quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Em Machadinho a 10ª Romaria da Terra e das Águas fez o povo de Rondônia se reunir

O povo de Rondônia na 10ª Romaria da Terra e das Águas. Foto Hilton Virgulino 
Vindos em mais de setenta ônibus e centenas de carros de todos os cantos de Rondônia, a 10ª ROMARIA DA TERRA E DAS ÁGUAS DE RONDÔNIA fez mais de quatro mil e quatrocentos romeiros e romeiras se reunirem em Machadinho do Oeste. 
Para a Comissão Pastoral da Terra de Rondônia (CPT RO) a 10ª Romaria foi com certeza mais um momento histórico, com a principal missão de replantar em cada coração um jeito de ser Igreja, comprometida com a caminhada do povo pobre. 
Os romeiros, muitos deles membros das comunidades de bases, começaram a chegar de madrugada no pátio das Igreja Matriz de Nossa Senhora Aparecida, onde as comunidades de Machadinho ofereceram café, leite e pão a todos os participantes. Enquanto o povo ia chegando, no interior da Igreja um vídeo lembrava o aniversário dos 30 anos da morte do Padre Ezequiel Ramin e apresentava o pedido de ser oficialmente beatificado pela Igreja. Panfletos foram distribuídos, sobre os problemas com as usinas hidrelétricas, a realidade do Trabalho Escravo e o Tráfico de Pessoas.
Um grupo de jovens do "Assentamento 14 de Agosto" fez uma apresentação sobre o tema da Criação, antes do início da caminhada. Logo uma multidão percorreu a cidade e mais dois quilômetros em estrada de chão, rezando e cantando até a cachoeira do Rio Machadinho, um ambiente abençoado pela natureza que também está ameaçada.
Sob um sol intenso e num ambiente de poeira, cinzas, fumaça das queimadas que perduram na época seca da Amazônia, no percurso da caminhada da Romaria em meio a informações e reflexões, o povo romeiro cantou e rezou, meditando sobre a situação das florestas, das águas e das terras de Rondônia. Pontos de abastecimento de água ajudavam os romeiros a retomar as forças e diversos banners com palavras da Encíclica do Papa Francisco "Louvado sejas", com diversas fotografias da realidade do estado serviam para ambientar a caminhada. 
Um grupo de animadores, liderados por José Aparecido, (autor do Hino da Romaria), e com um livro de cantos preparado especialmente para a Romaria, mantinha alto o ânimo, as forças e a espiritualidade dos romeiros.
Até a chegada ao Rio Machadinho, onde duas canoas ocupadas por seringueiros e indígenas, carregando a imagem de Nossa Senhora Aparecida, atravessou o rio e toda a Romaria subiu até à cachoeira. Num ambiente gostoso, embaixo da mata estava o placo e diversas barraquinhas: De pequenos agricultores sem terra e da Via Campesina; uma casinha de palha construída pelos seringueiros das comunidades extrativistas da região; um tapiri dos grupos de indígenas. 
A maioria dos indígenas participantes eram do povos araras e gavião, da Terra Indígenas Igarapé Lourdes, que tinham se reunido dois dias antes em seminário para debater a construção da Usina de Tabajara, que pode atingir as terras tradicionais deles e grupo de indígenas isolados na região.
Enquanto os romeiros refaziam as forças, o palco e os microfones estiveram abertos a apresentações culturais, danças dos indígenas, canções espontâneas e também de nosso companheiro de longa jornada,  Zé Pinto. Assim como as falas da fila do povo e as manifestações e testemunhos de diversos grupos. Como os seringueiros de Machadinho, que expuseram as dificuldades com os madeireiros, as mortes de companheiros e ameaças que continuam sofrendo. Representantes dos atingidos do Madeira apresentaram seus sofrimentos por culpa das usinas e das alagações dos últimos anos, e membros do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) descreveram a situação das diversas hidrelétricas construídas no país. Também houve falas do MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores); e representantes das EFAS (Escolas Família Agrícola do Estado), que cobraram recursos atrasados do Governo de Rondônia, e outros.
A Celebração, rezada com o cenário das matas e o murmúrio das águas da cachoeira no fundo, foi presidida pelo Bispo de Guajará Mirim, Dom Benedito Araújo, atual Administrador Apostólico da Arquidiocese de Porto Velho, e por um Pastor do Sínodo da Amazônia, representante da Igreja de Confissão Luterana no Brasil (ICLB); assim como o Padre Dionísio Kuduavicz, pároco de Machadinho e numerosos padres de Ji Paraná e das outras dioceses de Rondônia.
Dentro de uma sacolinha para o lixo dos carros foi colocado terra e água e sementes abençoadas, entregues como lembranzinha aos participantes, simbolizando o nosso compromisso cristão pela Casa Comum, pelo cuidado com meio ambiente da Amazônia, pela conservação das águas e da terra de todo o Planeta.
Assim culminou a Romaria inspirada ao tema: "Terra, floresta e água dádivas de Deus para viver e conviver" e como lema: "Somos testemunhas (At.3) de um novo céu e uma nova terra (Ap. 21), em resposta aos apelos de maior justiça pelo campo dos Bispos do Brasil e do Papa Francisco para um maior diálogo dos cristãos e todas as pessoas de boa vontade sobre a maneira como estamos construindo o futuro de nosso Planeta com toda a família humana. (Louvado sejas)

Representação dos jovens sobre a Criação. Foto Rosa Branca

O povo chegando na cachoeira do Rio Machadinho. Foto Hilton Virgulino


A Romaria fez o povo de Rondônia se reunir. foto Hilton Virgulino

Testemunhos ouvidos pelo povo. Foto Hilton Virgulino



Celebração eucarística 10ª Romaria da Terra e das Águas de Rondônia. Foto Hilton Virgulino

Conflito agrário recomeçou em Espigão do Oeste, RO


Comunicado emitido pela Liga dos Camponeses Pobres pede apoio urgente para as quarenta famílias do Acampamento Rancho Alegre 2, ameaçado oficialmente de despejo judicial depois que um oficial de justiça entregar ontem uma ordem de reintegração de posse emitida pela justiça estadual.
Segundo a informação, foi dado apenas 24 horas de prazo para que as famílias saiam pacificamente, mas "Os camponeses, cansados de esperar pela reforma agrária falida do governo Dilma/Lula/PT, estão dispostos a resistir".
Segundo esta fonte a ocupação foi realizada o dia 12 de agosto, com cerca de 40 famílias remanescentes do Acampamento Rancho Alegre, no lote 88, de mais de 2.068 hectares (mais de 860 alqueires), localizado na linha 45, setor 3, Gleba Corumbiara, em Pimenta Bueno. "Quem se diz o dono é Genival Azevedo Cavalcante". 
O Incra teria verificado e confirmado que a citada área é irregular, e já foi ocupada e despejada outras duas vezes, em 2002 e 2004 (autos 0042416-02.2002.822.0009 e 0029949-65.2004.822.0009). Nestas ocasiões, os camponeses construíram casas, formaram pasto e plantações, tudo destruído nos despejos, exceto o pasto, utilizado pelo fazendeiro. Em 2006 as famílias processaram Genival Cavalcante, exigindo indenização por suas benfeitorias (0082900-20.2006.822.0009).
Ainda, segundo ocorrência policial nº 1803-2015, registrada na 1ª Delegacia de Polícia Civil, de Espigão D'Oeste, no último dia 14 de agosto uma acampada teria sido ameaçada por Genival, acompanhado de dois pistoleiros armados.
A informação, assinada pela LCP – Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidentalda - conclui "A luta camponesa é a mais urgente e importante do país. Todos os camponeses, operários, professores e demais trabalhadores, estudantes, pequenos e médios comerciantes e todos democratas devem apoiar ativamente lutam por este direito sagrado denunciar a violência do latifúndio, seus grupos de pistoleiros e seus agentes do velho Estado. Os camponeses querem terra, não repressão! Lutar pela terra não é crime! Terra para quem nela vive e trabalha!"

Fonte: LCP

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

domingo, 23 de agosto de 2015

Dom Moacyr Grechi: Protagonistas da cidadania de um novo Brasil !

Palavra de Dom Moacyr Grechi – Arcebispo Emérito de Porto Velho
Matéria 486 - Edição de domingo – 23/08/2015

Protagonistas da cidadania de um novo Brasil !

