sábado, 30 de agosto de 2014

Ética na política e formação da consciência

Palavra de Dom Moacyr Grechi – Arcebispo Emérito de Porto Velho
Matéria 435 - Edição de Domingo – 31/08/2014

Ética na política e formação da consciência

A Palavra de Deus nos relata que o Senhor chamou lideranças para libertar e governar o seu povo. Essas pessoas sentiam o peso desse chamado, mas encontravam em Deus a força para não recuar sobre seus compromissos. Moisés, sentindo-se impotente diante das forças da opressão, ouviu de Deus essas palavras: “Eu estarei contigo” (Ex. 3,12).

O sinal de estar no bom caminho era a adoração ao verdadeiro Deus e não aos ídolos. Não sabendo Moisés e Aarão o que falariam ao povo, Deus lhes assegurou: “Eu vos ensinarei o que deveis falar”.

Essas são duas atitudes exemplares para o político: buscar em Deus sua força e não se deixar seduzir por ídolos, tais como o dinheiro e o poder.

Outra decisão tomada por Moisés foi aceitar a colaboração de homens sábios e experimentados, que ajudassem o povo a se organizar (Dt 1,15). Na legislação dada pelo Senhor, os pobres, os órfãos e os estrangeiros tinham um lugar especial.

Jesus Cristo ensinou a seus discípulos que a atitude básica do cristão revestido de poder é a atitude de serviço, não de dominação e nem de busca do proveito pessoal. Ao perceber que os discípulos discutiam entre si sobre quem seria o maior no reino de Deus, Jesus lhes ensinou que maior é aquele que serve. “Os grandes governam oprimindo o povo. Entre vós não há de ser assim. Quem quiser fazer-se grande entre vós será vosso servidor” (Mt 20, 26).

A Igreja, em diferentes momentos históricos, traduziu os ensinamentos do Evangelho na sua Doutrina Social, base segura de uma ação política honesta e competente. Entre esses princípios doutrinais existe uma hierarquia. O primeiro deles fundamenta os demais: a dignidade da pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus e a busca do bem comum. Isso importa na criação de condições básicas para que todas as pessoas e comunidades possam levar uma vida digna e solidária, superando todas as formas selvagens de competição. Há ainda o princípio da subsidiariedade, segundo o qual é preciso respeitar a autonomia relativa de cada nível de competência.

Ao político cabe conhecer e apoiar as iniciativas tomadas em nível de cada comunidade, região e setor, sem querer se apossar dessas iniciativas nem cooptar seus líderes.

Em sua primeira encíclica sobre o amor cristão, Bento XVI oferece orientações importantes para a ação política. Primeiro, a militância política é missão específica dos fiéis leigos, que não devem se furtar às suas obrigações nesse campo: “O dever imediato de trabalhar por uma ordem justa na sociedade é própria dos fiéis leigos. Estes, como cidadãos do Estado, são chamados a participar pessoalmente na vida pública, assumindo funções legislativas e administrativas que se destinam a promover orgânica e institucionalmente o bem comum” (DC 29).

A Igreja, enquanto instituição, não assume opções partidárias, mas empenha-se na luta geral pela justiça, ajudando a purificar a razão e a formar a consciência das pessoas: “A Igreja não pode nem deve tomar nas suas próprias mãos a batalha política nem deve pôr-se no lugar do Estado. Mas também não pode nem deve ficar à margem na luta política. Deve inserir-se nela pela via da argumentação racional e deve despertar as forças espirituais, sem as quais a justiça, que sempre requer renúncias também, não poderá firmar-se nem prosperar” (DC 28).

Em eleições anteriores, a CNBB exortou os fiéis a se engajarem com responsabilidade na ação política, orientando-os a exercerem o seu voto com discernimento. Tanto no documento 82, que fundamenta a nossa reflexão, como nas orientações de 2010 e 2014 a Igreja tem oferecido diretrizes que “contribuem para o exercício do voto consciente e responsável”. A parceria entre governo democraticamente eleito e a sociedade é fundamental para colocar o país no caminho da dignidade e respeitabilidade.

A hora é de exercício consciente da cidadania, de participação do processo eleitoral escolhendo pessoas que encarnem valores da ética e do compromisso com a sociedade; políticos “ficha-limpa” que não precisam de falsos recursos como o de “salvadores da pátria”.

A campanha eleitoral é oportunidade para empenho de todos na reflexão sobre o que precisa ser levado adiante com responsabilidade e o que deve ser modificado, em vista de um Projeto Nacional com participação popular. Por isso, incentivamos a que todos participem e expressem, através do voto ético, esclarecido e consciente, a sua cidadania nas próximas eleições, superando possíveis desencantos com a política, procurando eleger pessoas comprometidas com o respeito incondicional à vida, à família, à liberdade religiosa e à dignidade humana. Em particular, encorajamos os leigos e as leigas da nossa Igreja a que assumam ativamente seu papel de cidadãos colaborando na construção de um País melhor para todos (CNBB 2010).

As orientações deste ano através da Mensagem da CNBB “Pensando o Brasil: desafios diante das Eleições 2014” visam conscientizar as pessoas sobre o voto com responsabilidade, ou seja, convocar os cidadãos para que se preparem conscientemente para o momento da eleição; que votem em pessoas que tenham princípios e valores e descubram os que se comprometem com a reforma política do país.

Precisamos de bons políticos, capazes de fazer as reformas necessárias para o desenvolvimento de Rondônia e de nosso país. Somente o voto consciente fará a grande diferença nos resultados das eleições. Por isso, nunca é demais lembrar que “o eleitor consciente deve conhecer o passado de seu candidato e averiguar se o discurso e a prática por ele apresentados se conformam aos valores da ética e do bem comum” (CNBB 2014).

É preciso também exercer a missão profética de todo cristão e manter uma atitude de fiscalização e vigilância. Diante de irregularidades, é necessário denunciar. O silêncio e a omissão também são responsáveis pela deterioração da democracia.

Vender o voto é crime e todo cidadão deve fiscalizar e denunciar: o serviço conhecido como ””Disque Denúncia Eleitoral” tem o apoio do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral e recebe as denúncias de irregularidades e crimes eleitorais de qualquer parte do país (tel.0800-8810278).

Seu voto é precioso; valorize-o, pois é ele que decide a vida pública do nosso País e de nosso Estado. Ao analisar todos os critérios para votar em um candidato leve em conta a defesa da dignidade da pessoa e da vida em todas as suas manifestações desde a sua concepção até o seu fim natural com a morte; a defesa da família como primeiro lugar no qual a pessoa cresce e se realiza; a liberdade de Educação pela qual os pais têm o direito de educar os filhos segundo a visão da vida que eles julgam mais adequada; o princípio da solidariedade segundo o qual o Estado, as famílias e as pessoas devem ter uma particular atenção aos pobres, àqueles que são injustamente menos favorecidos e mais explorados; o princípio de subsidiariedade segundo o qual uma realidade maior, como a União, o Estado e o próprio Município, não devem impedir e substituir tudo aquilo que pode ser feito por uma realidade menor como as famílias e as agregações sociais intermediárias; o compromisso dos candidatos na construção da cultura da paz em todos os níveis, particularmente na educação, saúde e defesa da infância e adolescência.

Por fim, é indispensável o acompanhamento dos candidatos eleitos e o engajamento em prol de uma efetiva reforma política. Há sempre tempo para encontrarmos o rumo e nos colocarmos a caminho com esperança.

Nesta Semana Nacional de Luta pela Reforma Política Democrática, participemos da 16ª edição do Grito dos Excluídos, com o lema "Ocupar ruas e praças por liberdade e direitos”, sempre sublinhando o tema da "vida em primeiro lugar”. Duas Campanhas serão intensificadas nesta semana: A Coleta de Assinaturas pela aprovação do Projeto de Lei de Iniciativa Popular da Reforma Política Democrática e Eleições Limpas e o Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político.

Preparemo-nos para o “Debate sobre o valor do voto”, promovido pela Arquidiocese de Porto Velho, que vai acontecer no dia 12 de setembro, no auditório da Catedral, das 19 às 21h. Todos os segmentos da sociedade são convidados. Participem!

