quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Dom Moacyr Grechi: A Família e a prática da justiça!

Palavra de Dom Moacyr Grechi – Arcebispo Emérito de Porto Velho
Matéria 490 - Edição de domingo – 20/09/2015




A Família e a prática da justiça!

Importantes acontecimentos marcam a vida da Igreja de setembro a dezembro: a viagem do papa Francisco a Cuba e aos Estados Unidos com destaque ao 8º Encontro Mundial das Famílias (22-27/09) e a visita à sede da ONU em seu septuagésimo aniversário; o Sínodo sobre a Família (04-25/10) que envolve as dioceses de todos os países em sua preparação; a visita do papa à África (novembro); a abertura do Jubileu da Misericórdia (8/12).

O Encontro Mundial das Famílias, que acontece na Filadélfia com a presença do papa Francisco tem como tema: “O amor é a nossa missão: a família plenamente viva”, em sintonia com o tema do próximo Sínodo: “A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”.

O documento de trabalho (Instrumentum Laboris) para o Sínodo da Família, que foi apresentado em junho deste ano, contempla a nova consulta a todas as dioceses na sequência da assembleia de 2014; sublinha a importância das famílias na sociedade e na Igreja, com uma abordagem de “misericórdia” pelas que vivem maiores dificuldades; retoma as preocupações com divorciados, natalidade e defesa da vida. Na Introdução, o documento destaca “a fidelidade generosa com a qual tantas famílias cristãs respondem à sua vocação e missão”, apesar dos “obstáculos, incompreensões e sofrimentos”.

Não obstante os numerosos sinais de crise da instituição familiar nos vários contextos da aldeia global, o desejo de família permanece vivo, de forma especial entre os jovens, motivando a Igreja a anunciar com profunda convicção o Evangelho da família, que lhe foi confiado mediante a revelação do amor de Deus em Jesus Cristo e ensinado pelos Mestres da espiritualidade e pelo Magistério da Igreja. Para a Igreja, a família, é missionária e deve novamente se descobrir como protagonista da evangelização.

O Sínodo, assim como o Encontro Mundial da Família, quer anunciar o valor e a beleza da família; expressar seu significado de sociedade natural fundada sobre o matrimônio, abençoada pelo Senhor no sacramento nupcial; preciosa como “escola de humanidade” (GS 52), de sociabilidade, de experiência eclesial e de vida de fé. Para Dom Bruno Forte, secretario especial do Sínodo, o documento de trabalho afirma um princípio que, para o cristão, deveria ser óbvio e basilar: o respeito a cada pessoa e o compromisso da Igreja para oferecer acompanhamento a todos, em vista da maior integração possível, na verdade e com caridade.

Ao pedir orações pelo bom êxito do sínodo, papa Francisco invoca do Espírito Santo, o dom da escuta aos padres sinodais: escuta de Deus, até ouvir com Ele o grito do povo; escuta do povo, até respirar nele a vontade de Deus que nos chama.

A liturgia de hoje fala da “sabedoria de Deus”, atitude daqueles que assumiram as propostas de Deus e se deixam conduzir por elas; mostra o conflito aberto entre a prática da justiça e a injustiça que se tornou norma regedora das relações sociais. Quem escolhe a “sabedoria de Deus”, não tem uma vida fácil (Sb 2,12.17-20); é perseguido, caluniado, desacreditado.

Mas quem são estes perseguidores injustos? São caracterizados pelo próprio texto com base em suas ações: eles oprimem o justo empobrecido; não poupam a viúva nem respeitam o velho; agem com prepotência; manipulam a Lei, pela força e violência; impõem a injustiça como norma. O justo rompe com eles, e, para sua defesa, chama em causa o próprio Deus (VP).

A eliminação de pessoas que lutam pela justiça levanta uma questão importante: onde Deus se posiciona em meio a esse conflito? O tema do justo perseguido e conduzido à morte é ponto de partida para entendermos o evangelho deste domingo: “O Filho do homem vai ser entregue nas mãos dos homens, e eles o matarão. Mas, três dias após sua morte, ele ressuscitará” (Mc 9,30-37).