Nosso povo de Deus caminha hoje em Romaria como o povo de Israel em peregrinação, convicto de que “o Senhor defende a vida dos seus servos” (Sl 33/34), crendo no Deus do Êxodo, no Cristo da libertação e na força do Espírito transformador, pois este é o caminho que leva à libertação, à justiça e à vida plena.
É o Povo de Deus, em marcha de fé e de esperança, que canta: “Também sou teu povo, Senhor, e estou nesta estrada”. A 10ª Romaria da Terra e das Águas de Rondônia tem como tema: “Terra, floresta e água, dádivas de Deus para viver e conviver” e como lema: “Somos testemunhas (At 3,15) de um novo céu e uma nova terra” (Ap 21,1). Reúne católicos e evangélicos das dioceses de Porto Velho, Guajará Mirim e Ji Paraná, da Igreja Luterana (IECLB) e demais Igrejas pertencentes ao Conselho Regional das Igrejas Cristãs.
Lideranças ribeirinhas, do campo e da cidade, jovens e famílias das Comunidades Eclesiais de Base, Pastorais Sociais e Movimentos Populares, CPT, CIMI, CJP, dos diversos segmentos da sociedade e dos municípios, inclusive do Acre e sul do Amazonas, chegam em caravanas, para a Romaria de Machadinho, com inicio às 8h, na Igreja Matriz  Nossa Senhora Aparecida. Durante a caminhada serão três momentos fortes de Reflexão: Terra, Água e Floresta, até o local da celebração, confraternização, testemunhos e diversas manifestações, na cachoeira do Rio Machadinho. Região que enfrenta diversos conflitos agrários motivados pela ocupação e uso da terra no Vale do Jamari e na região de Machadinho, além de um projeto de criação da nova usina de Tabajara, e vai atingir mais de 500 famílias e a proposta de uma PCH na cachoeira do Rio Machadinho. Preocupa a situação dos ribeirinhos, indígenas e seringueiros, que tem nos rios e florestas os principais meios de produção e de vida. As duas terras indígenas que podem ser atingidas pelo projeto da Usina de Tabajara: TI Igarapé Lourdes e as TI Tenharim, além de indígenas isolados, que não poderiam ser atingidos, pois não podem nem ser consultados, podendo vir acontecer o seu desaparecimento, como já aconteceu com outras hidrelétricas.
As Romarias fortalecem os pequenos da terra, os indígenas, os sem terra, os ribeirinhos, os atingidos por barragens, os assentados, as populações quilombolas, os pequenos agricultores, os migrantes, os excluídos. Portanto, não se trata de manifestação sem sentido, muito menos de mobilização ou espetáculo aparente. As Romarias são momentos de fortes manifestações religiosas, em que fé e vida movem o povo de Deus na busca pela transformação da atual sociedade excludente para o Reino. Romaria da Terra e da Água é um espaço de mística e política na busca de soluções para os conflitos e problemas da terra e da água, bem como para os problemas de sobrevivência de outras categorias sociais. A memoria dos mártires da terra é um momento forte da  Romaria, na certeza de que “a tribulação gera a constância, a constância leva a uma virtude provada e a virtude provada desabrocha em esperança e a esperança não decepciona” (Rom 5,3-5).
     Os romeiros são pessoas de fé, pessoas da caminhada. Caminhada das lutas sociais, das pastorais populares, dos grupos de solidariedade, do compromisso com os pobres, das comunidades eclesiais de base. Caminhada de cristãos que refletem a Igreja ministerial.
O 4º domingo de agosto é dedicado à vocação laical. Cristãos leigos que são a luz do mundo e o sal da terra, que se colocam a serviço da evangelização na comunidade eclesial. Nosso reconhecimento a vocês, leigos e leigas de caminhada, comprometidos com a missão evangelizadora da Igreja. Nossas preces para que sejam protagonistas e anunciadores do evangelho de Jesus Cristo.
     Na liturgia de hoje, as palavras de Jesus provocam resistência e desistência até entre os discípulos. Muitos conservam a ideia de um Messias Rei, e não querem seguir Jesus até à morte, entendida por eles como fracasso. E não assumem a fé por medo de se comprometerem. Os apóstolos, porém, aceitam a proposta de Jesus e o reconhecem como Messias, dando-lhe sua adesão e aceitando suas exigências (BP). Também hoje devemos escolher a quem queremos servir: “a quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus” (Jo 6,60-69).
Como o povo de Deus, que diante do Dom da Terra, recordando-se de suas responsabilidades, decidiu por servir ao Senhor, a escolha entre um Deus que provou seu amor e fidelidade e deuses que devem sua “existência” aos mitos que os homens criam em redor deles (Konings). Essa opção se apresenta a nós também: optaremos por aquele que “deu a vida”, em todos os sentidos, ou pelos ídolos pelos quais tão facilmente damos nossa vida, sem deles recebermos o que prometem: sucesso, riqueza, poder (Js 24,1-2ª.15-17.18b)

     Para os seguidores de Jesus, segundo Paulo Apóstolo, o espaço da relação familiar tem de ser também o lugar onde se manifestam os valores de Jesus, os valores do Reino (Ef 5,21-32).

Nós cremos e hoje, mesmo diante dos momentos de crise, queremos renovar a nossa profissão de fé e olhar o futuro com esperança.
Diante do risco de regressão aos direitos sociais no país, principalmente pelas propostas que estão em tramitação no Congresso Nacional, a Igreja, através da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz da CNBB formada pelas Pastorais Sociais e Organismos, quer ser portadora de uma palavra de esperança ao povo brasileiro, neste momento conturbado que o nosso país está vivendo enviando-nos uma Mensagem frente às crises que vivemos.
     É uma crise ética, política e econômica contra as populações e os setores sociais mais fragilizados, atingindo pessoas individualmente e o conjunto da sociedade brasileira.
Para nós cristãos, nos capacita sempre crer que, embora tudo pareça difícil, há saídas.  Enfrentamos crises, sofrimentos, desilusões, cruzes que por vezes nos fazem dizer ou sentir que chegamos ao fim da linha e que não há mais solução.
Temos a certeza de que dentro de cada um de nós existe uma luz que nos impulsiona a recomeçar. Vamos sair do comodismo, do desânimo.
Não podemos ficar apenas como expectadores ou críticos descomprometidos. Sejamos protagonistas construção de uma sociedade justa, fraterna e solidária, sinal do Reino de Deus.
Nas últimas três décadas a Igreja Católica enfrentou grandes dificuldades. Muitos estavam sem perspectivas. Eis que com o papa Francisco surge uma nova luz, não somente para Igreja, mas, para o mundo. Estamos nos enchendo de esperança.
Acreditamos que podemos superar esse momento histórico. Todavia, nada acontece na história humana por “geração espontânea”. Temos que nos tornar protagonistas da cidadania de um novo Brasil. Entrar em ação. Enfrentar as velhas e novas corrupções, sem ódio, sem violências, sem injustiças, sem retrocessos na democracia, sem golpismos.
A pátria brasileira somos todos nós. Ninguém vai salvá-la sozinho. Por isso convocamos as organizações populares e movimentos sociais ao diálogo permanente, buscando construir as bases do “Brasil que queremos”, expressos nos documentos das Semanas Sociais Brasileiras e que culminaram nas duas Assembleias Populares que realizamos há mais de uma década.
Temos história e trajetória construídas. Vamos resistir e denunciar todas as tentativas de “acordos” que possam significar regressão nos direitos sociais da classe trabalhadora e nas conquistas históricas das três últimas décadas: redemocratização, estabilização econômica, redução da desigualdade social, geração de emprego e renda, acesso ao direito à moradia.
Como aprendemos da Encíclica Laudato Sí do Papa Francisco, não há saída para salvar o planeta, que não passe pela superação da injustiça social.
A tarefa é árdua, mas preciosa. Estamos dispostos a construí-la e convidamos a todos que queiram somar para caminharmos juntos (Comissão Episcopal Pastoral para o serviço da Caridade, da Justiça e da Paz/CNBB).