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Liga dos Camponeses Pobres terá o 6° congresso em Jaru, Rondônia

Os dias 27 e 28 de setembro de 2104 a Liga dos Camponeses Pobres celebrará o seu 6° Congresso em Jaru. Publicamos aquí a convocatória recebida. 


domingo, 24 de agosto de 2014

Grito por direitos e reforma política!

"Atualmente, a população vota, mas quem elege é o poder econômico,
 pois o candidato pode ser financiado por empresas"


Palavra de Dom Moacyr Grechi – Arcebispo Emérito de Porto Velho
Matéria 434 - Edição de Domingo – 24/08/2014

Grito por direitos e reforma política! 

Quando a CNBB convocou as entidades da sociedade civil para propor o Projeto de Lei de Iniciativa Popular pela Reforma Política, a Coalizão pela Reforma Democrática e Eleições Limpas iniciou a Campanha e Coleta de assinaturas em favor do projeto. O que une tantas entidades é o consenso de pontos fundamentais presentes no projeto.

Destacamos no conjunto de propostas do Projeto de Lei: a proibição do financiamento de campanha por empresa. Instauração do financiamento democrático de campanha, constituído do financiamento público e de contribuição de pessoa física limitada a R$ 700,00. Adoção do sistema de “voto transparente” pela introdução de dois turnos de votação também nas eleições proporcionais (deputados e vereadores): o eleitor vota primeiramente no partido e depois escolhe um dos nomes da lista; alternância de gênero nas listas de candidatos do item anterior. Regulamentação dos instrumentos da Democracia Participativa, reduzindo-se as exigências para a sua realização e facilitando-se sua tramitação no Congresso; fortalecimento e democratização dos partidos, para impor programas partidários efetivos e vinculantes; aumento da participação política de afrodescendentes e indígenas; criação de instrumentos que assegurem equilíbrio do pleito entre todos os partidos e candidatos (Ihu).

Atualmente, a população vota, mas quem elege é o poder econômico, pois o candidato pode ser financiado por empresas; por isso, a proibição do financiamento de campanha eleitoral por empresas está incluída no projeto. Dessa forma, o candidato eleito deixará de defender interesses corporativos para atender o povo que o elegeu.

Enquanto a Coalizão pela Reforma Democrática e Eleições Limpas promove a coleta de assinaturas em favor do projeto de Lei de Iniciativa Popular, a Plenária Nacional dos Movimentos Sociais Brasileiros organiza o Plebiscito Popular em favor da convocação de uma Constituinte exclusiva. São duas iniciativas da sociedade civil de grande valor, que se reforçam mutuamente, sem divergências ou contradições entre elas.

A proposta da Plenária Nacional dos Movimentos Sociais Brasileiros visa realizar um Plebiscito Popular sobre a convocação de uma Assembleia Constituinte exclusivamente para fazer a Reforma Política. Embora não tenha valor jurídico, por não ser reconhecido oficialmente, o plebiscito tem força moral quando recolhe um número significativo de votos. Basta lembrar o resultado positivo dos plebiscitos populares sobre a Dívida Externa e sobre a ALCA, que se converteram em força de pressão da sociedade sobre o governo. Também este poderá ser um valioso instrumento em favor da convocação de uma Assembleia Constituinte capaz de fazer a Reforma Política sem submeter-se aos interesses corporativos dos membros do Congresso Nacional. Como quem organiza o plebiscito popular é o povo, ele não tem valor legal, mas tem peso político na correlação de forças. Comitês populares e outros locais foram criados para organizar a campanha de votação do Plebiscito e a coleta de assinaturas da iniciativa popular de 01 a 07 de setembro.

Para o sociólogo e consultor do ISER, Pedro Ribeiro de Oliveira, que nos ajuda a refletir o tema, as duas propostas se complementam: a 1ª busca efetividade, pois projeto de lei de iniciativa popular respaldado por quase dois milhões de assinaturas tem muito peso no Congresso. A 2ª promove a conscientização política, trazendo para toda a sociedade o debate de questões que a mídia insiste em esconder ou deturpar. Como não existe contradição, temos que unir forças evitando qualquer desqualificação das propostas.

O 20º Grito dos Excluídos programado para o dia 7 de setembro tem como tema neste ano: “Ocupar ruas e praças por liberdade e direitos”. O tema está ligado à Campanha da Fraternidade de 2014: “Fraternidade e Tráfico Humano”.

Serão vários gritos para denunciar as desigualdades sociais em todo o país. Visam fortalecer tanto a Campanha e Coleta de assinaturas em favor do Projeto de Lei de Iniciativa Popular pela Reforma Política como o Plebiscito Popular em prol da convocação de uma Constituinte organizada pelos Movimentos Sociais.

Historicamente, o Grito dos Excluídos se define como um conjunto de manifestações populares realizadas no Dia da Pátria, a fim de chamar à atenção da sociedade para as condições de crescente exclusão social na sociedade brasileira. É um espaço de participação livre e popular, em que os próprios excluídos, junto com os movimentos e entidades que os defendem, trazem à luz protestos e anseios por mudanças. É um espaço de animação popular e profecia, sempre aberto e plural a pessoas, grupos, entidades, igrejas e movimentos sociais comprometidos com as causas dos excluídos.

Constitui-se numa mobilização com três sentidos: denunciar o modelo político e econômico que, ao mesmo tempo, concentra riqueza e renda e condena milhões de pessoas à exclusão social; tornar público, nas ruas e praças, o rosto desfigurado dos grupos excluídos, vítimas do desemprego, da miséria e da fome; propor caminhos alternativos ao modelo econômico neoliberal, de forma a desenvolver uma política de inclusão social, com a participação ampla de todos os cidadãos.

As atividades são as mais variadas: atos públicos e ecumênicos, romarias, celebrações especiais, seminários e cursos de reflexão, blocos na rua, caminhadas, teatro, música, dança, feiras de economia solidária, acampamentos, e se estendem por todo o território nacional.

O Grito nasceu de duas fontes distintas, mas, complementares. De um lado, teve origem no Setor Pastoral Social da CNBB como uma forma de dar continuidade à reflexão da CF de 1995, cujo tema era “Fraternidade e Excluídos”. De outro lado, brotou da necessidade de concretizar os debates da 2ª Semana Social Brasileira (1993-1994), com o tema “Brasil, alternativas e protagonistas”.

Apesar de ter surgido nas bases da Igreja Católica, através do Grito dos Excluídos os agentes e lideranças das diversas entidades, movimentos sociais, CEBs e organizações abrem um canal visível, amplo e democrático para dar voz e vez aos excluídos das mais diversas áreas, congregando várias causas.

Em setembro do ano passado, a 5ª Semana Social Brasileira, ao debater sobre o “Estado para que e para quem”, deu vez ao conjunto da sociedade, bem como dos povos e comunidades impactadas pelas políticas do Estado, em sintonia com os clamores das ruas e suas reivindicações, reconhecendo que estes são novos sujeitos políticos no processo de construção da sociedade, mediante a solidariedade, fraternidade e sustentabilidade para garantir vida plena às gerações presentes e futuras.

Reconhecendo os avanços que a sociedade conquistou nas últimas décadas, conscientes de que essas vitórias estão ameaçadas, os participantes se comprometeram na refundação de um Estado de inclusão e de igualdade social. O protagonismo dos movimentos sociais garantirá um Estado que se fundamente na democracia direta, participativa e representativa.

Os sinais de esperança presentes na sociedade e nas igrejas apontam para uma nova sociedade, fortalecem nossa fé e o nosso compromisso de promover a formação para a cidadania, apoiando a proposta da Coalizão Democrática pela Reforma Política e Eleições Limpas e da convocação de um plebiscito para uma Assembleia Nacional Constituinte exclusiva.

Compromisso de apoiar a Reforma Agrária, a agricultura familiar e agroecológica; o reconhecimento dos territórios dos Povos Originários e Comunidades Tradicionais: camponeses, indígenas, quilombolas, ribeirinhos, pescadores artesanais, extrativistas, recicladores, e demais grupos sociais fragilizados, cujos direitos são garantidos pela Constituição Federal e que não são cumpridos.

Compromisso de garantir a efetivação dos Conselhos de Juventudes para o controle social das políticas públicas; assumir a campanha contra o extermínio de jovens, principalmente pobres e negros; contra a redução da maioridade penal e a violência às mulheres. Incentivar políticas de defesa civil, com participação da sociedade, para a prevenção dos impactos socioambientais dos projetos desenvolvimentistas e a proteção e garantia de direitos das populações afetadas (Carta Final da 5ª SSB).

sábado, 23 de agosto de 2014

Incra ganha após ser acusado por danos em ocupação terra em Ariquemes

O INCRA, após perder uma ação na justiça, onde pedia a retomada de domínio de terras públicas dos Seringais Novo Mundo e São Salvador, tidos como localizados em área pública e federal, sofreu uma condena na justiça federal pelo Juiz Herculano Nazif em 01 de março de 2013, culpando INCRA de incentivar a ocupação das terras e o IBAMA de omissão na fiscalização da área por extração clandestina de madeiras. 

A fazenda Novo Mundo tinha sido declarada de interesse social para fins de reforma agrária pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso em 1995
Após ser recorrida a decisão da Justícia Federalde Porto Velho,  por uninimidade a 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região derrubou sentença de Herculano Nazif, que havia condenado a União a pagar indenização de R$ 226 milhões aos donos de duas propriedades ocupadas por um movimento social em Rondônia.
A determinação valia ainda para o Instituto Nacional de Colonização de Reforma Agrária (Incra) e para o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), entendedo que as autarquias federais não podem ser responsabilizadas por ocupações em terras particulares.
A Fazenda Novo Mundo, localizados nos municípios de Ariquemes e Machadinho d’Oeste, foram ocupados em 2002 pela Liga dos Camponesa Pobres. Integrantes do movimento foram acusados pelos fazendeiros de desmatar madeira durante cinco anos com conivência do Ministério do Desenvolvimento Agrário e do Incra, enquanto o Ibama foi omisso na fiscalização dos danos e da comercialização irregular de produto florestal retirado das propriedades.
Segundo a sentença, o INCRA foi acusado de
 " interferências na ação de reintegração de posse dos imóveis descritos na inicial a ampliação da invasão e dosdanos causados às propriedades. Argumentam que tal incremento decorreu da relação que a autarquia agrária mantinha com os invasores, efetuando o cadastramento destes junto ao seu banco de dados na qualidade de beneficiários do programa de reforma agrária, fornecendo cestas básicas e créditos as famílias acampadas (como se já fossem beneficiários do projeto de reforma agrária), bem como distribuindo lotes no interior da fazenda".
Para o juiz federal Herculano Martins Nacif, da 5ª Vara Federal de Porto Velho, “o Incra incentivou a invasão da propriedade quando ali quis implementar, de forma precária e por sua conta e risco, um projeto de assentamento agrário, fazendo a triagem e cadastramento das famílias invasoras, fornecendo alimentos (cestas básicas), enfim, criando uma injusta expectativa nos invasores de que a terra a eles seria destinada”.
Segundo a sentença, o ministério “tentou de todas as formas que os invasores permanecessem na propriedade”, e “nenhuma atitude foi tomada pelo Ibama nesses mais de cinco anos de desmatamentos desordenados e ilegais, mesmo tendo sido notificado por mais de dez vezes da prática das ilicitudes”.
Já os procuradores e advogados que aturam no caso alegaram ao TRF-1 que não existe nexo de causalidade no pedido de indenização, sob o argumento de que os atos foram praticados por terceiros. Segundo o juiz federal Carlos Eduardo Castro Martins, relator convocado, “nenhuma ação ou omissão dos entes estatais foram a causa necessária, direta e imediata dos danos ambientais e dos prejuízos suportados”.
“Acolher a pretensão das autoras nesse sentido seria o mesmo que admitir que todo e qualquer dano referente à extração ilegal de madeira e ao desmatamento seria de responsabilidade patrimonial da referida autarquia [Incra], o que certamente beira o absurdo!”, afirmou o relator. A decisão foi unânime. Com informações da Assessoria de Comunicação da Advocacia-Geral da União.

Clique aqui para ler o acórdão.
2009.41.00.001826-1
Fonte CONJUR

Machadinho D'Oeste recebe o Mutirão de Documentação do MDA

O Programa Nacional de Documentação da Trabalhadora Rural realiza o Mutirão de Documentação em Machadinho D'Oeste até o dia 29 de agosto (cronograma abaixo) para atendimento às agricultoras e seus familiares nos assentamentos da Reforma Agrária.

Promovido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o programa conta com a parceria da diversas instituições para levar até a população rural a emissão de documentos civis e trabalhistas.

Informação e Cidadania

Além da emissão de documentos, são realizadas ações que levam informação e permitem aos moradores do meio rural acessar as políticas públicas que têm direito enquanto cidadãos, como palestras educativas sobre direito previdenciário, licenciamento ambiental, linhas de crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e assistência técnica rural.

No mutirão são emitidos registros de nascimento, Carteira de Trabalho e Previdência Social, Cadastro de Pessoa Física, Carteira de Identidade, Cartão do SUS, Carteira de Pesca Profissional Artesanal, cadastros para emissão de DAP’s, emissão de Nota da Produtora Rural, registro no Instituto Nacional de Seguridade Social, concessão de benefícios de aposentadoria e salário maternidade, além de serviços prestados à comunidade como fotos e fotocópias. 

Participam servidores do Incra, MDA (Dfda), MTE, MPA, INSS, Secretaria de Estado da Segurança Defesa e Cidadania (Sesdec-RO), SEAS, UNIR  e Emater.

Cronograma

DATA: 21-08-2014 (quinta-feira)
LOCAL: ESCOLA MUNICIPAL ROBERTO MARINHO – LINHA MA-16
ABRANGÊNCIA:  PA PALMA ARRUDA – PA ASA DO AVIÃO – PA PEDRA REDONDA – PA MACHADINHO (GLEBA 1) – PA JOSÉ CARLOS – RIBEIRINHOS E EXTRATIVISTAS – MUNICÍPIO VALE DO ANARI

DATA: 22, 23 E 24 (ATÉ ÀS 12H) (sexta-feira, sábado e domingo)
LOCAL: DISTRITO ESTRELA AZUL - ESCOLA MUNICIPAL ONOFRE DIAS
ABRANGÊNCIA: DISTRITO ESTRELA AZUL - PA TABAJARA I – PA TABAJARA II – PA LAJES – PA BELO HORIZONTE – PDS CERNAMBI – RESERVAS EXTRATIVISTA RIO PRETO JACUNDÁ – RIBEIRINHOS – TD URUPÁ – VILA TABAJARA

DATA: 25, 26 E 27-08-2014 (segunda, terça e quarta-feira)
LOCAL: CRECHE MUNICIPAL – AO LADO DA ESCOLA BOM FUTURO
ABRANGÊNCIA: CIDADE E ENTORNO, REGIÃO CHACAREIRA – PA AMIGO DO CAMPO – PA MACHADINHO – PA LAJES – ACAMPAMENTO GONÇALO

DATA: 28 E 29-08-2014 (quinta-feira e sexta-feira)
LOCAL: DISTRITO 5º BEC – ESCOLA MUNICIPAL VISCONDE DO RIO BRANCO
ABRANGÊNCIA: DISTRITO 5º BEC – VILA ORIENTE NOVO – PA MACHADINHO – PA CEDRO DO JEQUITIBÁ – PA UNIÃO – PA MARIA MENDES – ACAMPAMENTO CANAÃ II – VALE DO ANARI – DISTRITO ALTO ALEGRE

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Preso suspeito de envolvimento na morte de Adelino Ramos

Luis Vicente "Machado". foto divulgação.
Atualizado 23/8/14. Foi preso o dia 14 de agosto de 2104 madeireiro e perigoso pistoleiro, tido como chefe de quadrilha envolvido em tráfico clandestino de madeira no PAF Curuqueté (município de Lábrea, sul do Amazonas), Luis Vicente,  acusado de participar no homicídio de Luiz Ney de Lima o dia 21 de Junho de 2104, em Vista Alegre do Abunã.