O caminho de Cristo e de seus seguidores não é um caminho de glória, êxito e poder; é o contrário: conduz à crucifixão e à rejeição, apesar de que terminará em ressurreição. Enquanto Jesus fala de entrega e da cruz, seus discípulos falam de suas ambições: Quem será o mais importante do grupo? Quem ocupará o posto mais elevado? No entanto, para seguir seus passos, precisamos aprender duas atitudes fundamentais: “Se alguém quer ser o primeiro, deverá ser o último, e ser aquele que serve a todos”. No grupo (comunidade) de Jesus ninguém está acima dos outros, mas deve ser como Ele: “servidor de todos”.

Compreendemos a segunda atitude quando Jesus coloca uma criança no centro do grupo e diz: “Quem receber em meu nome uma destas crianças, estará recebendo a mim; e quem me receber, não estará recebendo a mim, mas àquele que me enviou”. Uma Igreja que acolhe os pequenos e indefesos está ensinando a acolher a Deus. Uma Igreja que olha para os grandes e se associa com os poderosos da terra está pervertendo a Boa Nova de Deus anunciada por Jesus (A.Pagola).

O apostolo Tiago nos conduz pelo caminho da sabedoria qualificando-a como pura, pacífica, indulgente, conciliadora, cheia de misericórdia e bons frutos, sem parcialidade, sem fingimento (Tg 3,16–4,3). Portanto, sábia é a pessoa autêntica e leal, que promove a paz e a justiça, é misericordiosa, procura conciliar, é imparcial e transparente (VP).

Estamos nos preparando para o Ano Santo dedicado à misericórdia, convocado pelo Papa Francisco de 8 de dezembro de 2015 a 26 de novembro de 2016, no qual “somos chamados a viver de misericórdia, porque conosco, em primeiro lugar, foi usada a misericórdia”.

Ser justo e misericordioso hoje significa estar atento aos outros, aos seus sofrimentos, as suas feridas e necessidades. Ter olhos abertos e não fazer parte da globalização da indiferença.

A justiça é o mínimo da misericórdia, é o mínimo daquilo a que somos obrigados a dar aos outros, porque é o seu direito, mesmo que às vezes não sejamos nem isso. A misericórdia pressupõe essa justiça e vai além, como o bom samaritano. E isso muda o mundo. A justiça é o pressuposto da misericórdia, mas a misericórdia vai muito além, como fundamenta o papa Francisco na BulaMisericordiae Vultus:

Se Deus Se detivesse na justiça, deixaria de ser Deus; seria como todos os homens que clamam pelo respeito da lei. A justiça por si só não é suficiente, e a experiência mostra que, limitando-se a apelar para ela, corre-se o risco de destruí-la. Por isso Deus, com a misericórdia e o perdão, passa além da justiça. Isto não significa desvalorizar a justiça ou torná-la supérflua. Antes pelo contrário! Quem erra, deve descontar a pena; só que isto não é o fim, mas o início da conversão, porque se experimenta a ternura do perdão.

Deus não rejeita a justiça. Ele engloba-a e supera-a num evento superior onde se experimenta o amor, que está na base duma verdadeira justiça. Devemos prestar muita atenção àquilo que escreve Paulo, para não cair no mesmo erro que o apóstolo censurava nos judeus seus contemporâneos: “Por não terem reconhecido a justiça que vem de Deus e terem procurado estabelecer a sua própria justiça, não se submeteram à justiça de Deus; é que o fim da Lei é Cristo, para que, deste modo, a justiça seja concedida a todo o que tem fé” (Rm 10,3-4).

Esta justiça de Deus é a misericórdia concedida a todos como graça, em virtude da morte e ressurreição de Jesus Cristo. Portanto a Cruz de Cristo é o juízo de Deus sobre todos nós e sobre o mundo, porque nos oferece a certeza do amor e da vida nova.

Para ser capazes de misericórdia, devemos primeiro pôr-nos à escuta da Palavra de Deus. Isso significa recuperar o valor do silêncio, para meditar a Palavra que nos é dirigida. Deste modo, é possível contemplar a misericórdia de Deus e assumi-la como próprio estilo de vida.