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Coletiva divulga 10ª Romaria da Terra e das Águas de Rondônia

Dom Antônio Possamai apresenta a 10ª Romaria de Rondônia. foto cptro

Coletiva de imprensa divulgou hoje em Porto Velho a realização da 10ª Romaria da Terra e das Águas de Rondônia, com participação de Dom Antônio Possamai, bispo emérito de Ji Paraná; pastor Randolf Timm, representando o Sínodo da Amazônia da Igreja Luterana (IECLB); Padre Jaime Guspert, coordenador de Pastoral da Arquidiocese de Porto Velho; Maria Petronila Neto, pela coordenação colegiada da CPT RO; João Marcos Rodrigues, MAB/RO; e Laura Vicunha, coordenadora do CIMI/RO. 

Em Machadinho do Oeste acontecerá o próximo domingo a 10ª Romaria da Terra e das Águas de Rondônia, seguindo uma tradição de muitos anos, a Romaria é convocada pela Igreja Luterana (Sínodo da Amazônia da IECLB) e das três dioceses católicas de Rondônia: Porto Velho, Guajará Mirim e Ji Paraná. 

Na mesma, Dom Antônio, que é o autor da Oração da 10ª Romaria, falou da tradição das Romarias da Terra em Rondônia, nas quais participou desde o começo, sendo que o tema atual vem ao encontro da propostas do Papa Francisco, no começo de uma nova primavera eclesial. 

O Pastor Randolf também falou do acompanhamento do povo luterano que migrou para Rondônia, a maioria agricultores, que continua migrando a procura de terras e vida digna, que acompanharam desde momentos críticos, como a morte do Padre Ezequiel em Cacoal. Das mudanças acontecidas em Rondônia, e da participação dos luteranos nas Romarias da Terra.  
Maria Petronila falou do empenho da CPT em mobilizar as comunidades, "É possível sim combater a injustiça que atinge nosso povo e renovar a esperança". "Que esta romaria seja um momento de unir os gritos, os clamores do povo, sejam da Igreja, sejam da sociedade civil". Entre os motivos de escolher Machadinho foi a construção da Usina de Tabajara, a denúncia da Paróquia de contaminação por agrotóxicos na região e o aumento dos conflitos agrários na região.
Pastor Randolf do Sínodo da Amazônia
da Igreja Luterana. Foto cpt ro
João Marcos, do MAB agradeceu a preocupação da Igreja em favor dos atingidos pelas barragens e da ajuda que no passado já receberam para defender os atingidos de Samuel. Ele vê a Romaria como uma oportunidade para alertar sobre a construção da Usina de Tabajara, que deve interligar o Rio Machado à Hidrovia do Madeira, incrementando a pressão dos plantadores de soja nas terras da região, acirrando mais os conflitos agrários na região acima dos pequenos agricultores.
Laura Vicunha falou das duas terras indígenas que podem ser atingidas pelo projeto da Usina de Tabajara: TI Igarapé Lourdes e as TI Tenharim,, além de indígenas isolados, que não poderiam ser atingidos, pois não podem nem ser consultados, podendo vir acontecer o seu desaparecimento, como aconteceu com a Usina de Santo Antônio, além de toda a pressão que já estão sofrendo os seringueiros da região.
O Padre Jaime, falou que a apresentação Romaria chegou em boa hora, seguindo os apelos do papa para um maior diálogo entre cristãos e todas as pessoas de boa vontade acerca de nossa "casa comum", justamente num dia que Porto Velho amanheceu tomado pela fumaça das queimadas que continuam acontecendo arredor da cidade, terminou com a leitura de Thiago de Mello com o lema recolhido no IV Congresso Nacional da CPT "Faz escuro mas eu canto". 

Dom Moacyr Grechi: Vida em primeiro lugar!

" Estamos nos preparando para mobilizações importantes, cujos temas apontam para a “Vida em primeiro lugar”, uma exigência do Reino de Deus: a primeira vai acontecer no próximo domingo, dia 23 de agosto, em Machadinho do Oeste. Trata-se da 10ª Romaria da Terra e das Águas, que tem como tema: “Terra, floresta e água, dádivas de Deus para viver e conviver” e como lema: “Somos testemunhas (At 3,15) de um novo céu e uma nova terra” (Ap 21,1)."

A 10ª Romaria vai sair da praza da Matriz de Machadinho
onde anos atrás foi levantada uma cruz feita de ferramentas do campo. foto: Elizeu Berçacola. 



Palavra de Dom Moacyr Grechi – Arcebispo Emérito de Porto Velho
Matéria 485 - Edição de Sábado/Domingo – 15/16/08/2015

Vida em primeiro lugar!

A Igreja, ao transferir a Festa da Assunção de Nossa Senhora (15/08) para o domingo, celebra a vitória de Cristo sobre todos os poderes que tentam impedir o Reino de Deus. Maria colabora no mistério da redenção, associando-se a seu Filho (LG 56). Sua assunção é figura do que acontecerá com todos os seguidores de Jesus no fim dos tempos (VP). Enquanto peregrina neste mundo, a Igreja tem Maria como um sinal “até que chegue o Dia do Senhor” (LG 68).

Tendo Maria como sinal, celebramos a vitória da Igreja inteira sobre a morte e o pecado. Esta festa tem uma dimensão de solidariedade dos fiéis com aquela que é a primeira e a Mãe dos fiéis (Konings).

O significado do dogma da Assunção, que foi definido pelo Papa Pio XII, através da BulaMunificentissimus Deus (01/11/1950), extrapola os limites da Igreja para se projetar sobre as sociedades modernas. É uma mensagem dirigida não só a Igreja, mas também ao mundo de hoje.

O Mistério da Assunção comporta a afirmação, por um lado, da espiritualidade e da imortalidade da alma (vitória sobre a matéria) e, por outro, da ressurreição geral dos corpos (vitória sobre a morte). Em resumo, esse dogma seria a afirmação da redenção total do ser humano. O reforço da esperança cristã que a Igreja ganha com essa verdade reflui beneficamente sobre a vida social, como a ação do fermento sobre a massa.

À pergunta: o que nos quer dizer Deus com a Assunção de Maria em corpo e alma no céu, Clodovis Boff responde no livro “Mariologia Social” (Paulus) que a “potencia da ressurreição” de Jesus (Fl 3,10) está em ação no mundo e já dando os primeiros frutos. Ora, a Assunta é o fruto mais excelente da vitória pascal de Cristo. A Ressurreição do Filho puxa a da Mãe. Maria constituiu as primícias do senhorio de Cristo sobre a morte. Ela é o primeiro elo da terra que se enlaça à “Âncora lançada para além do véu” (Hb 6,19), que é pessoalmente “Cristo Jesus nossa esperança” (1Tm 1,1). Ela é a seguidora imediata de Jesus na glória, “a primeira depois do Único” em seu Reino. Portanto, o que tem em particular a Assunção, como a Páscoa de Maria, em relação à Páscoa de Cristo é que ela reforça e confirma a nossa própria Páscoa.

Maria “proclama que Deus realizou uma tríplice inversão das falsas situações humanas, para restaurar a humanidade na salvação, obra de Cristo. No campo religioso, Deus derruba as autossuficiências humanas; confunde os planos dos que nutrem pensamentos de soberba, erguem-se contra Deus e oprimem os homens. No campo político, Deus destrói os injustificáveis desníveis humanos, abate os poderosos dos tronos e exalta os humildes; repele aqueles que se apoderam indevidamente dos povos e aprova os que os servem para promover o bem das pessoas e da sociedade, sem discriminações. No campo social, Deus transtorna a aristocracia estabelecida sobre ouro e meios de poder, cumula de bens os necessitados e despede de mãos vazias os ricos, para instaurar uma verdadeira fraternidade na sociedade e entre os povos” (Missal/Paulus, p.1346).

O cântico de Maria, no Evangelho de hoje, é o cântico dos pobres que reconhecem a vinda de Deus para libertá-los através de Jesus (Lc 1,39-56). Cumprindo a promessa, Deus assume o partido dos pobres, e realiza uma transformação na história, invertendo a ordem social: os ricos e poderosos são depostos e despojados, e os pobres e oprimidos são libertos e assumem a direção dessa nova história (BP).

Qual é, portanto, o significado da Assunção no plano da vida social de hoje? O imenso valor da vida humana, destinada a participar, como Maria assunta, da vida eterna de Deus. A dignidade do corpo humano e ainda do “corpo” das realizações históricas e da matéria em geral. A grandeza que ganham os pobres e as mulheres à luz d’Aquela que foi exaltada, por ter sido precisamente pobre e mulher. E, por fim, a força particular que tem para as lutas sociais a esperança cristã enquanto confirmada pela Assunção da Virgem Maria (C.Boff).

Estamos nos preparando para mobilizações importantes, cujos temas apontam para a “Vida em primeiro lugar”, uma exigência do Reino de Deus: a primeira vai acontecer no próximo domingo, dia 23 de agosto, em Machadinho do Oeste. Trata-se da 10ª Romaria da Terra e das Águas, que tem como tema: “Terra, floresta e água, dádivas de Deus para viver e conviver” e como lema: “Somos testemunhas (At 3,15) de um novo céu e uma nova terra” (Ap 21,1).

Convocada pela Arquidiocese de Porto Velho, Dioceses de Guajará Mirim e Ji-Paraná e pelo Sínodo da Amazônia da Igreja Luterana (IECLB) e organizada pela Paróquia N.Sra. Aparecida de Machadinho, CPT/RO, Projeto Pe. Ezequiel de Ji-Paraná e pelo CIMI/RO, a 10ª Romaria da Terra e das Águas é ecumênica e está em sintonia com toda a ação evangelizadora da Igreja. Sendo um dos momentos de forte expressão popular vai reunir o povo de Deus peregrino das comunidades eclesiais, paróquias, dioceses de Rondônia, Acre e sul do Amazonas, que, nesta semana, se deslocam em caravanas para a grande caminhada rumo à cachoeira do Rio Machadinho, a fim de celebrar a sua fé e luta na busca de uma convivência menos conflitiva e mais pacífica.

A 2ª mobilização é nacional: trata-se da 21ª edição do Grito dos Excluídos, que acontece anualmente no dia 7 de Setembro. O lema chama a atenção para a situação de violência que vitimiza, sobretudo os jovens das periferias, e alerta para o poder que os meios de comunicação exercem na manipulação da sociedade, questionando: “Que país é este que mata gente, que a mídia mente e nos consome?”.

A proposta do Grito surgiu da esperança e do espírito profético dos cristãos que, aliados aos movimentos sociais, buscaram continuar pautando a reflexão proposta pela CF/1995, cujo tema era "Fraternidade e Exclusão”. Assim, nestes 21 anos de história, o Grito vem se desenvolvendo como um processo e compromisso coletivos. A missão profética, contudo, sempre se renova porque, infelizmente, ainda temos situações que clamam o pronunciar-se das forças sociais sustentadas pelo compromisso com a dignidade da vida e da construção de um projeto popular para o Brasil.

As intuições destes anos de caminhada continuam muito vivas e presentes para as forças sociais. Foram incorporadas por novos atores sociais com os quais somos chamados a dialogar. Temos a tarefa de reforçar o processo, unir os generosos e os bem-aventurados (Mt 5,1-12) que vivem a cada dia o compromisso da superação da miséria e exclusão. Os tempos atuais exigem a atualização das metodologias sem que esta arrefeça o compromisso social e luta pelos direitos. A crise que o Brasil atravessa e que vai além da economia, cobra esta atitude.

A 3ª mobilização é local, envolve a Juventude e faz parte da programação do mês vocacional: trata-se do Evento “Vinde e Vede”, que vai acontecer no dia 30 de agosto, das 8h às 18h, no Santuário N. Sra. Aparecida de Porto Velho.

O tema “Nossa missão é amar, nossa alegria é servir” está em sintonia com a CF/2015, com as diretrizes arquidiocesanas e com o apelo do papa Francisco na Exortação “Evangelii Gaudium”:

“Os cristãos têm o dever de anunciar o Evangelho, sem excluir ninguém, e não como quem impõe uma nova obrigação, mas como quem partilha uma alegria, indica um horizonte estupendo..” (EG 14). A alegria do Evangelho, que enche a vida da comunidade dos discípulos, é uma alegria missionária (21). Cada cristão e cada comunidade há de discernir qual é o caminho que o Senhor lhe pede, mas, todos somos convidados a aceitar esta chamada: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho (20). O anúncio, portanto, deve ser encarnado, pois as obras de amor ao próximo são a manifestação externa mais perfeita da graça interior do Espírito. A misericórdia é a maior de todas as virtudes (37).

No Vinde e Vede jovens e famílias da Catequese, Pastoral da juventude e Pastoral Familiar, vocacionados e agentes de pastoral, religiosos e comunidades são convocados para este dia de reflexão, cantos, oração, animação, experiência missionária de visita às casas, confissão, celebração e confraternização com almoço partilhado.

Hoje, iniciamos a semana dedicada à vida consagrada. Nossa homenagem e preces aos religiosos, presentes na Arquidiocese de Porto Velho. Missionários inseridos na Pastoral de Conjunto continuam dando testemunho do Evangelho e de uma vida encarnada na realidade e nas lutas das Comunidades Eclesiais de Base, dos povos indígenas, ribeirinhos e migrantes.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Lançamento fascículo sobre Vila Jirau

Incra acirra greve em RO diante de proposta do governo

Na manhã da Quarta-Feira, 12/08, os Servidores do Incra (SR-17/Rondônia), em greve desde 27/07, decidiram por rejeitar integralmente a proposta indecorosa do Governo colocada na reunião de ontem, reajuste de 21,3% em quatro anos sem reestruturação da carreira. Na ocasião também foi deliberado que o movimento será mantido e intensificado até o dia 21/08. 


No mesmo evento foi realizado o enterro simbólico do INCRA, MDA, Terra Legal, Dilma e Reforma Agrária.  Diversas superintendências do país já aderiram à greve.
Abaixo a Carta distribuída à população para esclarecer os motivos do movimento:


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CARTA À POPULAÇÃO DE RONDÔNIA

Esclarecimentos à população de Rondônia, especialmente aos habitantes das áreas rurais e assentamentos da reforma agrária, sobre as razões pelas quais os servidores do Incra encontram-se em greve desde o dia 27/07/2015 e suas principais reivindicações:
1 - Reposição do orçamento do Incra
Contra o corte de R$ 1,9 bilhão no orçamento do Ministério ao qual o Incra é vinculado (MDA) o que implica em menos efetividade das ações do Incra em todas as áreas e menor presença dos técnicos da autarquia em campo.
Com a restrição orçamentária o Incra fica impedido, por exemplo, de contratar novas obras de infraestrutura, como estradas, essenciais para o bem-estar da população rural e o escoamento da produção.
2 - Valorização da carreira
No período de 2004 a 2014, ingressaram no Incra 2.609 servidores e saíram 2.526 em razão de pedidos desligamento da instituição e aposentadorias. Esse cenário é resultado da desvalorização da carreira e do desmonte do Incra.
O Incra tem uma enorme demanda reprimida em zona rural a ser atendida, em especial na Amazônia. É a região onde a reforma agrária está em estágio mais atrasado. Na atual situação, há assentamentos onde o Incra se faz ausente por meses ou anos. O que significa a ausência do próprio Estado.
Reivindicamos que a carreira seja reestruturada com equiparação salarial aos órgãos assemelhados, um amplo concurso público não apenas para repor as perdas no quadro de pessoal mas ampliá-lo, com ênfase na Amazônia, e incentivo à permanência dos candidatos aprovados.
Atualmente, há cerca de 38.829 mil famílias na relação assentados pelo Incra em Rondônia. Em contrapartida, há apenas 274 servidores, incluindo Capital e interior, sendo que está prevista uma redução do quadro funcional de 75% nos próximos cinco anos, somente em razão das aposentadorias.
A ausência do Incra em campo reflete-se diretamente no aumento da violência no campo e nas cidades (devido ao êxodo rural), do desmatamento ilegal nos assentamentos, na grilagem de terras, insegurança alimentar das famílias assentadas e diminuição da produção agrícola.

3- Os servidores reivindicam e a Amazônia necessita de um INCRA FORTE JÁ!, de forma a:
- Diminuir a miséria no campo;
- Garantir as condições de produção, alimentação e comercialização das famílias assentadas. Mais alimentos na mesa da população;
- Contribuir com preservação ambiental;
- Garantir o ordenamento fundiário, de modo que proporcione acesso à terra a quem necessita e encerre especulações e conflitos que já resultaram em assassinatos de muitos trabalhadores rurais.

fonte: CNASI: Confederação Nacional dos Servidores do Incra

Governo investiga Rondônia por oficializar madeira ilegal de outros Estados

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) investiga a possibilidade de o Estado de Rondônia estar "esquentando" madeira ilegal extraída de Estados como o Acre, Mato Grosso e Amazonas -- ou seja, declarando como legal uma madeira proveniente do desmatamento ilegal. A suspeita surgiu a partir da contabilização de que a produção madeireira de Rondônia em 2013 foi equivalente à produção do Pará mesmo tendo uma área seis vezes menor. A informação foi revelada pelo diretor do Serviço Florestal Brasileiro, Raimundo Deusdará Filho, durante palestra nesta segunda-feira (10) no II Encob (Encontro Nacional de Editores e Colunistas), promovido pela Coluna Esplanada, em Brasília.

Caminhão com toras de madeira em Rondolândia MT, na divisa de Rondônia, em Julho de 2015.
Dados do MMA indicam que, em 2013, Rondônia concedeu autorização para a extração de equivalente a 4.003.304 metros cúbicos de madeira. No mesmo período, o Pará, que é seis vezes maior que o Estado de Rondônia, concedeu autorização para a extração de 4.669.493 metros cúbicos, valor 15% maior.
Raimundo Deusdará disse os números de Rondônia chamam atenção pela discrepância em relação aos principais produtores de madeira na Amazônia Legal. "Uma das possibilidades que a gente investiga é a de que Rondônia possa estar servindo de hóspede para o trânsito de madeira ilegal", afirmou. A ministra do Meio Ambiente disse que o caso era um sinal claro de "corrupção".
Pela legislação, a gestão ambiental em áreas não federais é responsabilidade dos Estados. A extração de madeira precisar ser acompanhada de um processo eletrônico para permitir o rastreamento da madeira e evitar que ela seja retirada de áreas consideradas ilegais como terras indígenas ou áreas de proteção de uso restrito.
Questionado sobre que medidas o MMA está tomando em relação a essas suspeitas, Raimundo Deusdará afirmou que há investigações em curso sendo feitas, mas que por ainda estarem em andamento, não seria possível informar mais detalhes. "Ainda não podemos divulgar o que sabemos, mas essa discrepância chamou atenção e estamos apurando a origem dela", afirmou.
Procurada pelo UOL, a Sedam (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Sustentável de Rondônia) afirmou que o governo do Estado está adotando "ações saneadoras com a finalidade de promover uma política florestal de fato sustentável".
A suspeita de que Rondônia possa estar "esquentando" madeira ilegal extraída Estados vizinhos acontece em um momento em que alguns Estados apresentam avanço do desmatamento. Segundo o Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), o desmatamento em Amazonas avançou 28%, enquanto no Estado de Mato Grosso, o aumento foi de 22%.
Rondônia compõe, junto com Pará e Mato Grosso, o chamado Arco do Fogo, região marcada pelo avanço da fronteira agrícola sobre a Floresta Amazônica. 
Fonte: Rondoniaovivo com informações do UOL

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Debate sobre violência agrária


Convite
Ji-Paraná, 06 de agosto de 2015

“Só com justiça na terra haverá vida e paz”.

O Projeto Padre Ezequiel-PPE e a Rede de Agroecologia Terra Sem Males de Rondônia convidam a todos e todas para participar do Debate sobre Violência Agrária que será promovido no dia 11 de agosto, às 19:30, no Centro Diocesano de Formação-CDF de Ji Paraná Ro.
Este debate faz parte da programação do IV Módulo da Escola de Formação Continuada em Agroecologia e do 30° Aniversário de Martírio do Pe. Ezequiel Ramin, contando com a participação de representantes do MST, CPT, PPE e entidades ligadas à Rede de Agroecologia.
A sua presença enriquecerá o nosso evento. Contamos com sua participação. 

Local:CDF: Rua Aripuã, 982, Bairro Dom Bosco
Data: 11.08.2015
Horário: 19:30

Setor agrícola PPE:
Francisco de Assis Costa, Tec. Agropecuário
Valdeir Alves Souza, Eng. Agrônomo


Servidores do INCRA preparam mobilização

A Associação dos Servidores do Incra (Assincra) programou um ato público amanhã (07/08/2015), a partir das 08h30, na Praça das Três Caixas D'água, em protesto unificado contra o descaso do Governo Federal diante das principais reivindicações dos servidores constantes em pauta geral e específicas.

Segue abaixo "Carta à População" divulgada com os esclarecimentos dos servidores do Incra sobre as razões do movimento.



CARTA À POPULAÇÃO DE RONDÔNIA

Esclarecimentos à população de Rondônia, especialmente aos habitantes das áreas rurais e assentamentos da reforma agrária, sobre as razões pelas quais os servidores do Incra encontram-se em greve desde o dia 27/07/2015 e suas principais reivindicações:

1 - Reposição do orçamento do Incra
Contra o corte de R$ 1,9 bilhão no orçamento do Ministério ao qual o Incra é vinculado (MDA) o que implica em menos efetividade das ações do Incra em todas as áreas e menor presença dos técnicos da autarquia em campo.
Com a restrição orçamentária o Incra fica impedido, por exemplo, de contratar novas obras de infraestrutura, como estradas, essenciais para o bem-estar da população rural e o escoamento da produção.

2 - Valorização da carreira
No período de 2004 a 2014, ingressaram no Incra 2.609 servidores e saíram 2.526 em razão de pedidos desligamento da instituição e aposentadorias. Esse cenário é resultado da desvalorização da carreira e do desmonte do Incra.
O Incra tem uma enorme demanda reprimida em zona rural a ser atendida, em especial na Amazônia. É a região onde a reforma agrária está em estágio mais atrasado. Na atual situação, há assentamentos onde o Incra se faz ausente por meses ou anos. O que significa a ausência do próprio Estado.
Reivindicamos que a carreira seja reestruturada com equiparação salarial aos órgãos assemelhados, um amplo concurso público não apenas para repor as perdas no quadro de pessoal mas ampliá-lo, com ênfase na Amazônia, e incentivo à permanência dos candidatos aprovados.
Atualmente, há cerca de 38.829 mil famílias na relação assentados pelo Incra em Rondônia. Em contrapartida, há apenas 274 servidores, incluindo Capital e interior, sendo que está prevista uma redução do quadro funcional de 75% nos próximos cinco anos, somente em razão das aposentadorias.
A ausência do Incra em campo reflete-se diretamente no aumento da violência no campo e nas cidades (devido ao êxodo rural), do desmatamento ilegal nos assentamentos, na grilagem de terras, insegurança alimentar das famílias assentadas e diminuição da produção agrícola.

Os servidores reivindicam e a Amazônia necessita de um INCRA FORTE JÁ!, de forma a:

- Diminuir a miséria no campo;
- Garantir as condições de produção, alimentação e comercialização das famílias assentadas. Mais alimentos na mesa da população;
- Contribuir com preservação ambiental;
- Garantir o ordenamento fundiário, de modo que proporcione acesso à terra a quem necessita e encerre especulações e conflitos que já resultaram em assassinatos de muitos trabalhadores rurais.

Dom Moacyr: Família: minoria criativa que transforma a sociedade!

Palavra de Dom Moacyr Grechi – Arcebispo Emérito de Porto Velho
Matéria 484 - Edição de Domingo – 09/08/2015

Família: minoria criativa que transforma a sociedade!

Hoje acontece a abertura da Semana Nacional da Família. Nossas preces, benção e homenagens a todos os pais, de modo especial, aos pais enfermos, idosos, encarcerados, ameaçados por suas lutas e ideais. A vocação da paternidade, assumida como verdadeira missão de amor, realiza e transforma a vida de uma família cristã.
Fazemos memória e oramos em todas as celebrações, pelos pais falecidos, para que sua paz nos transmita a esperança e a sua recordação nos faça viver de modo digno e justo. Às famílias que sofrem a provação da doença, nossa solidariedade e oração. Saibam que não estão sozinhas neste árduo momento da dor. O sofrimento de nossos entes mais queridos e mais sagrados é uma escola de vida. Podemos dizer com o papa Francisco que a família foi desde sempre o “hospital” mais próximo. Possa a fraternidade eclesial da comunidade cristã e a proximidade de uma família em relação à outra, assistir as famílias nesses momentos difíceis.
Santo Irineu, Padre da Igreja (Sec.II), proclamou: “A glória de Deus é o homem plenamente vivo”. De modo similar, a glória dos homens e das mulheres é a sua capacidade de amar como Deus ama. A vida em família é um convite a encarnar este amor no dia a dia.
O tema “O amor é a nossa missão: a família plenamente viva”, inspirado por esta máxima, ilumina os textos da Cartilha “Hora da Família” e do Encontro Mundial da Família na Filadélfia (22-27/09). Ao tratar sobre a Missão do amor, destaca que Deus opera por meio de nós. Temos uma missão. Há um propósito neste mundo para nós: receber o amor de Deus e manifestá-lo aos outros. Deus busca curar um universo ferido. Convida-nos a sermos suas testemunhas nesta obra.
Na história, Deus convoca e forma um povo. Ele faz uma aliança conosco: primeiro por meio de Israel, depois por Cristo e pela sua Igreja. Deus nos ensina a amar como Ele ama. Fomos criados para a comunhão, portanto, o amor é a nossa missão. O dom de nossa existência precede e modela o que fazemos e como vivemos. O matrimônio é uma essencial imagem bíblica do amor de Deus.
Somos, nesta missão, capacitados a encontrar nossa verdadeira identidade. Viver a missão da igreja doméstica significa que as famílias cristãs, por vezes, viverão como minorias, com valores distintos daqueles da cultura à sua volta. Nossa missão de amor nos exigirá coragem e fortaleza. Jesus nos chama e a nossa resposta deve ser uma opção pela vida de fé, esperança, amor, alegria, serviço e missão.
“O anúncio do Evangelho, diz o papa Francisco, passa de fato, antes de tudo, através das famílias para depois, chegar até aos diversos âmbitos da vida diária.” Se aprendermos a pensar nossas famílias como igrejas domésticas, se aprendermos por que o individualismo moral não é o contexto correto para experimentar o ensinamento católico, então adotamos uma visão que reorientará toda a nossa identidade.
A condição de minoria em uma cultura não significa uma posição marginal ou irrelevante. O Catecismo da Igreja Católica, ao instruir sobre nossa vocação de participação na sociedade, cita uma antiga carta cristã: “Não vivais isolados, fechados em vós mesmos, como se já estivésseis justificados; mas reuni-vos para procurar em conjunto o que é de interesse comum”. Esse olhar voltado ao mundo exterior, esse espírito orientado ao serviço, na verdade, tem origem ainda mais antiga. Disse o profeta Jeremias aos judeus exilados na Babilônia, muito embora os babilônios tenham saqueado Jerusalém e feito os judeus prisioneiros: “Empenhai-vos pelo bem-estar da cidade para onde vos exilei, orai a Deus por ela, pois a felicidade desse lugar será vossa felicidade” (Jr 29,7).
Temos um princípio firme para nos tornarmos independentes das forças destrutivas na sociedade, e esse mesmo princípio nos orienta para o amor e a participação na sociedade e na cultura. O amor que “move sol e estrelas”, o amor que cria e sustenta tudo, é o mesmo amor que anima os casamentos, as famílias, as comunidades, a Igreja. Podemos estar certos de que se seguirmos esse amor até aos pés da cruz, nossos sofrimentos, na verdade, nos tornam mais verdadeiros, mais autenticamente humanos e que a ressureição e a justiça estão vindo porque seguimos um senhor fidedigno. Esse amor nos dará força para viver claramente como sal da terra.
O papa João Paulo II exortou “família, torna-te aquilo que és”, e suas palavras não perderam a força. A missão fundamental da família é “guardar, revelar e comunicar o amor”, uma missão que é “reflexo vivo e participação real do amor de Deus pela humanidade e do amor de Cristo pela Igreja”. Quando a família abraça essa identidade missionária, torna-se aquilo para o qual sempre se pretendeu que fosse.
A família é o local onde o valor da comunidade é aprendido, formando o alicerce para a comunhão na sociedade. Dessa maneira, os casais e as famílias que se esforçam para amar em unidade e fidelidade dão um testemunho vital em seus lares, bairros, paróquias e comunidades. Escolham, portanto, a vida que vocês e seus descendentes deverão viver, amando o Senhor Deus, obedecendo a sua voz, apegando-se a Ele. Essa missão, às vezes, os marcará como diferentes dos outros na sociedade. Viver seu testemunho de amor irá requerer compromisso, mas não temam. A Igreja está com vocês. O Senhor está com vocês. O Senhor fez uma aliança com vocês. O Senhor é fiel, e sua aliança produzirá frutos. Famílias, o amor é sua missão e o fundamento de toda a comunhão!
A liturgia deste domingo ilumina a nossa realidade e nos recorda sobre a presença de Deus na história da humanidade.
Vivemos momentos difíceis e não é hora de acomodação e intimidações ou de semear o ódio. Povos indígenas continuam ameaçados e eliminados; Rondônia e Pará, estados nos quais estão sendo desenvolvidos grandes projetos nacionais, lideram em 2015 os assassinatos no campo. A hora não é de lamentos, como diziam os profetas ao conclamarem o povo para a reorganização da esperança.
Nossa “pátria está doente de esperança, de amor comprometido, de injustiças, de mentiras”. A oração do bispo de Rioja, assassinado no dia 04 de agosto de 1976, pela ditadura militar argentina, Enrique Angelelli, fortalece a resistência na caminhada em prol da cidadania e da democracia: Oremos pelos executores de tantas atitudes e medidas que engendram sofrimento no povo. Oremos por aqueles que tomam decisões de governo, para que o façam guiados pela justiça e pela felicidade de seu povo. Oremos por nossa infância e juventude, para que sejam fortes interiormente e assumam todas as exigências para construir uma sociedade nova. 
As leituras bíblicas mostram Deus presente nas alegrias e sofrimentos do povo, como Aquele que restabelece a dignidade da vida. Dando continuidade à nossa reflexão sobre o capítulo 6 de João, que constitui o fio das leituras dominicais nesse tempo, tomamos consciência de que devemos fortalecer nossa relação com Cristo, pois Ele é o “pão descido do céu”; “o pão da vida”, a fonte de vida (Jo 6,41-51), e quem “come deste pão, viverá para sempre”. Jesus se apresenta como aquele que veio de Deus para dar a vida definitiva aos homens.
A vida definitiva começa quando nos comprometemos com Jesus, aceitamos a própria condição humana e vivemos em favor dos outros. A Eucaristia é o sacramento que manifesta eficazmente na comunidade esse compromisso com a encarnação e a morte de Jesus. 
Se nas nossas comunidades cristãs não nos alimentamos do contato com Jesus, seguiremos ignorando o mais essencial e decisivo do cristianismo. Se Jesus não nos alimenta com o Seu Espírito de criatividade, seguiremos presos ao passado, vivendo a nossa religião desde formas, concepções e sensibilidades nascidas e desenvolvidas noutras épocas e para outros tempos que não são os nossos. Mas, então, Jesus não poderá contar com a nossa cooperação para gerar e alimentar a fé no coração dos homens e mulheres de hoje (Pagola).
O alimento de Elias prefigura a comida que tira todo o cansaço (1Rs 19,4-8). Se Elias, mortalmente cansado, recebe do pão de Deus força para caminhar 40 dias, o homem morto pelos impasses da vida recebe do “pão descido do Céu” vigor para a vida eterna.
Paulo Apostolo, através da Carta aos Efésios nos faz um apelo: continuar a caminhada de fé, seguindo Cristo como “um Homem Novo”, assumindo doravante, uma nova postura nas relações fraternas com os irmãos (Ef 4,30-5-2).

MPA realiza lançamento do Congresso Nacional

Um momento ímpar na história de nossa organização se aproxima, o I Congresso Nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores –MPA. 
Com o lema “Plano Camponês: Aliança Camponesa e Operária por Soberania Alimentar”, O Congresso será de 12 a 16 de outubro de 2015 em São Bernardo do Campo – SP. O local foi escolhido por ser o berço das lutas operárias brasileira e a data por ser o dia 16 de outubro, dia internacional por Soberania Alimentar. Assim , local e data tem haver com a Aliança camponesa e Operária por Soberania Alimentar que consiste em uma articulação entre classes organizadas do campo e da cidade, tendo como elemento central o tema da alimentação, e será ampliada pára outras questões políticas e de luta. 

É neste marco que o MPA lhe convida para participar do Ato Estadual de Lançamento do Congresso dia 13 de agosto de 2015, no Auditório da Arquidiocese de Porto Velho, Rua Gonçalves Dias, 288, às 19:30 horas. 

Sabemos de vosso compromisso com a luta por isso queremos compartilhar este momento tão importante para nossa organização. Pedimos que enviem a confirmação de participação: mpaestadual@gmail.com

Saudações Camponesas! 
Direção Estadual do MPA

Mulheres de Rondônia na Marcha das Margaridas

MAIS DE 400 TRABALHADORAS RURAIS SEGUEM MARCHANDO ATÉ BRASÍLI

Malas prontas. Materiais e acessórios prontos. Tudo pronto para a ida das margaridas de Rondônia para a 5ª Marcha das Margaridas, que será realizada no dia 11 e 12 de agosto, em Brasília. Mas principalmente estão com o corpo disposto e a alma e o espírito revestidos de amor e senso de justiça para lutarem até que todas sejam livres.
Mobilizadas e entusiasmadas seguem em marcha para a continuidade desta que é a maior e mais efetiva ação das mulheres do campo, da floresta e das águas; e que mostrará e valorizará a realidade delas e de muitas outras mulheres de todo o País. Estarão nas ruas reivindicando, propondo e negociando ações e políticas públicas que contribuam na construção de um “Desenvolvimento Sustentável com Democracia, Justiça, Autonomia, Igualdade e Liberdade”.
São mais de 400 mulheres que saem no próximo domingo (9), em num total de oito ônibus, de todos os cantos do Estado, empoderadas do sentimento de seu protagonismo em apresentar propostas para avançar na construção da democracia e da igualdade para as mulheres, na conquista de visibilidade, reconhecimento social e político e cidadania plena.
A secretária de mulheres da FETAGRO, Izabel de Oliveira, enaltece a importância da Marcha e seu papel fundamental em grandes conquistas às mulheres do campo e também da cidade. “A marcha é uma ação estratégica do Movimento Sindical, que foca o reconhecimento, a liberdade e o respeito às mulheres trabalhadoras rurais com sua participação no movimento sindical e na sociedade”.

Foto e texto: Fetagro

II Acampamento Estadual da Juventude da Vía Campesina Rondônia.


Publicado em 8 de ago de 2015
II Acampamento da Juventude realizado pela Vía Campesina de Rondônia, com participação de jovens militantes do MST, MPA, MAB, CPT e Levante Popular da Juventude.



quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Convite para curso de homeopatia



foto; divulgação
PROJETO PE. EZEQUIEL
DIOCESE DE JI-PARANA-MISEREOR/KZE

Convite

Ji-Paraná, 06 de julho de 2015.

“Eu vim para servir”(Mc 10; 45)

O Projeto Padre Ezequiel PPE e a Rede de Agroecologia Terra Sem Males de Rondônia convidam a todos os participantes da primeira turma de Formação Continuada em Agroecologia e demais interessados dos grupos de agricultores/as agroecológicos, jovens e mulheres, entidades, movimentos, sindicatos e Paróquias/Pastorais a participar do 4º módulo do curso com Tema HOMEOPATIA POPULAR APLICADA A PLANTAS E ANIMAIS que acontecerá nos dias 11, 12 e 13 de agosto de 2015. O curso terá inicio ás 9:00h do dia 11 no Centro de Diocesano de Formação- CDF, situado no Bairro Dom Bosco, Rua Rio Aripuanã n° 982, Ji-Paraná. Neste módulo teremos a assessoria do Homeopata Alexandre Mendonça referência nacional em Homeopatia. 

Cada participante já matriculado deverá contribuir com uma taxa de R$ 20,00 para alimentação no período do curso. O Projeto Pe Ezequiel assume alojamentos e demais materiais didáticos a serem utilizados no curso. Pedimos que todos os participantes enviem os nomes e a confirmação até dia 07 de agosto 2015 pelos emails pezequiel@diocesedejiparana.org.br ou telefone 3416-4200.

Setor agrícola PPE:
Francisco de Assis Costa
Valdeir Alves de Souza


Debate sobre violência agrária 
“Só com justiça na terra haverá vida e paz”.

O Projeto Padre Ezequiel-PPE e a Rede de Agroecologia Terra Sem Males de Rondônia convidam a todos e todas para participar do Debate sobre Violência Agrária que será promovido no dia 11 de agosto, às 19:30, no Centro Diocesano de Formação-CDF.
Este debate faz parte da programação do IV Módulo da Escola de Formação Continuada em Agroecologia e do 30° Aniversário de Martírio do Pe. Ezequiel Ramin, contando com a participação de representantes do MST, CPT, PPE e entidades ligadas à Rede de Agroecologia.


quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Uma análise dos assassinatos em Rondônia


“A violência tem sido o soneto indissociável do latifúndio e da grilagem intocados na Amazônia Legal”. Confira artigo do advogado e professor de Direito em Rondônia, Afonso das Chagas, sobre os 10 assassinatos registrados até o momento em conflitos no campo no estado.


Afonso das Chagas*

A história de colonização do Estado de Rondônia, desde o início, conforme sustenta Octavio Ianni (IANNI, Otávio. Colonização e contra-reforma Agrária na Amazônia. Petrópolis: Vozes, 1979), caracteriza-se como contra reforma agrária, ou seja, em momento algum, desde o Programa de Integração Nacional (1970), da época dos militares, a Reforma Agrária foi tratada como política pública de Estado. A década de 1980 caracterizou-se, no recém-criado Estado de Rondônia, como um dos períodos mais sangrentos no que se refere à violência ligada à questão agrária. De lá para cá, infelizmente, a violência no campo, tem sido permanentemente associada à desorganização fundiária, a reconcentração da terra, a inércia do Órgão responsável pela Reforma agrária e ainda, de forma específica, à complacência da justiça frente ao tratamento da questão, com as variáveis da notória criminalização dos movimentos sociais e os equívocos no tratamento das terras públicas.

Recentemente criado, em 2009, o Programa Terra Legal, objetivava, ainda que retoricamente, resolver a questão da Terra Pública e do secular problema da grilagem em terras amazônicas. Com uma tarefa de regularizar mais de 67 milhões de hectares e seis anos depois, o Programa governamental não deu conta de resolver o caos fundiário na Amazônia. Em outro rumo, tem servido muito mais à “legalização” de grandes áreas de terras públicas irregularmente ocupadas (grilagem), do que promover uma justa distribuição fundiária na região.

Assim, a violência tem sido o soneto indissociável do latifúndio e da grilagem intocados na Amazônia Legal. Em Rondônia, pela análise preliminar dos dados da violência, compreende-se claramente, que esta violência é bem localizada na região onde a questão das terras públicas não foi resolvida(Região de Ariquemes, Machadinho d’Oeste e Buritis). Trata-se, ou de áreas irregularmente ocupadas por grandes especuladores imobiliários e áreas de antigas concessões de terras. Com a manutenção da pecuária, como fonte primária de produção de matéria-prima (carne e leite), esta região tende a uma reconcentração de terras e, sob as lacunas e equívocos de um Programa feito para “não funcionar”, a grilagem mantém-se como estratégia do latifúndio. E este latifúndio tem na violência sua alma-gêmea. A justiça estadual e federal, de forma generalizada, não compreende nem a questão agrária como uma questão social, nem a histórica questão dos bens públicos, no caso a terra pública, sua retomada e destinação, como uma questão a ser discutida e resolvida por esta instância. O grileiro, não raras vezes, é tratado como proprietário, o especulador imobiliário como legítimo destinatário de terras públicas e os movimentos sociais como vilões, invariavelmente.

A inicial vocação agrícola do Estado de Rondônia há duas décadas foi redefinida como vocação à pecuária. Isso demanda mais terra, aquece a grilagem e incentiva a especulação imobiliária. O Estado, como desde sempre, tem chegado sempre depois, e muitas vezes, apenas assumindo a legitimação do fato consumado. É mais de 13 milhões de cabeça de gado, o rebanho bovino, para uma população de aproximadamente 1,7 milhão de habitantes. O ciclo da pecuária ainda tem seu fôlego, mas a época da soja se aproxima. No Estado a cada ano avança a área de produção do grão, que já passa de 200 mil hectares, sobretudo avançando em região onde em regiões de pastagem degradada, o gado vai dando lugar à soja.

A frustação e o desencanto cada vez mais crescente quanto aos Programas e promessas governamentais (Programa de Regularização fundiária na Amazônia legal), a falta de oportunidades de trabalho nos núcleos urbanos (Em Rondônia o que mais emprega e gera renda no PIB é o setor de serviços), reanima as organizações e movimentos sociais no que se refere às ocupações de terras como instrumento legítimo de promover a distribuição de terras (sobretudo as públicas) e garantir meios de sobrevivência e dignidade aos camponeses.

Mas também a fragilidade dos movimentos sociais, a ausência de formação e debate político em sentido amplo da questão agrária, facilita também a procura por estes grupos de muitos que veem em tais movimentos a oportunidade da “terra fácil”, criando, por vezes, um ambiente de contendas internas, despreparo e, até, situações associadas a interesses particulares, terreno propício para especuladores imobiliários, madeireiros e, inclusive a reprodução da grilagem. Sem a compreensão política do processo, pode ocorrer, em certas situações, até a utilização da pretensa organização das pequenas posses por parte de grandes interesses.

Na região, onde ocorreu a maioria dos crimes, no Estado de Rondônia, o diagnóstico policial de qualquer assassinato ou tentativa de assassinato, localizado em área rural, possui destaque na cartilha militar como crime ligado aos sem terras. Mandantes, fazendeiros e grileiros nunca figuram no polo passivo desta relação jurídica. Os Inquéritos Policiais que investigam a morte dos trabalhadores são relegados ao esquecimento. Assim, uma vez mais, a questão agrária é tratada como questão de polícia e não de política. Assim, inclusive para a região onde ocorreu a maioria dos assassinatos, o esforço uníssono de governo e outras autoridades públicas têm clamado por patrulha rural ao invés de políticas públicas que resolvam a questão fundiária.

Historicamente, o Estado tem se feito presente indiretamente através de políticas equivocadas. O próprio Tribunal de Contas ao fiscalizar o Programa Terra legal constata o baixo índice de atingimento das metas, alertando inclusive para o fato de que, a maioria dos beneficiários não se enquadra nos critérios previstos do próprio programa. Dessa forma, a revisão do próprio programa é medida de necessidade indiscutível, e isso, a partir dos próprios resultados. Igualmente, nos poucos casos de retomada de terras públicas irregularmente ocupadas, por parte do programa, não encontra ressonância por parte da Justiça Federal que precisa legitimar a imissão na posse da União em tais áreas. Por último, se não houver um esforço concentrado e conjunto por parte dos Órgãos federais em uma estratégia de fiscalização e efetivação das medidas necessárias, objetivando uma “higienização” nos cartórios de registros de imóveis e outros setores governamentais, incluindo autarquias, a “legalização da grilagem” perdurará, perdurando igualmente a violência como instrumento de sustentação explícita destes esquemas de apropriação de terras públicas e especulação imobiliária.
A fim de romper com o império da impunidade do latifúndio, compete às próprias instâncias superiores do Judiciário uma força tarefa no sentido de acompanhar de perto e monitorar o funcionamento da Justiça no Estado de Rondônia.

*professor de Direito da Universidade Federal de Rondônia (Unir), já foi coordenador da CPT Rondônia e hoje é colaborador da Pastoral no estado.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Nota do Movimento Sem Terra e do Movimento de Pequenos Agricultores de Rondônia

REPRESSÃO POLICIAL  
MARCA JORNADA DE LUTAS DO MST EM RONDÔNIA

A luta pela terra: ícones da vitória (1996)
Fotografia de Sebastião Salgado

Alinhados à mobilização nacional de trabalhadores e trabalhadoras do Movimento Sem Terra (MST) que alcançou dezoito estados em protestos contra o ajuste fiscal do governo no orçamento da reforma agrária, na manhã do dia 3 de agosto de 2015 cerca de 400 militantes do MST vindos de diferentes acampamentos e assentamentos de Rondônia ocuparam o INCRA de Ji-Paraná e depois seguiram para o escritório da Receita Federal no município.    
A ocupação desta autarquia do Ministério da Fazenda, o responsável pelo corte de quase 50% dos recursos da Reforma Agrária (de R$ 3,5 bilhões restaram apenas R$ 1,8 bilhão), tinha por objetivo chamar a atenção da população e do Estado para as graves consequências do ajuste fiscal neste momento de crise econômica. Vistorias e outros procedimentos técnicos vinculados à reforma agrária, além de programas de moradia e financiamento da produção estão inviabilizados pelos cortes. Diferente do que a mídia local vem mostrando, não se tratou de uma ação CONTRA os servidores da Receita e sim de uma ocupação simbólica do Ministério da Fazenda.
Durante o ato, uma das portas de acesso ao prédio da Receita foi quebrada, assustando os servidores que se encontravam em expediente interno. O excesso foi reconhecido pelo movimento, que, em negociação com a Receita Federal e a Polícia Militar, comprometeu-se a ressarcir o prejuízo material (resolvido no mesmo dia, na parte da tarde) e a desocupar o espaço depois de certo tempo, pois seguiriam em marcha para o INCRA, onde havia uma pauta de reivindicações a ser discutida. Dentro da Receita, seguiram entoando cantos e palavras de ordem, como se faz comumente nas ações do MST.  
Daí a surpresa com a chegada da Polícia Federal, que antes mesmo de travar qualquer tentativa de negociação, lançou sobre os manifestantes, muitos deles crianças e idosos, bombas de gás lacrimogêneo, spray de pimenta e balas de borracha (ver 0’10”, 2’39” no vídeo). Um companheiro foi atropelado por uma viatura policial, fraturando a perna, e outro foi ferido a bala. Ambos só puderam ter atendimento médico horas depois da dispersão do ato. Impedidos de entrar nos ônibus, crianças e feridos seguiram a pé até o INCRA. 
A desproporção da reação policial, muitos à paisana (ver 2’17” no vídeo), que a todo momento apontava armas letais (ver 0’59” e 2’38” no vídeo) para os manifestantes, é evidenciada pelos vídeos registrados no momento do confronto (ver 0’16” no vídeo). Quatro militantes foram presos e outros apreendidos como testemunhas em abordagens agressivas (ver 4’09”  5’03” no vídeo).  Liberados sob fiança, dois deles responderão por tentativa de homicídio por, supostamente, atentarem contra a vida dos policiais ao atirarem pedras e empunharem mastros de bandeira, defendendo-se de suas investidas. Na fértil imaginação policial, facões e foices, instrumentos de trabalho e símbolos da luta camponesa consagrados como “ícones da vitória” na famosa fotografia de Sebastião Salgado, transformaram-se em perigosas armas. 
Diante do crescente cenário de criminalização das diferentes formas de protesto social e dos movimentos sociais, repudiamos a violência policial e  reafirmamos nosso compromisso de seguir firme na luta por reforma agrária e por uma vida digna no campo.
Movimento dos Trabalhadores Sem Terra de Rondônia.

Nota de Repúdio: Repressão Policial contra quem luta para garantir condições de vida digna na terra
O MPA – Movimento dos Pequenos Agricultores expressa seu repúdio a ação policial contra os Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST, no dia 03 de agosto em Ji Paraná – Rondônia, durante Jornada Nacional de Luta. Eram famílias, que mesmo sempre ignoradas pelo modelo agrícola e agrário desse país resistem as ganancias do latifúndio e seguem produzindo alimentos que vão pra mesa de todos, do campo e da cidade, lutando para que seus, e nossos, filhos e filhas não tenham que roubar, prostituir-se, contrabandear... para sobreviver.
A polícia foi truculenta, agressiva e racista nesta ação. REPUDIAMOS esta ação e externamos nosso apoio de SOLIDARIEDADE INCONDICIONAL à luta pela terra pela REFORMA AGRÁRIA e ao MST.
Por Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA 
Imagem: Cenas do Vídeo Gravado durante a ação