Suspeito de envolvimento na morte de Adelino Ramos
Luiz Vicente, mais conhecido na região como "Luiz Machado", era o irmão mais velho do falecido Ozias Vicente, acusado de ser o matador de Adelino Ramos, conhecida liderança sem-terra do Movimento Camponês de Corumbiara. em 27 de maio de 21011.
Conhecido pelo apelido de "Buriti" durante a época do massacre de Corumbiara, do qual foi sobrevivente, Adelino Ramos era conhecido como "Dinho" após ser fundador e presidente do Movimento Camponés de Corumbiara (MCC).  O motivo da morte de Adelino foi atribuído a que vinha denunciando a extração ilegal de madeira na região.

Em relação ao assassinato do líder camponês já tinham sido presos e 08 de junho de 2011 como suspeitos Zaqueu Jesus de Souza, Pedro Jesus de Souza, Marcos Antônio Rangel, Odair Pinheiro Cunha e Jobe Vicente, irmão també de Ozias Vicente. Na época Luiz Machado conseguiu fugir da ordem de busca e captura.
Posteriormente todos foram soltos, inclusive o suposto autor material do homicídio, Ozias Vicente, que pouco depois também foi assassinado, vítima de queima de arquivo, em Vista Alegre de Abuná, o dia 15 de janeiro de 2012.
Com a moret de Ozias, o processo de investigação do homicídio de Adelino Ramos foi arquivado pouco depois.
Luis Vicente "Machado", após a morte do irmão Ozias, passou a ameaçar as lideranças e a todos os moradores do PAF Curuqueté (Lábrea, AM), assentamento onde Adelino era presidente antes de morrer.
O novo presidente da Associação do PAF Curuqueté também foi ameaçado de morte, e recebeu proteção do programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, porém após sofrer contínua perseguição de Luis Machado, foi obrigado a desistir de ser assentado no PAF Curuqueté e a se refugiar longe daquela área, sem que até agora tenha conseguido ser assentado em outro local.

Detido por novo homicídio 
Segundo informações recentes no dia 21 de julho de 2014 o senhor Luiz Ney de Lima foi vítima de homicídio em Vista Alegre do Abunã. Segundo apurou a polícia de Extrema, várias pessoas estariam envolvidas no referido homicídio. Segundo informações locais, Luiz Ney era conhecido na região como empreiteiro de derrubadas da floresta e também elemento perigoso.
Na sexta-feira (25/07), apenas quatro dias após o crime, a Polícia Civil com apoio da Polícia Militar prendeu Weslei Santos, Ademilson Duarte e Gleisson Ramos, suspeitos da morte de Luiz Ney.
No dia 14/08/2014 a Polícia Civil de Extrema/RO também conseguiu cumpriu mandado de prisão de Luis Vicente, conhecido como Luis Machado, como envolvido no homicídio de Ney. Luiz Vicente, era "considerado elemento de alta periculosidade". Famoso por ter escapado de diverso intentos de prisão, para evitar suspicácias, os agentes se apresentaram no local onde estava o suspeito disfarçados de cabos eleitorais. 
Segundo a informação citada apurou-se, que "Luis Vicente é suspeito de ser integrante de quadrilha de pistoleiros que atuam naquela região, e existem fortes indícios de que o mesmo esteja envolvido com outros homicídios". "A Polícia Federal já tentou prendê-lo durante uma operação ocorrida em 2011, mas não obteve êxito".
Na época, a "Operação Dinízia" da Polícia Federal prendeu, além do irmão do deputado Lebrão, o patrão de Ozias Vicente Machado, (irmão de Luis Vicente Machado), o acusado de ter assassinado em Vista Alegre do Abunã, o líder-sem terra Adelino Ramos.
Segundo as informações anteriores, a foto de Luis Vicente está sendo divulgada por interesse público visando esclarecer outros supostos crimes. Qualquer informação poderá ser passada ao número 197 (Disque-Denúncia da Polícia Civil).

Grilagem de terras e extração ilegal de madeira no Sul do Amazonas.
Luis Machado seria um dos cabeças da quadrilha que terroriza a região de Vista Alegre do Abuná, junto com outros conhecidos pistoleiros,  como o "Zé do Brejo", (atuante em São Francisco e São Domingos do Guaporé e acusado de ter queimado 80 barracos se sem terra no atual PA Flor da Amazônia, em Candéias do Jamari).  "Márcio de Tal", tido como suspeito do desaparecimento do agricultor Dácio, de Extrema em 2010, e o "Pit Bull", de Nova Mamoré, perseguidor de lideranças do PA Gedeão em Nova Califórnia.

Oito madeireiros foram presos na operação da Polícia Federal em 08 de junho de 2011em Vista Alegre do Abuná, Porto Velho. Entre eles o irmão do Deputado José Eurípedes Clemente, o Lebrão; e também José Genário Macedo, o patrão de Ozéias Vicente, o matador do Dinho; todos eles acusados de manter um esquema de retirada clandestina de madeira.
A maioria dos madeireiros tinham se estabelecido em Vista Alegre do Abuná após ter acabado com a madeira em São Francisco e São Domingos do Guaporé, na região da BR 429 de Rondônia.
A Polícia Federal em Rondônia prendeu na época o irmão do deputado estadual José Eurípedes Clemende, o Lebrão, do PTN. O empresário Pedro Amarildo Clemente foi preso juntamente com mais sete madeireiros, acusados de grilagem de terras da União na região da Ponta do Abunã (Vista Alegre, Extrema, Nova Califórnia) e Lábrea (AM). 
Entre os detidos em um presídio estadual de Porto Velho, estava José Genário Macedo, conhecido como "Ceará Popó", que seria patrão do suspeito da morte do líder camponês Adelino Ramos (Dinho).

Associação Ruralista do Jequitibá
Na época o delegado federal Cezar Luiz Busto de Souza, superintendente regional da Polícia Federal, disse que a PF desarticulou, nequela operação, uma organização criminosa que funcionava com o nome de Associação Ruralista do Ramal Jequitibá, inclusive cobrando pedágios para circulação de veículos na região, ameaçando policiais federais, desmatando, extraindo madeira ilegalmente e ocupando terras da União como se fossem dos membros do “condomínio criminoso”.
A Polícia Federal apurou que o esquema criminoso envolvendo o irmão do deputado Lebrão e o patrão do suposto pistoleiro Ozias Vicente , além de mais seis grandes madeireiros da região, já havia retirado dois mil caminhões com 25 metros cúbicos de madeira cada um, ou 45 mil metros cúbicos, devastando uma área de 1.500 hectares, o equivalente a 1.500 campos de futebol – terra arrasada pela “associação”. Pela circulação de cada caminhão ,o “condomínio” cobrava R$ 30 de pedágio.
Segundo o delegado, foram apreendidas provas robustas contra os integrantes da suposta quadrilha, que e atuaria na região desde 2009. O delegado federal disse pairar a suspeita de que a “associação” mantinha o esquema criminoso na base da força, da ameaça e até do uso de pistoleiros. Olheiros da quadrilha eram mantidos em alerta em toda a região de Vista Alegre do Abunã, portando rádios e telefones clandestinos, não autorizados pela Anatel, para alertar os criminosos da presença de policiais ou de fiscais ambientais. 
Arte do plebiscito 2010, consulta plebiscitária sobre a criação do município de Extrema de Rondônia, região conhecida como Ponta do Abunã.

A Ponta do Abuná.
A região de Vista Alegre do Abuná, Extrema e Nova Califórnia é uma estreita faixa de terras pertencente ao município de Porto Velho, no estado de Rondônia, situada entre a Bolívia, Sul de Amazonas e Acre. Após uma rixa entre o Acre e Rondônia por este território, a região reivindica a criação de um novo município separado de Porto Velho.
No dia 28 de fevereiro de 2010 foi realizada, em todo o município de Porto Velho, uma consulta plebiscitária sobre a criação do município de Extrema de Rondônia, região conhecida como Ponta do Abunã. A região definida como Ponta do Abunã é formada pelos distritos de Nova Califórnia, Vista Alegre do Abunã, Fortaleza do Abunã e Extrema.
O local é um foco de penetração de desmatamento, grilagem de terras e extração clandestina de madeira e vanço da fronteira agrícola para as florestas do sul do muniípio de Lábrea, no estado de Amazonas.
Sem quase nenhuma presença policial e de serviços do estado amazonense, a região tem se convertido em área de ausência do estado, refúgio e domínio de maleantes.
Tudo indica que o esquema de grilagem de terras, desmatamento e extração clandestina de madeira continua funcionando até agora no local. 

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Doze casas queimadas em Candeias do Jamari, Rondônia.


Casa de madeira incediada na Linha 25 de Candéias do Jamari, em Rondônia. foto posseiros
Vinte e cinco famílias de posseiros foram despejados e doze deles tiveram suas casas queimadas na Linha 25 no município de Candéias do Jamari, em Rondônia. Os fatos aconteceram durante uma reintegração de posse ordenada pela 2ª Vara Cível de Porto Velho.

A reintegração aconteceu dentro de área que pertence ao Projeto de Assentamento Sustentável Jequitibá, atingindo um grupo de moradores que tem documento de posse emitida por Eustáquio Chaves Godinho, auxiliar da Super Intendência do INCRA em 13 de Fevereiro de 2003.
A reintegração de posse, segundo documento do próprio oficial de justiça, Jadiel da Silva Almeida, foi solicitada por Jandiro Balduino, Ledson Crispim Amaro, Wilton Crispim Amaro, Gidevaldo José da Silva e Sebastião Flávio Batista. 
Segundo os posseiros numerosos bens foram roubados, entre eles motoserra e outros equipamentos. Segundo o oficila de justiça diversos pertences retirados das moradias foram recolhidos por Wilton Crispim Amaro, sem que nenhum deles fosse entregue aos seus proprietários. O próprio oficila de justiça elenca ferramentas agrícolas como facões, enxadas, boca de lobo, mosquiteiros, panelas, cercas, lonasde plástico, roupas, e fogão. O Sr. Jânio Pereira Basílio recolheu carrinho de mão, lona, colchão, cadeiras de plástico, facas, martelo, garrafa de madeira, cômodas de madeira e vasilhames de plástico. 
Restos de outra casas incendiada na Linha 25 do
PAD Jequitibá. foto posseiros
As casas de madeira e de palha foram arrombadas e destruídas pelos Sr. Sebastião Flávio Rodrigues e Wilton Crispim Amaro, segundo consta na própria certidão do oficial de justiça, que cita a reintegração de 09 lotes e destruição de 6 casas dos posseiros. Segundo os posseiros, o total de casas destruídas foi de 12 casas queimadas. 
Em uma das casas dos posseiros, ocupada pelo sr. Benedito Jordão dos Santos, não foi realizada reintegração por falta dos equipamentos necessários para retirada da casa de madeira com diversos móveis no seu interior, cerca de 15 cabeças de gado, além de criação de porcos e galinhas.
Casa incediada. Foto posseiros.
Em reunião com o superintendente do INCRA, foi decidida a realização de uma vistoria no local, que foi realizada esta semana. Segundo os posseiros, o advogado do grupo pretende pleitear o reconhecimento da justiça federal como autoridade competente na área, por se tratar de terra pública federal sob posse do INCRA. 
Casas com sinais da destruição após a reintegração de posse. foto posseiros
Restos da destruição criminal das casas dos posseiros. foto posseiros.
Poço danificado. foto posseiros.
Segundo os posseiros no local há famílias com crianças. Apesar do qual o MP não foi consultado, nem pelo fato de tratar-se de conflito agrário, como deveria ter sido atendido pela justiça estadual. Também não foi comunicada a reintegração para a Ouvidoria Agrária do Incra de Rondônia. 
Servidores do INCRA realizando vistoria.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Como você tem coragem, Dilma?

Como você tem coragem, Presidenta Dilma, de vir gravar propaganda eleitoral nas Usinas do Madeira de Rondônia? 

Dilma em visita as enchentes de Porto Velho em março de 2014. foto rondoniavivo
A Sra. irá visitar as centenas de famílias refugiadas em tendas de lona, após terem as casas alagadas e destruídas pelo rio Madeira? Os ribeirinhos do Baixo Madeira que não sabem onde refazer suas casas?

O desastre das enchentes sofridas este ano confirmou que a construção das duas grandes hidrelétricas (Jirau e Santo Antônio) foram sem o necessário rigor e seriedade social e ambiental. Que o governo continua empurrando "goela abaixo" da Amazônia e dos seus povos tradicionais, com teimosia em Belo Monte e em outros tantos projetos (Tapajós, Teles Pieres, ...). Numa região tratada como colônia, explorada sem dor com apoio do governo federal. 

Este ano em Porto Velho vimos os resultados da irresponsabilidade: O bairro tradicional do Triângulo desabando literalmente dentro do rio, afundando junto com os trilhos da centenária Ferrovia Madeira Mamoré.

A região de Abuná e Guajará Mirim isolados, o estado do Acre inteiro isolado por causa das usinas. Após as águas dos reservatórios subir 1,5 m. acima do previsto na estrada BR-364. Os engenheiros erraram feio!

Terão indenização as centenas de famílias atingidas fora do previsto, com as casas alagadas, inclusive casas das famílias que já tinham sido "remanejados" em novas casas de placas em Jaci Paraná.

E ainda considera investimento para Rondônia os bilhões do PAC destinados a geração e transmissão de energia elétrica para as indústrias exportadores electrointensivas de São Paulo?

Com centenas de espécies de peixes migratórios barrados, impedidos de subir o rio e desovar nas bacias dos rios Guaporé, Mamoré, Beni e Madre de Dios?

Falando que tudo foi apenas um "fenômeno natural", após a construção de suas usinas patrolando por cima todas as precauções ambientais necessárias?

Sem falar do aumento de dengue, acidentes de transito, aumento de prostituição, de tráfico e uso drogas e de delinquência?

Criação de assentamentos improdutivos e sem reserva legal, como o Reassentamento Santa Rita. Assentados não realocados, como os de Joana d' Arc, apesar de meses de protestos e mobilizações. Centenas de desempregados em novas ocupações, pedindo um pedaço de terra para sobreviver.

Após os indígenas não serem consultados e a Funai reconhecer que existem indígenas isolados, sim, na margem esquerda atingida pela usina de Jirau... apenas depois da construção da mesma!

Empresas do PAC na lista suja do trabalho escravo, com a Força Nacional reprimindo as reivindicações sindicais dos operários, e 11 deles desaparecidos após serem detidos pela polícia.

Com obras de compensação invisíveis e a infraestrutura de Porto Velho, como os viadutos da BR 364, começadas e inacabadas por quatro anos.

E ainda pretende, Presidenta Dilma, apresentar as Usinas do Madeira como grande trunfo do seu governo?

Josep Iborra Plans 
é agente da Comissão Pastoral da Terra e da Equipe da Articulação da Amazônia da CPT.

domingo, 17 de agosto de 2014

Assentamento "14 de Agosto" celebra 22 anos de luta

Na luta de classes todas as armas são boas, 

Pedras, noites, poemas... Paulo Leminski 


Horta sem veneno do Coletivo do 14 de Agosto. foto Alcione Sousa
As 57 famílias camponesas do Movimento Sem Terra (MST) do Assentamento 14 de Agosto, de Jaru, Rondônia, estão celebrando 22 de luta o dia 23 de agosto, na agrovila, km 2,5 a partir das 18:00 hs, com celebração, em seguida jantar, moda de viola e baile. 


esta não é só uma vitória de 57 famílias, nem apenas do mst, mas de toda a classe trabalhadora.


Lagoa no Assentamento 14 de agosto. foto Alcione Sousa

sábado, 16 de agosto de 2014

Seminário Estadual ATER e compra de alimentos de agricultores familiares.

CONVITE
As organizações Unicafes, Cresol Rondônia e FETAGRO convidam para o Seminário Estadual de ATER, a ser realizado nos dias 20 e 21 de agosto, no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ji-Paraná/Rondônia. A temática sobre assistência técnica é assunto que vem sendo tratado nos diversos espaços de defesa e representação das organizações da agricultura familiar, com o objetivo de melhorar a renda e a qualidade de vida das famílias rurais, por meio do aperfeiçoamento dos sistemas de produção, de mecanismo de acesso a tecnologias, recursos, serviços e renda, de forma sustentável. E, para reforçar esse propósito, o trará debates e análises sobre as potencialidades, desafios, perspectivas e concepção de ATER para a agricultura familiar em Rondônia.


PAA: Ampliado limite de compra de alimentos de agricultores familiares
O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) aumentou o valor de repasse feito aos agricultores familiares por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) nas modalidades de Compra com Doação Simultânea e Compra Institucional. A partir de agora, os agricultores poderão vender individualmente até R$ 6,5 mil por ano.
Em operações realizadas por meio de organizações econômicas (cooperativas ou associações), o limite da modalidade Compra com Doação Simultânea passou para R$ 8 mil. Já o limite de acesso anual por agricultor familiar da modalidade Compra Institucional passou para R$ 20 mil por órgão executor. As mudanças foram publicadas no Diário Oficial da União (DOU) na quarta-feira (13).
Também foi criada a modalidade Aquisição de Sementes, inclusive crioulas. Dessa forma, os agricultores familiares poderão vender até R$ 16 mil em sementes por ano e cada organização econômica fornecedora terá o limite de R$ 6 milhões.
Outro ponto importante do decreto é que o acesso dos agricultores familiares às modalidades do programa não será cumulativo, permitindo ao agricultor comercializar até o limite anual de cada modalidade. No caso da modalidade Doação Simultânea, o agricultor deverá optar por uma das unidades executoras (Conab ou Estado ou Município).
As outras modalidades – Compra Direta, Apoio à Formação de Estoques e Incentivo à Produção e ao Consumo de Leite – permanecem com os limites atuais de R$ 8 mil.
Fonte: MDS / FETAGRO

“Vinde e vede”: a vida pela fé!

Através da Assunção de Nossa Senhora ao céu compreendemos o imenso valor da vida humana, destinada a participar da vida eterna de Deus; a dignidade do corpo humano e ainda do corpo das realizações históricas e da matéria em geral; a grandeza que ganham os pobres e as mulheres à luz d’Aquela que foi exaltada, por ter sido precisamente pobre e mulher. E, por fim, a força particular que tem para as lutas sociais a esperança cristã enquanto confirmada pela Assunção da Virgem.
Representates da Igreja da Amazônia em Santarém. foto cpt ro
Palavra de Dom Moacyr Grechi – Arcebispo Emérito de Porto Velho
Matéria 433 - Edição de Domingo – 17/08/2014

“Vinde e vede”: a vida pela fé!

Celebramos neste domingo a solenidade da Assunção de Nossa Senhora, a seguidora imediata de Jesus na Glória, a “primeira depois do Único” em seu Reino.

Na liturgia, o apóstolo Paulo fala da ressurreição de Cristo e da destruição total da morte (1Cor 15,20-27) ajudando-nos a entender o sentido da trágica morte do candidato à presidência da república, Eduardo Campos, e seus companheiros de campanha. Acreditamos na imortalidade da vida, por isso oramos: seja feita, Senhor a vossa vontade, assim na terra como céu!

Os 124 mártires da Coreia, beatificados neste sábado (16/08), pelo Papa Francisco, deram a sua vida pela fé: foram torturados e mortos em odium fidei em 1791, nos primeiros tempos da introdução do cristianismo na Coréia. Assim, veneramos também os 103 mártires, canonizados em 1984 por João Paulo II.

A leitura do Apocalipse descreve a Igreja que foi perseguida e massacrada pelos romanos no 1º século até à vitória final de Cristo (Ap 11,19;12,1-10).

Nesta leitura, a Mulher representa a Igreja, novo Israel, o que sugere o número das 12 estrelas e o destruidor não tem a última palavra. Na pessoa de Maria a nova humanidade já é acolhida junto de Deus: Ó Deus que elevastes à glória do céu em corpo e alma a imaculada Virgem Maria, Mãe do vosso Filho, dai-nos viver atentos às coisas do alto, a fim de participarmos da sua glória!

O Evangelho da Visitação (Lc 1,39-56) apresenta Maria, a missionária que faz parte de nossa caminhada. Através docanto do Magnificat, o clamor dos pobres e o apelo de uma mãe que intercede pelo seu povo. Maria viveu sua peregrinação de fé como mãe de Cristo e dos discípulos, permaneceu ao pé da cruz em comunhão profunda, para entrar no mistério da Aliança (DAp 266).

Através da Assunção de Nossa Senhora ao céu compreendemos o imenso valor da vida humana, destinada a participar da vida eterna de Deus; a dignidade do corpo humano e ainda do corpo das realizações históricas e da matéria em geral; a grandeza que ganham os pobres e as mulheres à luz d’Aquela que foi exaltada, por ter sido precisamente pobre e mulher. E, por fim, a força particular que tem para as lutas sociais a esperança cristã enquanto confirmada pela Assunção da Virgem.

Dos 124 mártires coreanos beatificados pelo papa Francisco em sua visita à Coreia (14-18/8), o testemunho de que, “a partir das sementes lançadas pelos mártires”, uma colheita abundante de graça foi colhida naquela terra. Em seu encontro com os bispos, disse: “os senhores são os descendentes dos mártires, herdeiros do seu heroico testemunho de Fé em Cristo. Além disso, são herdeiros de uma tradição extraordinária, que teve início e cresceu amplamente graças à fidelidade, a perseverança e o trabalho de gerações de leigos. É muito significativo o fato de que a história da Igreja na Coreia tenha começado com um encontro direto com a Palavra de Deus”.

A Coreia do Sul é um país com grande crescimento do catolicismo em toda a Ásia, cerca 70% durante a última década. A Igreja católica coreana se caracteriza pelo fato de ter sido fundada e estabelecida apenas por leigos. Surgiu no início de 1600, a partir dos contatos anuais das delegações coreanas que visitavam Pequim, na China, nação que sempre foi uma referência no Extremo Oriente para troca de cultura.

“É necessário partir de uma consideração sobre o papel dos leigos na vida da Igreja; os leigos foram os verdadeiros protagonistas da história da Igreja na Coreia”, confirmou Dom Lazzaro You Heung-sik, Bispo de Daejeon.

O papa, além da beatificação dos 124 mártires coreanos, encontrou-se com a juventude asiática, e tratou sobre um dos temas sociais emergentes: a perseguição anticristã neste início de séc. XXI.

A Ásia é uma das regiões onde a violência é mais aguda. A perseguição anticristã mais cruel das últimas duas décadas irrompeu na Índia, em 2008, quando radicais hindus armados de facão fizeram uma ação em Orissa, matando cerca de 500 cristãos e milhares de feridos. Os mártires coreanos beatificados foram mortos entre 1791 e 1888. “Há mais mártires hoje do que nos primeiros dias da Igreja”, afirmou o papa. “Muitos de nossos irmãos e irmãs dão testemunho de Cristo, sendo perseguidos por isso”.

Neste mês vocacional o 3º domingo é dedicado à vocação à vida religiosa.

Os consagrados são chamados à prática dos conselhos evangélicos (PC 1), fielmente os observam, entregando-se de maneira particular ao Senhor, seguindo a Cristo que, virgem e pobre (Mt 8,20; Lc 9,58), redimiu e santificou os homens pela obediência até à morte de Cruz (Fl 2,8).

O ano de 2015 será dedicado à Vida Consagrada. A abertura acontece neste ano, dia 30 de novembro, 1º domingo do Advento, e no encerramento já está programada a Semana mundial da vida consagrada na unidade (24/01-2/2/ 2016).

Para o papa Francisco, a radicalidade é pedida a todos os cristãos, mas os religiosos são chamados a seguir o Senhor de uma forma especial. “Eles são homens e mulheres que podem acordar o mundo; a vida consagrada é uma profecia”.

Na festa de Santo Inácio de Loyola, aprofundou o significado de ser um religioso jesuíta: Cristo é a nossa vida! À centralidade de Cristo corresponde também a centralidade da Igreja: são dois focos que não se podem separar: não posso seguir Cristo, a não ser na Igreja e com a Igreja. Nós, jesuítas, não estamos no centro, estamos ao serviço de Cristo e da Igreja. Devemos ser homens radicados e fundados na Igreja: assim nos quer Jesus. Não pode haver caminhos paralelos nem isolados. Sim, caminhos de investigação, caminhos criativos, sim, isto é importante: ir rumo às periferias, às numerosas periferias. Por isso a criatividade é necessária, mas sempre em comunidade, na Igreja, com esta pertença que nos infunde a coragem para ir em frente. Servir Cristo é amar esta Igreja concreta, e servi-la com generosidade e espírito de obediência.

A Carta Circular “Alegrai-vos”, dirigida aos religiosos pela Congregação para os Institutos da Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, pede que dentro das limitações humanas, nas preocupações do dia a dia, os consagrados e as consagradas vivam a fidelidade e se convertam em testemunho luminoso, anúncio eficaz, companhia e proximidade para com as mulheres e homens do nosso tempo que procuram a Igreja como casa paterna.

Aos jovens que se preparam para a vida religiosa, o papa fala que representam a primavera da vocação, o período da descoberta, do discernimento, da formação. E ao tratar da missão, afirma que “as pessoas têm necessidade que testemunhemos a misericórdia, a ternura do Senhor, que aquece o coração, desperta a esperança, atrai para o bem”. Somente “a Cruz, sempre a Cruz com Cristo que garante a fecundidade da nossa missão”(Gl 6, 15). A missão é graça. E se o apóstolo é fruto da oração, nesta encontrará a luz e a força da sua ação. De contrário, a nossa missão não será fecunda; mais, apaga-se no próprio momento em que se interrompe a ligação com a fonte, com o Senhor. “A evangelização faz-se de joelhos”.

A Igreja da Amazonia surgiu no contexto do reordenamento da grande região amazônica com a criação das dioceses e prelazias sob os cuidados das várias congregações ainda presentes entre nós.

A dimensão missionária foi e continua sendo o eixo evangelizador de nossas Igrejas, porém carregadas das particularidades trazidas pelas ordens e congregações religiosas.

Neste contexto, nossas comunidades eclesiais foram gestando uma caminhada pastoral, com algumas características em comum, que expressam a vitalidade dos diversos carismas da Vida Religiosa aqui presente.

Frente aos novos desafios, as Congregações continuam assumindo a evangelização das pequenas comunidades eclesiais e as pastorais onde não há padres suficientes. São presença junto aos ribeirinhos e nas lutas pela terra. São referencias em todas as instancias pastorais e ajudam na formação das lideranças. Muitos testemunham com a própria vida, numa doação constante ao povo sofrido e amado da Amazônia.

“A vocação é para amar e servir” é o tema do Encontro Anual Vocacional da Arquidiocese de Porto Velho. E o convite que chega até nós é dirigido a todos os jovens, religiosos, famílias, vocacionados, catequistas e catequizandos.

Palestras e celebrações, musica e exposição vocacional fazem parte do encontro que vai acontecer na Quadra da Paróquia São Cristóvão no dia 31 de Agosto das 14h às 19h30min. Participe!

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Curso para enfrentamento ao Tráfico de Pessoas em Porto Velho


CURSO DE CAPACITAÇÃO DE MULTIPLICADORES PARA O ENFRENTAMENTO AO TRÁFICO DE PESSOAS – PORTO VELHO, RO – DE 4 A 7 DE SETEMBRO DE 201


Porto Velho, 8 de agosto de 14

A Rede Um Grito pela Vida em Porto Velho, em parceria com a Comissão Pastoral da Terra e a Pastoral do Migrante organiza o primeiro curso para a formação de multiplicadores para o enfrentamento ao tráfico de pessoas na Região Noroeste do Brasil.
O curso está sendo avaliado pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR), para que sejareconhecido como curso de extensão universitária, já com parecer favorável da reitora da UNIR.
Objetivo do curso é apresentar aos participantes a conjuntura nacional referente o “Tráfico de Pessoas em suas diferentes modalidades” visando à compreensão crítica da realidade regional e ao mesmo tempo, fornecer metodologias e elementos para a identificação de situações concretas de pessoas em situação de risco e encaminhamento, bem como acompanhamento das famílias afetadas e reintegração social.
O curso será realizado em Porto Velho, do dia 4 até o dia 7 de setembro de 2014, na casa de encontro “Betânia”, Rua Beira Sul, 7746 – Bairro Três Marias.
O curso é residencial, sem ônus para os/as participantes. O número de vagas é limitado.
Serão priorizados integrantes da Rede Um Grito pela Vida, da Comissão Pastoral da Terra, Pastoral do Migrante e pessoas que já atuam nesta área o, que por motivos profissionais ou pastorais, estejam interessados em se comprometerem com esta causa.
Encaminhar as inscrições até o dia 20 de agosto de 2014, enviando as seguintes informações: Nome Completo, número de CPF e RG, endereço completo e contato telefônico e e-mail.
Para maiores informações contatar a Rede Um Grito pela Vida ou a Comissão Pastoral da Terra – RO 
 A coordenação Ir. Gabriella Bottani


Novo convite da EFA do Cone Sul para o 12 de setembro.

Na área da futura EFA foi realizado um plantio em dezembro de 2013. foto aefacs
Cerejeiras, 14 de agosto de 2014. 

No dia 25 de julho comemoramos o Dia do Trabalhador Rural, data que constitui em um marco importante na luta pela terra e por outras bandeiras de luta para o campo no País. Entre essas bandeiras, está a educação do Campo, essencial para assegurar a cidadania, a qualidade de vida e o desenvolvimento sustentável desse campo. 

Devido o tempo de chuva não foi possível realizar o ATO comemorativo na luta pela construção da Escola Família Agrícola Cone Sul Manoel Ribeiro no dia 25 de julho 2014. 

Temos a honra de convidá-lo (a) para participar no 12 de setembro de 2014 as 09:00 horas, local: Km 2, ao lado do aeroporto, saída para Corumbiara, município de Cerejeiras, Rondônia. Sua presença é de grande importância para nós. 

Desde já externamos votos de estima e agradecimento.Atenciosamente.

DIONISIO MARTINS DE OLIVEIRA - Presidente da AEFACS 
AEFARO – ASSOCIAÇÃO DAS ESCOLAS FAMÍLIA AGRÍCOLA DE RONDÔNIA 
AEFACS – ASSOCIAÇÃO ESCOLA FAMÍLIA AGRÍCOLA CONE SUL 
Rua Nova Zelândia, Nº 2.008 CEP:76997-000 Cerejeiras –RO.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Movimento de Pequenos Agricultores reúne mulheres camponesas em Rondônia.



Camponesas do MPA RO em encontro em Alta Floresta do Oeste/RO. foto Lenir 

Encontro de Camponesas do MPA/RO
As camponesas do Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA de Rondônia reuniram-se nos dias 11 a 13 de agosto de 2014, no Centro Comunitário Católico de Alta Floresta do Oeste/RO, contando com a presença de mais de 100 camponesas, vindas de aproximadamente 20 cidades do Estado de Rondônia. 
O encontro foi momento de estudo, partilha de experiências, troca de sementes, troca de saberes e aprendizagens, permitindo através do trabalho coletivo construir novos conhecimentos para serem utilizados pelas camponesas em suas propriedades. 
As atividades iniciaram no dia 11 com almoço, reflexão e debate sobre a diversificação da produção e planejamento da propriedade, onde cada camponesa pode identificar as diversidades de produção existentes em suas propriedades e mostrar o seu sonho de propriedade, identificando a necessidade de sair do monocultivo e produzir para a família alimentar com qualidade. Na partilha coletiva dos sonhos, as camponesas reafirmaram o desejo de morar no campo com produção diversificada, com tecnologia aplicada ao campo, com casa, energia, transporte e educação de qualidade para seus filhos e filhas. 
No segundo dia foi retomado o planejamento da propriedade, estudos em grupo sobre os empecilhos para a produção camponesa, assim como foi realizado a troca de experiências sobre produção e diversidade, também foi o espaço para reafirmar que o Agrotóxico é inimigo do camponês, identificando as empresas que produzem agrotóxicos e a importância de se produzir de forma limpa e manter as sementes crioulas e seus cuidados como conhecimento camponês a ser partilhado e transmitido por todas as gerações. 
Por ser dia 12 de agosto, as camponesas fizeram durante a noite uma homenagem a Margarida Alves, camponesa, sindicalista paraibana, assassinada em 12 de agosto de 1983, a homenagem chamada de “Noite das Margaridas” - lembrou sua trajetória e reafirmou o espaço da mulher na luta camponesa e a necessidade da libertação do julgo da opressão. Por causa de Margarida Alves, o dia 12 de agosto é considerado o Dia de Luta contra a violência da mulher camponesa. 



Camponesas do MPA RO em encontro em Alta Floresta do Oeste/RO. foto Lenir 

No dia 13 de agosto, iniciou-se as atividades com uma marcha com panfletagem no centro da cidade de Alta Floresta do Oeste/RO, terminando a mesma em frente ao Ministério Público, onde as camponesas entregaram uma carta reivindicatória ao Promotor de Justiça, apontando a necessidade de intervenção do órgão para que se efetive os direitos das camponesas conquistados depois de muitas lutas e que vem, cotidianamente, sendo violados, entre eles, o acesso à educação no campo e para o campo. 
Após a manifestação, as camponesas retornaram ao Centro Comunitário e foi realizado oficinas de enxertia; massagem; montagem de bomba carneiro; confecção de papel a partir da palha de bananeira; agroecologia – defensivos agrícolas naturais; acesso ao crédito. As oficinas foram espaço de troca de saberes e aprendizagens significativas para as camponesas utilizarem em seu cotidiano. 
Durante todo o encontro houve troca de sementes, venda de produtos artesanais e comidas preparadas pelas camponesas, havendo troca de técnicas e partilha de histórias sobre os cuidados e cultivos com a terra.


Camponesas do MPA RO em encontro em Alta Floresta do Oeste/RO. foto Lenir 

Encerrou o encontro com as camponesas reafirmando o compromisso de produzir com diversidade no campo, de lutar por políticas públicas que atendam as necessidades do campesinato e da importância das mulheres estarem organizadas e trocando saberes, experiências e conhecimentos como forma de resistência ao modelo do agronegócio. 
“Mulher conscientizada, semente germinada, sociedade transformada” - com essa palavra de ordem, as camponesas do MPA mostram sua força e a decisão de continuarem lutando contra o agronegócio que envenena a terra e expulsam os filhos e filhas de camponesas do campo. 
(Lenir Correia Coelho – Assessora Jurídica da CPT/RO)

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Seringueiro indígena morre em Rondônia trabalhando em manejo florestal

Seringueiro indígena morreu em manejo florestal de madeira em Machadinho do Oeste.

No último dia 06 de agosto ( quarta- feira), o seringueiro extrativista Raimundo Nonato Brasil, mais conhecido como( índio) foi mais uma vítima de acidentes de trabalho que envolvem a extração de madeira por madeireiras na região de Machadinho do Oeste em Rondônia. 
Índio morava e trabalhava na Reserva Extrativista Castanheira dentro da comarca de Machadinho do Oeste, desde o ano de 2005 vivia com sua família na região. Oriundo da região de Jarú bem no centro do Estado de Rondônia, sempre trabalhou e exerceu a única profissão herdada de seus pais, a profissão de (seringueiro-extrativista), nascido no seringal São Sebastião, descende de uma família indígena legítima da extinta tribo “Boca Negra”, cujo os últimos integrantes em torno de três indivíduos ainda encontram-se na região de Machadinho do Oeste e cidades adjacentes. 
A região de Machadinho do Oeste, é uma região que ficou bastante marcada por morte de vários seringueiros e por conflitos agrários desde o início de sua formação. A comarca com forte presença de poderosos fazendeiros e madeireiros vem sendo considerada uma das regiões que mais se desmatou nos últimos anos segundo (IMAZON). 
Raimundo Nonato Brasil.
Existem nessa parte de Rondônia 17 Reservas Extrativistas de propriedade do Governo Estadual, sendo que na maioria delas, é realizado o Manejo Florestal por madeireiras contratadas pelo governo. A esmagadora parte do lucro proveniente da exploração da atividade madeireira dentro das reservas fica nas mãos das empresas madeireiras, o que sobra do restante é rateado entre ( associações, cooperativas, SEDAM e seringueiros), contudo, a situação da condição de vida dos seringueiros não mudou muito. Não tendo eles direito a propriedade, sem direitos trabalhistas e sem a profissão regulamentada vão repetindo o mesmo destino relegados aos soldados da borracha. 
Em muitas regiões falta ainda energia elétrica, a exemplo onde residia a família do seringueiro extrativista índio, falta apoio e assistência técnica as famílias das reservas, sem contar com a falta de estradas e a infinita política desonesta dos atravessadores que tomam parte da renda das famílias locais. Assim sem fonte de renda, sem a implementação de projetos de geração de emprego e renda à altura das necessidades básicas dos extrativistas, os mesmos se vêem obrigados a participarem do manejo para garantir a própria sobrevivência. Em uma dessas rotinas diárias da atividade da exploração de madeira na Reserva Castanheira, índio perdeu sua vida, vítima de um acidente de trabalho, foi quando um tronco de madeira por decorrência da atividade no local despencou de uma árvore indo de encontro à sua cabeça. 
O custo dessa valorosa vida que agora se perdeu com certeza não será indenizado, pois histórias semelhantes em um passado não muito distante jamais foram reparadas. Todas as famílias que trabalham e moram nas Reservas Extrativistas realizam importantes atividades como empregados, públicos, e não recebem por isso nenhum salário ou gratificação. Sem a presença fiscalizadora, zeladora e sacrificante dos seringueiros nas reservas, com certeza o que hoje é floresta, seria provavelmente pasto. Índio era um desses seringueiros, conhecido pelo vigor de seu trabalho, por sua sinceridade nas palavras e pelo número de amizades que conseguiu construir. Índio partiu já deixando saudades, mais também deixou plantada uma semente de um modo de vida, que só os que realmente vivem na floresta como extrativista podem entender, “que é existir sem precisar de muita coisa para viver” 
Fonte: SINDSBOR

Acampamento de Theobroma aguarda vistoria do INCRA

Reunião de famílias acampadas em Theobroma em 11 de agosto de 2014 foto cptro
Acampamento Fortaleza, de 70 famílias de sem terra, situasdo na Linha 45 km. 35 de Theobroma, Rondônia, reivindicam a realização de vistoria do na Fazenda Seringal. Em audiência pública da Ouvidoria Agrária Nacional, o chefe de gabinete da superintendência do INCRA de Rondônia, Dr. Valdomiro Bastos se comprometeu a realizar em 40 dias a referida vistoria a fins de expropiação das fazenda para reforma agrária. Cumprida quase a metade do prazo a referida vistoria ainda não aconteceu. O grupo tem sofrida já duas reintegrações de posse e no referido local tem sofrido  ameaças e acoso de pistoleiros. Duas lideranças denunciaram terem recebido notícias de ameaças de morte.
No local onde o acampamento está situado, um pedaço de terra cedida por um assentado do PA Vale Encantado, as famílias tem numerosas hortas, recolhem açaí para alimantação e realizam trabalho artesanal de fabricação de vassouras de cipó para geração de renda. Ainda, cadastrados no programa de Reforma Agrária, recebem cestas básicas para subsistência.
Enquanto aguardam as providências para expropiação da fazenda citada,  segundo as famílias, sem nenhum mandato judicial as famílias sofreram a queima de suas casas por obra de agentes policias do Grupo de Operações Especiais da Polícia Militar. Numerosas casas ainda mostram as marcas do incêndio criminoso.
Ainda, alguns membros do acampamento foram presos enquanto armados faziam a guarda do acampamento e foram vítimas de diversos abusos na dentenção, e foram condenados na justiça.
No local da fazenda Seringal os sem terra tem denunciado extração clandestina de madeira. Durante uma das reintegrações de posse três pistoleiros foram detidos fortemente armados. 
Até o momento não se tem notícia de punição, nem do incêndio criminoso do acampamento, nem dos abusos policiais sofridos pelos detidos, nem dos pistoleiros detidos, nem da comprovada presença de pistoleiros no local.