Ao povo cubano, o papa disse: venho até vocês “como missionário da misericórdia e da ternura de Deus”. Venho “visita-los para compartilhar a fé e a esperança, para que nos fortaleçamos mutuamente no caminho de Jesus”.

Nesta semana abençoada e na alegria do Evangelho, vivamos a experiência solidária das pequenas comunidades cristãs, na certeza de que não estamos sozinhos quando enfrentamos todo tipo de dificuldades e de que não é vã a nossa luta. “A vida no Corpo de Cristo é destinada para ser vivida como membros interdependentes, que constroem uns aos outros no amor”, pois juntos podemos ser misericordiosos, curar e viver de tal forma que poderia parecer impossível. A palavra de Deus, os ensinamentos, os sacramentos e a comunidade eclesial existem para ajudar nossa caminhada.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Lançamento de livro sobre massacre de Corumbiara, 18 e 21 de setembro.


Dom Moacyr Grechi: Equilíbrio e ordem social!


Palavra de Dom Moacyr Grechi – Arcebispo Emérito de Porto Velho
Matéria 489 - Edição de domingo – 13/09/2015

Equilíbrio e ordem social!
Nosso povo vive um momento difícil de incertezas, resignação, crise politica e agrária, fragilização das forças sociais, extermínios de jovens e indígenas, eliminação da massa sobrante. Conscientes da gravidade do momento histórico, consideramos, contudo, ser esta uma hora oportuna de fortalecimento do processo democrático, de reinvenção e reconstrução, pois “o futuro está fundamentalmente nas mãos dos povos e na sua capacidade de se organizarem” (papa Francisco). É a ética, não uma éti­ca ideologizada, que vai permitir criar “um equilíbrio e uma ordem social mais humana” (EG 57) e uma economia a serviço do bem comum.

Diante dos conflitos, a liturgia de hoje centraliza sua mensagem no seguimento de Jesus e na identidade de seus seguidores (Mc 8,27-35). A pergunta de Jesus “Quem dizem os homens que eu sou” força os discípulos a fazer uma revisão de tudo o que ele realizou no meio do povo. Sua ação messiânica consiste em criar um mundo plenamente humano, onde tudo é repartido entre todos. Esse messianismo destrói a estrutura de uma sociedade injusta, onde há ricos à custa de pobres e poderosos à custa de fracos. Por isso, essa sociedade vai matar Jesus, antes que ele a destrua (BP).

Ser discípulo de Jesus é fazer as mesmas coisas que ele fez para libertar o mundo da ganância que mata. Celebrar não é só fazer memória de suas ações libertadoras, mas atualizá-las (VP). Jesus é o Messias à maneira do Servo Sofredor de que fala o profeta Isaias (Is 50,5-9a): seu poder não é como os poderes deste mundo; é a força de Deus que vence o poder pelo amor (Konings).

Quem é esse servo sofredor hoje? O critério para discernir é a vida do povo. Todos os que lutam pela vida do povo, e por causa dessa luta correm sérios riscos, são esse servo de Javé (VP). Ser cristão é seguir Jesus pelo caminho do sofrimento. Não existe fé cristã sem via sacra; quem não é perseguido provavelmente não está trilhando os passos de Jesus. O apóstolo Tiago oferece em sua Carta exemplos do que é o caminho da cruz (Tg 2,14-18). Fé não é uma adesão meramente intelectual; é escolher o caminho da negação de si em favor do irmão. Boas intenções não são suficientes para que alguém possa se declarar cristão, mesmo que creia em todas as verdades da fé.

Na base de toda a espiritualidade cristã autêntica e viva, está a Palavra de Deus anunciada, acolhida, celebrada e meditada na Igreja (VD 121). Setembro, mês bíblico, é tempo de familiaridade com a Sagrada Escritura, de “relacionar-se com a Palavra divina”, de “nos encontrar, quer na Escritura quer na Tradição viva da Igreja, em presença da Palavra definitiva de Deus sobre o universo e a história”.

No “Prólogo do Evangelho de João todo o ser está sob o signo da Palavra; o Verbo sai do Pai e vem habitar entre os Seus e regressa ao seio do Pai para levar consigo toda a criação que nele e para Ele fora criada” (VD 121). Somos convidados a reler a Bíblia a partir dos sinais da presença de Deus na historia de seu povo: “A Palavra se fez carne e fez sua tenda no meio de nós” (Jo 1,14).

Com o tema “Discípulos e missionários a partir do Evangelho de João” e o lema “Permanecei no meu amor para dar muitos frutos” (Jo 15,8-9) vamos entender a Comunidade Joanina e a teologia da comunhão como um ponto alto da obra de João; descobrir traços de uma comunidade semelhante a nossas comunidades: de periferia, sem poder, marginalizada e excluída do sistema; de resistência, perseguida e minoritária; comunidade que se organiza sob a liderança do “discípulo amado” (CRB/Seguir Jesus).

O Evangelho de João é o livro dos “sinais” (Jo 1,19-11,54): a hora de Jesus ainda não chegou (2,4) e da “exaltação” (13,1-20,31): a hora chegou. Sinais que são uma manifestação do tempo messiânico que se realizará plenamente na hora de Jesus, que é a hora do Pai. Na 2ª parte, Jesus revela o verdadeiro rosto de Deus, que é Amor e sua missão é levada até o fim como obra de amor: “sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1). Unido ao Pai, assume livremente esta “hora” de entrega da própria vida (Jo 15,13). A hora de Jesus é a hora da sua morte-glorificação, para que “todos tenham vida em abundancia” (Jo 10,10).

Amanhã, Festa da Exaltação da Santa Cruz (14/09): a Cruz é exaltada porque nela se revela ao máximo o amor de Deus pela humanidade. É o que nos recorda São João: “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16).

A Cruz de Cristo é gloriosa, por causa do amor que O levou a participar do nosso sofrimento e a tomar o lugar de todos os que punimos, perseguimos e eliminamos da comunidade dos homens (M. Domergue). Para o papa Francisco, a Cruz de Jesus exprime toda a força negativa do mal e toda a mansidão onipotente da misericórdia de Deus. No Calvário, quantos o escarneciam dizendo: “se és Filho de Deus desce da cruz”. Precisamente porque era o Filho de Deus Jesus estava ali, na cruz, fiel até ao fim ao desígnio de amor do Pai. Por isto Deus o “exaltou” (Fl 2,9).

Contemplemos a Cruz onde Jesus foi pregado, olhando nela o sinal do amor infinito de Deus por nós: da Cruz brota a misericórdia do Pai que abraça o mundo inteiro. Por meio da Cruz de Cristo o maligno é vencido, a morte é derrotada, a vida nos é doada, a esperança nos é restituída. Eis por que a Igreja “exalta” a santa Cruz; eis por que nós cristãos abençoamos com o sinal da cruz. Fazer o sinal da cruz é manifestar em nós mesmos que em nosso batismo fomos mergulhados na morte de Jesus para que com ele ressuscitemos. Celebrando a santa Cruz, fazemos memória de tantos irmãos e irmãs nossos que são perseguidos e assassinados por causa da sua fidelidade a Cristo.

No dia 15 vamos celebrar Nossa Senhora das Dores, permanecendo junto ao Calvário por dois dias seguidos; no primeiro contemplamos a cruz de Jesus, no segundo, a sua mãe junto da cruz (Jo 19,25-27). Gloriosa é a cruz; humilde e mansa é a mãe, a Virgem das dores. Maria permaneceu com firmeza ao lado da cruz, sabia que uma espada esperava por ela: Simeão tinha-lhe dito. Ela é a mãe firme que nos dá a segurança neste caminho de aprendizagem e sofrimento.

A Senhora das Dores é a “mulher livre e forte que emerge do Evangelho conscientemente orientada para o verdadeiro seguimento de Cristo. Ela viveu toda a peregrinação da fé como mãe de Cristo e depois dos discípulos, sem que fosse livrada da incompreensão e da busca constante do projeto do Pai. Dessa forma, alcançou o fato de estar ao pé da cruz em uma comunhão profunda, para entrar plenamente no mistério da Aliança” (DAp 266).

A principal inspiração mariana da Ordem dos Servos de Maria é a devoção a Nossa Senhora das Dores porque todo “servo de Maria” quer estar aos pés das infinitas cruzes da humanidade onde Cristo continua sendo crucificado. Assim viveu seus 74 anos de vida religiosa, o servo de Maria, Padre André Ficarelli, meu confrade e amigo, que faleceu no dia 3 de setembro em Rio Branco.

Per crucem ad lucem: sua Via Crucis foi semelhante à via sacra dos mais sofridos do Acre, por quem ele doou sua vida, carregando sua cruz e colocando-se aos pés das infinitas cruzes do povo da Amazônia. Unido a todos os servos de Maria, ao povo e às Comunidades, nossa homenagem e preces ao Pe. André.

Frei André era italiano e tinha 92 anos de idade; no batismo, recebeu o nome de Nicodemos. Ingressou na Ordem dos Servos de Maria ainda jovem; foi ordenado presbítero em Roma em 1948; veio para o Brasil (1950), estabelecendo-se em Rio Branco. Foi Prior Provincial (1967-1970) residindo em São Paulo; em seguida, prior e pároco no Rio (1968-1971). Como conselheiro geral permaneceu em Roma (1971-1977), retornando ao Acre em 1978, onde ficou até sua morte.

No Acre, assumiu o Vicariato da Ordem (1979-1984), foi pároco da Catedral Nossa Senhora de Nazaré e, por mais de 20 anos, Vigário Geral da Prelazia/ Diocese. Todo o trabalho que realizei só foi possível graças a sua colaboração; na coordenação organizou a pastoral, animou as lideranças frente às CEBs, Direitos Humanos, Comunicação, Liturgia, Missa ao vivo na Tevê, Caritas e Organismos sociais. Pastor, construtor e homem de visão, foi o historiador da Igreja do Acre, registrando toda a caminhada eclesial. Seu legado de fé e obras contribuiu para o engrandecimento do Estado e ao processo de desenvolvimento pastoral e social da Igreja missionaria no Acre. Dele podemos dizer: foi um seguidor de Jesus Cristo e um servo de Maria que viveu “as verdades do Evangelho com os olhos e as atitudes de Maria”.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

I Caravana de Agroecologia de Rondônia


Durante os dias 27 a 30 de outubro acontecerá a I Caravana Agroecológica de Rondônia, que é uma proposta da Articulação Nacional de Agroecologia e tem por objetivo dar visibilidade às ações das instituições e agricultores no âmbito da agroecologia, visa fazer divulgação entre o público potencial de consumidores da produção de alimentos limpos que existe no estado e colocar as ações das organizações da sociedade civil em evidência. 

A Caravana de Agroecologia de Rondônia tem como parceiros na organização: o Projeto Padre Ezequiel/Diocese de Ji-Paraná, Movimento Sem Terra - MST, Comissão Pastoral da Terra – CPT, Associação das Escolas Família agrícola de Rondônia – AEFARO, Associação Brasileira de Homeopatia Popular – ABHP, Articulação das Associações Organizadas de Ajuda Mútua – ACARAM, Cooperativa de Produtores Rurais Organizados para Ajuda Mútua – COOCARAM, Projeto Pacto das Águas. Entre as entidades públicas estão integrantes da Universidade Federal de Rondônia-UNIR. Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia-IFRO e Ministério de Desenvolvimento Agrário – MDA. 

Programação: 

A caravana está com data prevista para o período de 27 a 30 de outubro de 2015, dois grupos de trinta pessoas composto por integrantes da ANA-Articulação Nacional de Agroecologia, pesquisadores, agricultores e profissionais. 

No dia 27 de outubro de 2015 pela manhã em Ji-Paraná/RO os grupos se reunirão para a socialização da programação e objetivo da caravana, no mesmo dia à tarde sairão de ônibus, para visitas nas experiências de resistência no campo de povos ribeirinho, quilombolas, indígenas, Escolas Famílias Agrícolas e Agricultores agroecológicos. 

Um grupo passará nas experiências dos municípios de Alta Floresta(Comunidade indígena Rio Branco e comunidades Ribeirinhas) e Rolim de Moura(Unidade de Produção camponesa de Francisco de Oliveira, Viveiro Cidadão- ECOPORÉ e debate no Campus da UNIR/Rolim de Moura), enquanto o outro grupo visitará experiências nos municípios de Ariquemes( Camponeses do Coletivo 14 de Agosto), Jaru Escola Família Agrícola Dom Antônio Possamai), Mirante da Serra(Feira de Produtos Agroecológicos da Agricultura Camponesa), Nova União( Manejo Florestal Sustentado Comunitário da Reserva Legal do Assentamento Margarida Alves) , Ouro Preto do Oeste (Pastoral da Saúde) e Vale do Paraíso ( Agroindústria para beneficiamento de polpas de frutas), finalizando o trajeto no dia 29 de outubro em Ji-Paraná/RO. 

Horta orgânica no Assentamento 14 de agosto. 

E para o encerramento , no dia 30 de outubro acontecerá uma plenária para socialização das experiências vistas na caravana e um debate com autoridades politicas federais, estaduais e municipais para discutirmos políticas públicas para a agroecologia. 

Sobre a Rede Terra Sem Males 

A Rede de Agroecologia Terra Sem Males de Rondônia é uma organização de Entidades Civil e grupos organizados de agricultores camponeses e profissionais que acreditam na agroecologia como forma mais eficiente de organizar a produção, busca fortalecimento da produção de alimentos livres de agrotóxicos, soberania alimentar das famílias e construção de uma economia solidária. 

O Objetivo da Rede é Promover um espaço de articulação entre entidades, movimentos e organismos populares e sociais, tendo como eixo a proposição, a prática e a expansão da agroecologia no estado de Rondônia, em vista da consolidação de uma política pública agroecológica no bioma amazônico. 

Propostas: Desenvolver, fortalecer e multiplicar as experiências agroecológicas no estado; Aproximar agricultores(as) e consumidores(as); Estimular o intercâmbio, o resgate e a valorização do saber popular; combate ao uso de agrotóxicos; contrapor o modelo do agronegócio; propor adequação do modelo produtivo para o bioma amazônico; demandar pesquisas em sistemas agroecológicos; resgate e multiplicação das sementes e animais crioulos; sistematização e divulgação das experiências agroecológicas do estado; promover capacitações, seminários, congressos, encontros e trocas de experiências; promover estratégias de comercialização de produtos agroecológicos( cestas, vendas diretas e feiras); propor a criação do conselho estadual de agroecologia; certificação participativa das unidades rurais; propor leis municipais de agroecologia; promover interações das atividades das instituições parceiras; socialização das agendas; resgate das resistências culturais; e promoção do protagonismo do Jovem no campo. 

Nossas bandeiras de lutas são: 
Agroecologia: 
o Politicas públicas municipais/Estaduais e Federais; 
Economia Solidária; 
Certificação Participativa; 
Saúde Alternativa; 
Educação do Campo; e 
Cooperativismo/Associativismo. 
Entre instituições, organismos e grupos a Rede de agroecologia é composta por 18(dezoito) componentes que em suas atividades promovem e difundem a agroecologia no estado. 


Fonte: Coordenação da Rede de Agroecologia

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Semana da Pátria: luta por justiça e vida digna!

Palavra de Dom Moacyr Grechi – Arcebispo Emérito de Porto Velho
Matéria 488 - Edição de domingo – 06/09/2015


Semana da Pátria: luta por justiça e vida digna!

O Dia da Pátria propõe, diante das situações gritantes no Brasil e no mundo como a migração, o desemprego, a corrupção, o trafico, a exclusão social, uma avaliação do processo histórico de construção do nosso país e uma reflexão sobre qual independência comemorar.
Há 21 anos, o Grito dos Excluídos acontece todo dia 7 de setembro, Dia da Independência do Brasil. Esse evento ocorre em todas as regiões brasileiras, envolvendo as populações ribeirinhas, povos indígenas, população urbana, rural, do sertão, diversos segmentos da sociedade e setores dos movimentos e pastorais sociais, visando resgatar para a cidadania a celebração do Dia da Pátria.
O Grito dos Excluídos sempre contribui com a proposta de temas para debates e manifestações, com subsídios feitos com critério e competência, oferecendo à sociedade uma maneira democrática de gritar as causas urgentes que precisamos assumir, como Pátria onde todos podem se sentir incluídos.
Violência e mídia estão em debate na edição deste ano. