elizabeth Farias Brito.

Ouro Preto do Oeste faz memória da Ditadura Militar

PAINEL CULTURAL

50 Anos da Ditadura Militar no Brasil

Dia: 29 e 30/04/2014 / Hora: 19h 
Local: Teatro Municipal de Ouro Preto do Oeste.

O ano de 2014 marca os 50 anos do golpe militar no Brasil. O assunto volta a ganhar força não apenas pelo triste aniversário, mas também pela quantidade de revelações que surgem sobre os 21 anos em que os militares estiveram no poder.
O Painel Cultural visa mostrar as motivações, os medos, o pensamento de diversos setores na época, e tem como objetivo:

· Reconhecer a arte e a cultura como meios de resistência e contestação política;
· Identificar as visões de diferentes setores da sociedade sobre o período da ditadura;
· Relacionar, em contraposição, os conceitos de censura e liberdade de expressão hoje e no passado recente do Brasil.



PROGRAMAÇÃO 

29/04 
  • Recepção: 19h15min 
  • Abertura: !9h30min 
  • Apresentações: 
  • ü Música 
  • ü História da Ditadura Militar 
  • ü Repressão Cultural na Ditadura 
  • ü Música 

30/04 
  • Recepção: 19h15min 
  • Abertura: !9h30min 
  • Apresentações: 
  • ü Música 
  • ü Depoimentos 
  • ü Monólogo 
  • ü Música 
  • ü Encerramento: 21h30min

Ouro Preto do Oeste/RO

segunda-feira, 28 de abril de 2014

“Cheia histórica” não é desastre natural.

O PAD (Processo de Articulação e Diálogo), organização formada por diversas ongs e movimento sociais do Brasil,  publicou nota sobre as enchentes do Madeira denunciando a responsabilidade dos "mega projetos" do governo na região. 

Casa após alagação em Abuná (Porto Velho) na BR 364. foto cpt ro

A responsabilidade das hidrelétricas nas enchentes de Rondônia

“Cheia histórica” não é desastre natural. PAD afirma sua solidariedade aos atingidos e cobra ações que revertam as violações de direitos cometidas pelos mega projetos na região. Leia nota pública divulgada pelo PAD.
As enchentes em Rondônia não acontecem apenas em função de causas naturais. O histórico nível das águas do Rio Madeira está intimamente relacionada com os impactos dos megaprojetos hidrelétricos que vem sendo realizados na região. Enquanto a tragédia toma proporções desumanas, as suas causas reais seguem invisíveis e as consequências não são divulgadas pelos órgãos oficiais e de imprensa. 
Segundo o Movimento dos Atingidos por Barragens, são mais de 5.000 famílias atingidas, mais de 100 mil pessoas sem acesso a água potável, 12 bairros de Porto Velho e mais de 50 comunidades ao longo do rio Madeira, incluindo os municípios de Nova Mamoré e Guajará-Mirim. 
Estas famílias atingidas estão sofrendo com a perda de suas terras, moradias, produção, utensílios de trabalho, equipamentos e demais pertences. 

Estrada BR-425 alagada no Rio Araras, antes da alagação começar em Guajará Mirim.
A maior parte das famílias se deslocou para casas de amigos e parentes, e mesmo aqueles que foram para abrigos foram assistidos principalmente com a solidariedade da população, do que pelo poder público. 
Os atingidos pela enchente não têm recebido assistência e estão muitas vezes sem alimentação, água potável, saúde e educação, transporte e local adequado de habitação.

Hidrelétricas e violações de direitos
As Usinas de Santo Antônio e Jirau, construídas na região, demandaram investimentos de 16 bilhões e 17,3 bilhões, respectivamente. A maior parte do recurso é de origem pública (via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES). Em lugar de beneficiar a população, estes investimentos tornaram muito piores as condições de vida no local, criando situações de gravíssima vulnerabilidade. 

Privados de seus pertences e casas e tendo seus direitos mais básicos violados, a população se encontra sem assistência e sem alternativas, sendo reassentada em abrigos precários e sem a recomposição da capacidade de trabalho e geração de renda. A maior parte do apoio dado aos atingidos vem da solidariedade da população. 
Diariamente, aumenta o número de atingidos, e as previsões meteorológicas indicam a continuidade das chuvas. Já são pelo menos 63 casos de suspeita de leptospirose, sendo 17 já confirmados. A contaminação da água também provoca a deterioração da vegetação submersa, a mortandade de animais e a mistura das águas com as fossas e esgotos, cemitérios e lixões.

Adeus a um irmão que parte!


Dom Moreira- foto site da cpt nacional

Como não chorar!?

Como não chorar a uma prematura partida, sobretudo de um irmão tão próximo de nós, alguém que entendeu o sentido da parábola do Bom Samaritano e se fez próximo de tantos pobres marginalizados, dos últimos dos últimos, próximo de nós cristão que acreditamos que um outro mundo é possível, sem injustiças, sem fome; que acreditamos que é possível uma terra que emana leite e mel também para aqueles que em sua miséria proporciona leite e mel àqueles que os exploram.
Dom José Moreira Bastos Neto, para nós apenas Dom Moreira, como o costumávamos chamar, nosso amigo, companheiro ao qual agradecemos os ensinamentos ao longo dessa caminhada e que nos fortalecerão na luta nesses dias e em outros que ainda virão.
Em dias turbulentos quando a injustiça e violência no campo segue crescendo, surge luzes no caminho, pessoas que se doam para vivenciar e lutar ao lado do povo pobre e oprimido. Com rosto e alma de rebeldia, uma alegria única e contagiante, mais um grande profeta deixa esse mundo. É com tristeza que nos despedimos, mas na certeza que aqueles que partem na luta ao lado do povo, morre para viver para sempre, na História, na Memória e na Esperança. 
Nós do regional Rondônia nos solidarizamos com a Diocese de Três Lagoas, ao Regional da CPT de Mato Grosso do Sul, amigos, parentes e familiares de Dom Moreira, que Ele leve nossa gratidão e continue abençoando a luta justa do povo.
CPT-RO

Abaixo, nota CPT Nacional com CNBB.

Trabalho, Reforma Política e Eleições Limpas!

Palavra de Dom Moacyr Grechi – Arcebispo Emérito de Porto Velho
Matéria 417 - Edição de Domingo – 27/04/2014

Trabalhadores da Usina de Santo Antônio em greve. foto rondoniagora

Neste 2º domingo pascal, denominado domingo “in albis” ecaracterizado pelo tema da fé batismal, estamos celebrando a canonização dos Beatos João XXIII e João Paulo II, que acontece hoje, em Roma.

O Reitor do Seminário Maior João XXIII, da Arquidiocese de Porto Velho, Pe. Geraldo Siqueira de Almeida convida-nos para a missa solene em honra de nossos papas santos, neste domingo, na Igreja Nossa Senhora de Nazaré do Bairro Eldorado, às 16h, seguida de quermesse em prol do Seminário.

Com a proximidade do Dia do Trabalho e da celebração de São José Operário, um 2º convite motiva-nos a participar da 15ª Romaria do Trabalhador, que acontece em Porto Velho no dia 1º de maio. A caminhada começa na Igreja Santa Luzia, às 16h, encerrando com a celebração eucarística e quermesse na Igreja São José Operário. O tema está em sintonia com a CF 2014: “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1) e um tríduo (19h30) prepara a caminhada com palestras e celebração.

De São José Operário, o papa Francisco faz a seguinte reflexão: Jesus entra em nossa história, está entre nós, nascido de Maria pelo poder de Deus, mas com a presença de São José, o pai legal, de direito, que cuida d’Ele e também lhe ensina seu trabalho. Jesus nasce e vive em uma família, na Sagrada Família, aprendendo com São José o ofício de carpinteiro, na carpintaria em Nazaré, dividindo com ele seus compromissos, esforços, satisfação e as dificuldades do dia a dia. Isso nos lembra a dignidade e a importância do trabalho.

O trabalho, para usar uma imagem concreta, nos “unge” de dignidade, nos plenifica de dignidade, torna-nos semelhantes a Deus, que trabalhou e trabalha, age sempre e dá a capacidade de manter nossa família, contribuir para o crescimento da nação. São José também teve momentos difíceis, mas nunca perdeu a confiança e soube superá-los, na certeza de que Deus não nos abandona. 

A Romaria do Trabalhador acontece no momento em que nossa cidade sofre a maior enchente da sua história. Dois Gestos Concretos foram assumidos por todas as comunidades e paróquias e serão reforçados durante todo o percurso da romaria: a doação de alimentos, produtos de higiene pessoal e de limpeza aos desabrigados e a Coleta de assinaturas em apoio ao Projeto de Lei de Iniciativa Popular em vista da Reforma Política.

A cartilha sobre o Projeto de Lei de Iniciativa Popular de Reforma Política Democrática e Eleições Limpas, intitulada “Por um sistema político identificado com as reivindicações do povo”, foi lançada no dia 22 de abril durante entrevista coletiva à imprensa, na Câmara dos Deputados, pelos membros da Coalização Democrática pela Reforma Política e Eleições Limpas.

A Cartilha explica o que é a Coalização pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas, constituída por 95 entidades, entre elas a CNBB, bem como os principais pontos da proposta: a proibição de doações de recursos financeiros de empresas para financiar campanhas eleitorais; a mudança no sistema de votação, sendo feito em dois turnos, no qual, no primeiro, o eleitor votaria em um programa, em ideias e, no segundo turno, escolheria as pessoas que irão colocar em prática o projeto; a equiparação entre o número de homens e mulheres no meio político, sendo que, para cada candidato homem, teria uma mulher; e a regulamentação do artigo 14 da Constituição de 1988, que trata dos instrumentos de participação popular. 

Logo na Introdução, a Cartilha reflete pontos importantes: o povo brasileiro obteve importantes avanços políticos, econômicos, sociais, ambientais e na luta contra todo tipo de discriminação. Todavia, persistem graves problemas a serem resolvidos. Eles se expressam, de forma aguda, na crise urbana, na baixa qualidade do transporte público das grandes cidades, na violência crescente, na carência de esporte e lazer para a juventude, na deficiência da educação, na precariedade da saúde pública, na falta de terras para os trabalhadores sem-terra, entre outros tantos problemas.

E por que tais antigos problemas não são resolvidas? Porque a solução delas depende da aprovação de um conjunto de reformas, entre as quais, a reforma urbana, reforma agrária, reforma tributária e democratização dos meios de comunicação. E a aprovação destas reformas depende da aprovação do Congresso. Todavia a atual composição do Congresso Nacional impede que tais reformas sejam aprovadas. Isto porque ele representa os interesses da minoria da sociedade e as reivindicações da maior parte da população não são ouvidas. E isto só será possível com uma forte pressão popular sobre os congressistas.

As manifestações de junho do ano passado trouxeram à luz do dia a crise de representação política que enfrentamos. E evidenciou a necessidade de uma

Reforma Política Democrática que erija um sistema de representação política mais identificada com a maioria da sociedade, capaz de ouvir as reivindicações das ruas e aprovar as reformas que o País necessita. Esta aspiração ficou expressa na pesquisa feita a pedido da Ordem dos Advogados do Brasil. Seu resultado indicou que 85% dos entrevistados se manifestaram a favor de uma Reforma Política, 78% se manifestaram contra o financiamento de campanha por empresas, 90% apoiaram uma punição mais rigorosa ao “caixa dois” de campanha, 56% defenderam que a eleição seja feita em torno de propostas e listas de candidatos e 92% opinaram a favor de um projeto de lei de reforma política de iniciativa popular.

A Reforma Política foi colocada, definitivamente, na pauta política deste ano em virtude da votação em curso no STF sobre a inconstitucionalidade do financiamento de campanhas eleitorais por empresas. 04 ministros já se manifestaram pela inconstitucionalidade e a avaliação de que o STF sinaliza que deverá aprovar esta medida.Cabe ressaltar que se trata de uma proposta que se contrapõe a uma Reforma Política Democrática ao propor a constitucionalização do financiamento de campanha por empresas na contramão das reivindicações populares e da tendência do STF de aprovar sua inconstitucionalidade.

Todavia o problema reside em aprovar uma Reforma Política capaz de construir um sistema político mais democrático e representativo no País. No entanto existem várias alternativas colocadas, sendo que elas são polarizadas em torno de duas vertentes. As que pretendem ampliar a participação popular nas esferas de poder. Outras que visam reduzir esta representação para assegurar a “governabilidade” das elites.

A Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas defende uma proposta visando a ampliação da participação popular nas instâncias de poder. Existe um grande número de problemas em nosso sistema eleitoral que necessita de mudanças. Todavia a Coalizão optou por elaborar um projeto voltado para as questões estruturantes para uma Reforma Política Democrática e que pudesse ser aprovado sem necessidade de emendas constitucionais.

Para a Coalizão os problemas estruturantes do sistema político brasileiro ou seja, não há como avançar no processo democrático sem removê-los, são: o financiamento de campanhas por empresas e a consequente corrupção eleitoral; o sistema eleitoral proporcional de lista aberta de candidatos; a sub-representação das mulheres; a falta de regulamentação dos mecanismos da democracia direta.

A Coalizão é uma articulação da sociedade brasileira visando uma Reforma Política Democrática. É composta atualmente por 66 entidades, movimentos e organizações sociais, entre as quais a OAB, CNBB, Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, a Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma Política, a FENAJ, a UNE, CTB, CUT, UBES, MST, UBM, União dos Vereadores do Brasil, Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil, Confederação Nacional dos Trabalhadores na Educação, Conf. Nac. dos Trabalhadores em Est. de Ensino.

A Coalizão defende a necessidade do povo brasileiro se unir na luta pela ampliação das conquistas democráticas realizando um conjunto de reformas estruturais entre as quais a reforma urbana, a reforma agrária e democratização dos meios de comunicação além de medidas relacionadas com a melhoria dos serviços públicos entre as quais a saúde, educação e transporte coletivo urbano. Todavia considera que não há como realizar essas reformas sem antes aprofundar o processo de democratização do poder político no Brasil através de uma Reforma Política Democrática, com ampla participação popular.

Projeto Balde Cheio continuará por mais um ano.

Fundação Banco do Brasil irá financiar Balde Cheio por mais um ano. Projeto criado pela Embrapa Sudeste assiste mais de 80 produtores de leite. 


A Fundação Banco do Brasil informou ao deputado federal Padre Ton (PT-RO) que aprovou o financiamento de R$ 350 mil para as atividades do projeto Balde Cheio, por mais um ano. 
Padre Ton, que no final do ano passado esteve com o presidente da instituição para mostrar a necessidade de prorrogar o projeto em Rondônia, comemora a notícia: “Esta é uma iniciativa que tem dado resultados. Propriedades atestam crescente melhoria na produção leiteira, ampliando a produtividade com as técnicas adotadas”, diz Padre Ton.
Com o Balde Cheio, criado pela Embrapa Sudoeste e aplicado em Rondônia a partir de 2008 em duas unidades demonstrativas no município de São Felipe, o resultado no aumento da produção de leite é de fato animador. Padre Ton lembra que uma propriedade produzia 35 litros/leite dia com 26 vacas em lactação, em 20 hectares, e passou a produzir 300 litros/dia em três hectares, com 33 vacas em lactação.
O diferencial do Balde Cheio é a presença permanente de técnico para transferir tecnologias e oferecer assistência técnica aos produtores que aderem ao projeto. “Seria importante o poder público estadual olhar com mais atenção para este projeto. Quem sabe poderíamos ampliar o atendimento, oferecendo mais renda aos produtores que se dedicam à produção leiteira”, diz Padre Ton.
O projeto aprovado na Fundação Banco do Brasil foi elaborado pela Associação de Produtores Rurais Boa Esperança (Aprube), sediada em Rolim de Moura, que já vem coordenando a execução do projeto, envolvendo pouco mais de 80 produtores e 300 famílias serão indiretamente beneficiadas.
No projeto, a Aprube relata as dificuldades vivenciadas pelos produtores de leite assistidos pela Emater, que não dá sequencia a assistência técnica inicialmente oferecida ou, quando isso acontece, induz a erros os produtores. Com o atendimento técnico falho, há desperdício de recursos, fazendo com que o produtor passe a desacreditar na atividade.
Esta é uma das razões para que mais e mais produtores estejam se interessando pelo Balde Cheio. A Aprube está coordenando seu desenvolvimento em 14 municípios – Alto Alegre dos Parecis, Cacoal, Castanheiras, Colorado do Oeste, Ministro Andreazza, Nova Brasilândia, Novo Horizonte, Parecis, Pimenta Bueno, Rolim de Moura, Santa Luzia do Oeste, São Felipe do Oeste, São Miguel do Guaporé e Vilhena.
fonte Mara Paraguassu

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Sem Terra é assassinado nas proximidades do Porto Graneleiro de Porto Velho



Rubens Santiago do Nascimento, 44 anos de idade, morava na BR319 há 07km de Porto Velho. Porém há mais de um ano, junto com outras famílias ocupava uma área à 13km da capital, porém pertencentes ao sul do município de Canutama-AM. Onde segundo depoimento de familiares e conhecidos ele vinha enfrentando conflitos em decorrência desta ocupação de terra.
Ele foi assassinado na tarde do dia 24 de abril dentro de um comercio na avenida dos Imigrantes no bairro Balsa nas proximidades do Porto Graneleiro em Porto Velho, capital de Rondônia.
Conforme divulgado ontem pelo rondoniaagora,   o irmão da vítima informou que ele teria sofrido uma tentativa de homicídio alguns meses atrás. O jornal diz ainda que o mesmo teria sido assassinado por um mototaxista e há informações que alguns mototaxista tem ocupações dentro da área.
Há informações de que a área ocupada é da União de posse do Sr. Douglas e de seu sogro, com tamanho de aproximadamente 110 hectares.


quinta-feira, 24 de abril de 2014

A Vida Consagrada em Porto Velho celebra o tríduo Pascal com as comunidades atingidas pelas enchentes no Baixo Madeira!



Por Irmã Gabriella Bottani – Missionária Comboniana, coordenadora da Rede um Grito pela Vida e agente da Comissão Pastoral da Terra-CPT/RO. 

A ideia de celebrar o tríduo pascal junto com as comunidades ribeirinhas do Baixo Madeira nasceu em outubro de 2013, durante um encontro da equipe dos missionários e missionárias combonianos que acompanham esta região. A proposta foi amadurecendo e partilhada com a vida consagrada do núcleo da CRB de Porto Velho. Um pequeno grupo aderiu e assim o dia 15 de Abril de 2014, com o barco Caçote um grupo de 4 irmãs deixou Porto Velho rumo a Terra Firme (distrito de Calama) e Tira Fogo (distrito de Nazaré): ir. Zezé (Calvariana) e ir. Xóchitl (Filhas da Cruz), ir. Gabriella (Missionária Comboniana) e ir. Adélia (Paulinas). Os padres Combonianos Jorge e Rafael já estavam em Calama e Boa Vitória esperando por nós.
Na mesma semana ir. Vera e ir. Nair (Irmãs do Verbo Encarnado), junto com pe. Jorge (Missionário Comboniano), visitaram a escola Orlando Freire, que acolhe parte dos desabrigados do distrito de São Carlos. 
A situação provocada pelas enchentes deste ano deu um valor especial a esta primeira experiência missionária: pois partilhamos a paixão, morte e ressurreição de Jesus na vida concreta de quem está sofrendo por causa da grande enchente. Nestes poucos dias nos deixamos acolher pelas pessoas que ficaram nas “terras altas”, lugares que se tornaram espaço de solidariedade e de esperança. Partilhamos com eles o dia-a-dia, a fé e a vida. Tomamos o banho com a água do Rio Madeira e bebemos pouco, pois a água potável que a defesa civil entrega é racionada e insuficiente. Pouca energia elétrica, somente quando há um dinheirinho para colocar o diesel no motor para gerar um pouco de energia. Partilhamos o medo de picadas de cobras e aranhas venenosas.
Irmã Maria José relata: “À primeira vista ficamos impactadas com a dificuldade de chegar (no escuro) à Terra Firme, localidade onde deveríamos ficar. Isto porque, mesmo com a inundação, são 70 degraus abruptos (na seca 130), mal delineados na terra molhada. O barranco é enorme e, por mais que nos esforçássemos não conseguíamos subir. Voltávamos de onde saímos com malas e tudo. Após uns 10 minutos de infrutífero empenho três jovens desceram com lanternas e nos puxaram pelas mãos e, após carregaram nossas bagagens. Esta primeira experiência nos mostrou a capacidade de resistência desse povo valente, que ano após ano sobe e desce com compras e bagagens nesse barranco, o que para nós parece impossível de ser escalado. Ficamos hospedadas numa família, cuja mãe é líder numa comunidade e a filha na outra. Com alegria partilharam de sua pobreza!
Em Tira Fogo contemplamos a paixão, morte e ressurreição de Cristo no senhor Francisco, que com 96 anos encontra-se acamado em fase terminal de câncer, desabrigado e acolhido pela comunidade e cuidado com muito carinho pelo filho João; na dona Maria Venina, ela que é mãe e avó, perdeu tudo o que tinha construído em sua longa vida: casa, comércio e a pequena igreja dedicada a Nossa Senhora do Rosário. Como esquecer seu olhar carregado de choro e saudade? E ainda o senhor Raimundo que perdeu tudo o que tinha para sustentar sua família: plantação de bananas, pupunhas, macaxeira, animais, aves, TUDO, falta-lhe até as sementes e mudas para recomeçar. Este ano nem dá mais para plantar a melancia, é tarde demais.  
Precisa ainda de bastante tempo para que a situação se normalize. 
A celebração da quinta-feira santa instituição da eucaristia, sacramento da partilha e do serviço, selou quanto está se vivenciando nos abrigos improvisados do Baixo Madeira, nós vimos e recebemos em abundância do amor e da partilha de quem abriu com disponibilidade e carinho suas casas, suas vidas, espaço, terra e seus pertences para acolher quem precisava e nós missionários.
A celebração continuou na sexta-feira com a celebração da paixão e morte de Jesus. Quem melhor das palavras de dona Luisa pode resumir o que foi esta celebração: “Moro aqui há 50 anos e nunca, nunca vi a cruz andar por aqui!”.  A cruz de Cristo, sinal de salvação e do grande amor de Deus para conosco, foi carregada em todos os lugares acessíveis. Mulheres, crianças, jovens, idosos, homens, todos acompanhamos a cruz e rezamos em cada casa e barraca uma oração de bênção. Todos fizeram questão de acolherem a cruz: católicos e evangélicos. A celebração da Sexta-feira terminou com um filme sobre a vida de Jesus. Foi um dia simples marcado pelo silêncio e a oração.
acampamento provisório
O sábado foi um dia especial, de manhã nos reunimos para a preparação da vigília pascal, as crianças foram as que mais ajudaram, construímos chocalhos com material reciclável e sementes que recolhemos na mata. Ensaiamos cantos e ritmos para tornar a celebração da vigília a grande festa da ressurreição de Cristo, e assim foi. O anúncio da Ressurreição coincidiu com o dia no qual o Rio Madeira permitiu começar a limpeza das casas, a água desce e tem que se correr antes que a lama resseque. Alguém decidiu de levar sua casa, improvisada sobre uma balsa, de volta para estar perto de sua casa alagada.
O anúncio da Ressurreição de Cristo foi um sopro de verdadeira alegria, de vida e renovada esperança, para aqueles e aquelas que se encontram em situação de semi-isolamento. A celebração da Páscoa, a força que nos é dada pela paixão, morte e ressurreição de Cristo, nos permitiu entrar na dor e no sofrimento causado pela enchente e a fortalecer as consciências para que este povo tradicional não desista de lutar para seu direito à vida com dignidade, denunciando com coragem profética o que vem sofrendo. 

“As águas abundantes que descem das montanhas da Bolívia e do Peru aumentaram consideravelmente os reservatórios das usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio. A construção dessas duas obras no Alto Rio Madeira, além de sofrer um atraso de mais de um ano, segundo especialistas, apresenta erros no estudo de impacto ambiental. A inundação das BRs 364 e 425 isolou o Estado do Acre, a região de Guajará-Mirim e toda a área do Abunã. O difícil abastecimento de suas populações, com combustíveis e alimentos, mostra a urgência de novos estudos.” (Carta da CNBB - Regional Noroeste, 29/3/14)

Na Bacia do Rio Madeira mais de 5 mil famílias foram atingidas, muitas delas estão desabrigadas e desalojadas, e mais de 100 mil pessoas na região não têm acesso a água potável. As águas do Rio Madeira e seus afluentes submergiram inúmeras plantações e animais, isto trouxe muito sofrimento e destruição e consequências que ameaçam a saúde dos moradores das áreas alagadas.

Alguns dados do impacto da enchente no Baixo Madeira ano 2014:
O rio começou transbordar no começo de fevereiro de 2014. O nível máximo da enchente chegou perto dos 20 metros, no começo do mês de abril. Desde metade de Abril as águas do Rio abaixam. 
Comunidades atingidas: Distritos de São Carlos, Nazaré, Calma e Demarcação e 34 das 41 comunidades. Cerca de 900 famílias. (fonte MAB – Porto Velho)

Consequências: Casas destruídas pela água e pelo aterramento com areia, Inundação e destruição das plantações, aumento dos preços (o preço da lata de farinha duplicou), contaminação da água (falta de água potável e doenças tais como leptospirose, tipo e cólera), falta de eletricidade, aumento do desemprego (foram despedidos todos os motoristas de barco escolar), morte de animais, peixes e aves, suspensão da escola (se tornaram abrigo); falta de comunicação, maior isolamento da região e dificuldade na participação no processo de reconstrução e decisões sobre o futuro da região. 

Amazônia: principal palco dos conflitos do campo de 2013

Pistorleiros armados invadiram acampamento em Theobroma, Rondônia. foto: acampados
CPT lançará o relatório Conflitos no Campo Brasil 2013
No dia 28 de abril, próxima segunda-feira, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) lançará sua publicação anual, Conflitos no Campo Brasil 2013. É a 29ª edição do relatório que reúne dados sobre os conflitos e violências sofridas pelos trabalhadores e trabalhadoras do campo brasileiro, neles inclusos os indígenas, quilombolas e outros povos tradicionais. O lançamento se realizará na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília, a partir das 14h00. 

Estarão presentes ao lançamento o presidente da CPT, Dom Enemésio Lazzaris, os membros da coordenação executiva nacional da CPT, o secretário da coordenação nacional da CPT, Antônio Canuto, representantes da CNBB e o professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Carlos Walter Porto-Gonçalves. Dona Raimunda, posseira da Gleba Tauá, em Campos Lindos (TO), ameaçada de morte por fazendeiros e empresários que se dizem donos das terras, também irá participar do evento.

A ofensiva contra os indígenas
O relatório destaca o número de assassinatos em conflitos no campo, 34, dois a menos que no ano anterior, quando foi registrado o assassinato de 36 pessoas. O que chama a atenção em 2013 é que 15 dos 34 assassinatos registrados são de indígenas. São também indígenas 10 das 15 vítimas de tentativas de assassinato, e 33 das 241 pessoas ameaçadas de morte. Em nenhum outro período desta publicação se tem registro semelhante.
Outro destaque de 2013 é o crescimento expressivo do número de conflitos pela água. 32% a mais que em 2012.

Amazônia: principal palco dos conflitos
A Amazônia continua o principal palco dos conflitos. Nela se concentram 20 dos 34 assassina­tos, 174 das 241 pessoas ameaçadas de morte, 63 dos 143 presos, e 129 dos 243 agredidos. Das Po­pulações Tradicionais que, em 2013, foram vítimas de algum tipo de violência, 55% se localizavam na Amazônia.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Turbina de Jirau provoca mortandade de peixes


Ibama comunicado
TESTE EM TURBINA DE JIRAU CAUSA NOVA MORTANDADE DE PEIXES NO MADEIRA




A Superintendência do Ibama em Rondônia aguarda a finalização de um relatório apurando a mortandade de peixe após teste em uma das turbinas da Usina Hidrelétrica de Jirau. O caso aconteceu na última segunda-feira, 14, mas a imprensa só teve conhecimento no meio da semana, após o envio de duas imagens de um anônimo ao jornal Rondoniagora. “Não foi no vertedouro o incidente, mas no comissionamento de testes de uma das casas de força”, informou a assessoria de imprensa da Energia Sustentável do Brasil, consórcio responsável por Jirau.


Segundo a empresa Comunica, responsável pela assessoria da empresa, o Ibama foi comunicado imediatamente do ocorrido e os técnicos estão fazendo um relatório para enviar ao órgão fiscalizador. “Foi seguido todo o protocolo do empreendimento”, acrescentou. 


A reportagem tentou contato com a Superintendência do Ibama para buscar informações sobre o caso. O superintendente substituto Roberto Fernandes Abreu informou por telefone que não estava sabendo nada sobre o assunto. E ainda foi mais além. Pediu a fotografia por e-mail para que fosse denunciado em caráter oficial, o que foi feito pelo jornal. 


Mas a assessoria de Jirau desmente a informação, explicando que o Ibama foi notificado do acidente com os peixes e que está preparando um relatório para ser encaminhado como determina o protocolo nessa situação. 


E provou sua declaração através do Ofício 717/2014 endereçado pela Energia Sustentável do Brasil ao Ibama em Brasília. 




CHEIA DO MADEIRA

As usinas de Jirau e Santo Antônio sofreram pesadas críticas da população de Porto Velho e dos organismos sociais por terem responsabilidade pela enchente recorde do Rio Madeira. O Ministério Publico Federal, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ministério Público Estadual e as Defensorias Públicas ingressaram com ações cíveis exigindo que os empreendimentos prestem assistência as famílias atingidas pela cheia.




Fonte: RONDONIAGORA

Incra recebe propostas para assentamentos



Prefeituras têm até o dia 30 para apresentação de

propostas de obras em estradas nos assentamentos

As prefeituras dos municípios de Rondônia e o governo do estado têm até o dia 30 de abril para a apresentação de propostas de obras de infraestrutura nas estradas vicinais em áreas de assentamentos da reforma agrária. Serão destinados cerca de R$ 100 milhões em todo o país. As propostas deverão ser inseridas no Sistema de Gestão de Convênios e Contratos de Repasse (Siconv) e o objetivo é melhorar o acesso para que as famílias se beneficiem do programa Minha Casa, Minha Vida.

No edital estão incluídos nove municípios de Rondônia, com 24 assentamentos, para beneficiar diretamente 927 famílias. O superintendente do Incra/RO, Luís Flávio Carvalho Ribeiro, destacou a importância dessa ação para Rondônia. “Precisamos somente que as demandas sejam encaminhadas e pedimos o envolvimento de todos: prefeituras, câmara dos vereadores, movimentos sociais. Sabemos que a carência do estado é muito grande. São estradas, pontes, bueiros, poços artesianos etc. Então todos devem informar suas necessidades que poderão até gerar demandas para o PAC3”.

Receberão pontuação adicional no processo de seleção propostas que apresentem estratégias de integração com políticas públicas de implantação ou manutenção de infraestrutura, como uso de equipamentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) para melhoria de estradas nos assentamentos, Programas Água e Luz para Todos, entre outros. Os projetos destinados às regiões Norte e Nordeste também saem à frente.

O chamamento traz a lista de assentamentos prioritários para atendimento. O documento e respectivos anexos estão disponíveis em: http://www.incra.gov.br/index.php/servicos/licitacoes-editais-e-pregoes/category/414-chamamento-infraestrutura-01-2014.
 Confira na tabela a seguir:
Município
Projeto de Assentamento
Famílias
MACHADINHO D'OESTE


PA LAJES
14
PA TABAJARA II
20
PA SANTA MARIA II
10
NOVA MAMORÉ


PA MARECHAL RONDON
40
PA RIBEIRÃO
40
PA IGARAPÉ AZUL
30
PA ROSANA LECY
20
PA PAU BRASIL
60
PORTO VELHO

PA IGARAPE TAQUARA
70
PA UNIAO DA VITORIA
50

CAMPO NOVO DE RONDÔNIA

PA ALTAMIRA
15
PA SANTA ELISA
15
PA NORTE SUL
120
ARIQUEMES

PA MADRE CRISTINA
35
PA 14 DE AGOSTO FASE II
6
PA 14 DE AGOSTO FASE II COLETIVO
1
THEOBROMA
PA LAMARCA
8
PA VALE ENCANTADO
50
CANDEIAS DO JAMARI


PA FLOR DO AMAZONAS 1
40
PA FLOR DO AMAZONAS 2
40
PA FLOR DO AMAZONAS 3
40
PAF JEQUITIBÁ
80
BURITIS
PA NORTE SUL I
40
PARECIS
PA UNIÃO I
53

Assessoria de Comunicação - Incra/RO
(69) 3229.1545, 9981.6036

domingo, 20 de abril de 2014

Debate sobre a expansão da soja em Brasil e Rondônia

Em Porto Velho ! 



UNIR promove debate sobre expansão da soja no Brasil e em Rondônia

Os Departamentos de Geografia e Ciências Sociais da Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR) em parceria com a Comissão Pastoral da Terra (CPT-RO) promovem no dia 22 de abril, às 14h, um debate sobre a expansão do Complexo-soja no Brasil e em Rondônia. Durante o debate haverá o lançamento do livro “Soja: Tesouro ou Tesoura?”, do filósofo e escritor belga Luc Vankrunkelsven. O evento acontece no auditório do Mestrado em Desenvolvimento Regional, Bloco 2 F, no Câmpus José Ribeiro Filho, em Porto Velho.

O autor faz um reflexão sobre os meios de produção agrícola, as causas de alterações ambientais, sobre nosso modo de aceitar a alimentação ditada por multinacionais que geram vítimas e tragédias invisíveis sobre povos indígenas, a agricultores familiares e biomas já fragilizados, além da saúde e da alimentação humana. Luc Vankrunkelsven destaca que o Complexo-soja, como uma tesoura, retalha a realidade, para que esta se torne irreconhecível e inacessível. A publicação, a partir de cuidadosa pesquisa, procura expor essa metodologia de recorte e destruição.


Programação

14h - Abertura

Josep Iborra Plans

Representante da Comissão Pastoral da Terra (CPT-RO)

Professor mestre Vinicius Valentin Raduan

Chefe do Departamento de Ciências Sociais

14h30 - Mesa de debates

Moderação: Professor Luis Fernando Novoa – DCS

Debatedores

Prof. Dr. Ricardo Gilson da Costa Silva

Laboratório de Gestão do Território, Departamento de Geografia

Luc Vankrunkelsven

Filósofo e escritor belga, coordenador do Grupo Wervel por uma agricultura justa e sustentável

15h30 - Questões da plenária

16h - Respostas e considerações finais dos debatedores

17h - Lançamento do livro “SOJA:TESOURO OU TESOURA?” com disponibilização da publicação e contato com o autor.

17h30 - Encerramento das atividades


Fonte: UNIR

Páscoa e os povos indígenas ressurgidos!

Palavra de Dom Moacyr Grechi – Arcebispo Emérito de Porto Velho
Matéria 416 - Edição de Domingo – 20/04/2014

Indígenas de Sagarana, Guajará Mirim. Foto cpt ro

Celebramos hoje a Páscoa em todas as comunidades cristãs anunciando que a Ressurreição de Cristo é a verdade fundamental do cristianismo, que a vitória de Jesus sobre a morte garante tudo aquilo que ele e os profetas anunciaram.

“Ressuscitei, Senhor, contigo estou, teu grande amor de mim se recordou, tua mão se levantou, me libertou!” Assim cantamos na liturgia, fortalecendo nosso compromisso batismal, desejando que a Páscoa aconteça para todos.

Durante três dias, nas celebrações do “Tríduo Pascal” da morte e ressurreição de Jesus, vivenciamos o mistério pascal, para proclamar no domingo da Ressurreição que “o Senhor Ressuscitou”; “este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos”.

Páscoa é o encontro feliz com Jesus Ressuscitado, que continua vivo, acompanhando nossa peregrinação na fé, mesmo em meio às situações trágicas de nosso povo ribeirinho e das famílias atingidas pelas inundações. De muitos pontos escutamos o grito de quem implora ajuda e sofre.. A certeza da vitória de Cristo ressuscitado que continua atuando na história encoraja-nos a seguir em frente, testemunhando os valores do Reino: a luta pelos direitos humanos, a confiança na misericórdia divina, o serviço aos necessitados.

Para participar da missão do Senhor, devemos ser Páscoa para aqueles que sofrem. Para cumprir sua missão de ser Páscoa, Jesus, o Filho de Deus, o Libertador e Salvador do mundo, torna-se próximo e solidário com todos os excluídos. Contemplamos hoje os rostos desfigurados que nos revelam a face do Cristo sofredor e, por outro lado, os rostos transfigurados de mártires que nos revelam a face do Cristo ressuscitado.
Jesus ressuscitado leve conforto a quem é vítima das calamidades naturais e nos torne guardiões responsáveis da criação! Quantos desertos tem o ser humano de atravessar ainda hoje! Sobretudo o deserto que existe dentro dele, quando falta o amor de Deus e ao próximo, quando falta a consciência de ser guardião de tudo o que o Criador nos deu e continua a dar. Acolhamos a graça da Ressurreição de Cristo; deixemo-nos renovar pela misericórdia de Deus, deixemo-nos amar por Jesus, deixemos que a força do seu amor transforme nossa vida, tornando-nos instrumentos desta misericórdia, canais através dos quais Deus possa irrigar a terra, guardar a criação inteira e fazer florir a justiça e a paz (papa Francisco).

Iniciamos o Credo afirmando nossa fé em Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Por amor Ele nos cria, salva e santifica. A profissão termina proclamando a ressurreição dos mortos e a vida eterna. É a Páscoa definitiva. Eis a nossa esperança: Jesus Cristo venceu a morte e vive para sempre.

É preciso, pois, superar a visão negativa da morte apenas como termo da peregrinação terrestre da pessoa humana, para abrir-se à realidade de quem caminha para a comunhão plena com o Deus da vida, que nos quer fazer para sempre felizes (D.Luciano M. Almeida). A “Páscoa da terra para o céu” nos interiorizará numa festa sem fim, na qual não existirá o ódio, nem a dor, nem a morte.

Com corações despedaçados em milhares de fragmentos, será difícil construir uma verdadeira paz social. Cristo é a nossa paz (Ef 2,14). A paz é possível, porque o Senhor venceu o mundo e sua permanente conflitualidade, pacificando pelo sangue da sua cruz (Col 1,20).

Cada dia, no mundo, renasce a beleza, que ressuscita transformada através dos dramas da história. Os valores tendem sempre a reaparecer sob novas formas, e na realidade o ser humano renasceu muitas vezes de situações que pareciam irreversíveis. Esta é a força da ressurreição, e cada evangelizador é um instrumento deste dinamismo.

A fé significa acreditar que Cristo nos ama verdadeiramente, que está vivo, que é capaz de intervir misteriosamente, que não nos abandona, que tira o bem do mal com o seu poder e a sua criatividade infinita. Significa acreditar que Ele caminha vitorioso na história e, com Ele, estarão os chamados, os escolhidos, os fiéis (Ap 17,14).

A ressurreição de Cristo produz por toda a parte rebentos deste mundo novo; e, ainda que os cortem, voltam a despontar, porque a ressurreição do Senhor já penetrou a trama oculta desta história; porque Jesus não ressuscitou em vão. Não fiquemos à margem desta marcha da esperança viva! (EG 229,276-278).
Portanto, abramos hoje nosso coração a Cristo crucificado e ressuscitado,
que vem oferecer a paz! Onde entra Cristo ressuscitado, exorta João Paulo II, com Ele entra a verdadeira paz! Esta é a nossa certeza, que se funda sobre Vós, hoje ressuscitado da morte, Cordeiro imolado pela nossa salvação!

O Senhor ressuscitado, vencedor do pecado e da morte, seja nossa força e nos guie pelo caminho da justiça, para que sejamos construtores de um novo tempo de perdão e justiça, tornando-nos sinal e anúncio da Páscoa definitiva.

Possa Maria, silenciosa testemunha da Páscoa, Mãe do Crucificado ressuscitado, conservar acesa a chama da esperança e nos ensinar a ser, por entre as contradições do tempo que passa, convictas e alegres testemunhas da perene mensagem de paz e amor que o Redentor ressuscitado trouxe ao mundo.

A Semana dos Povos Indígenas, iniciada no dia 14 de abril, tem como tema neste ano “Povos indígenas: migrações forçadas, exilados na própria terra”. Para Dom Erwin, do CIMI nacional, não existe uma pastoral que tenha gerado tantos mártires quanto esta. O sangue derramado dos mártires é a semente da luta pela ressurreição dos povos indígenas.

No documento de Aparecida, o protagonismo dos povos indígenas é um sinal de esperança (143). A Igreja reconhece que a vida dos povos indígenas está ameaçada em sua existência física, cultural e espiritual. Seus modos de vida, sua identidade e projetos correm grandes perigos. Uns vivem em terras insuficientes, outros são expulsos de suas terras e vivem como migrantes, outros encontram seus territórios invadidos e degradados. A globalização ameaça a todos com suas mudanças culturais impostas (90). Os indígenas configuram uma nova categoria de pobres e excluídos (416) entregues à marginalização sociocultural. Dessa situação emerge um grito dos povos indígenas que precisa ser ouvido por toda a América Latina (89, 473).

A defesa dos territórios dos povos indígenas faz parte do serviço à vida que os discípulos-missionários prestam em suas Igrejas ao Deus com rosto humano, sempre perto dos pobres e sofredores (P.Suess, DAp 7,22,258,549).

Para o CIMI de Rondônia, a institucionalização do dia do Índio, como data cívica, esvaziou-se do sentido real de luta pela garantia de seus direitos. Distanciou-se da imagem que retrata o genocídio de vários povos, desde a conquista dos europeus. O dia 19 de abril perdeu a reflexão e o debate necessário sobre as questões enfrentadas por esses povos no Brasil. A ideologia adotada pelas formas e práticas governamentais no Brasil é a responsável pela distorção do que são os indígenas hoje.

O “Dia do índio” não é somente o dia 19 de abril; são os 365 dias do ano. Não podemos ver o indígena como um ser exótico, mítico, distante e embrenhado nas matas.

Neste dia institucional, os povos indígenas propõem uma verdadeira discussão sobre as dificuldades enfrentadas. Entre os desafios estão: a demarcação de seus territórios tradicionais; falta de acesso a serviços públicos; vítimas de preconceitos e casos de desrespeito aos direitos humanos.

Se no passado os povos indígenas eram condenados e tiveram que se esconder, hoje a Constituição garante este reconhecimento. São vários os “povos ressurgidos”, ou melhor dizendo, “povos resistentes”, que se mantiveram “reduzidos sim, mas não vencidos”. E uma vez reconhecidos como povo, se faz necessária a retomada de seus territórios tradicionais. Terras dos seus antepassados, terra de onde cada povo foi originado, terra onde habita o sagrado.

Que no dia 19 de abril, “dia do índio”, seja enfatizado que o preconceito é uma trincheira imposta para impedir o acesso aos direitos indígenas. É um dia para lembrar a história de luta e de resistência dos povos indígenas que perdura até aos dias de hoje, confirmando que o Brasil tem uma dívida histórica para com estes povos (CIMI/RO).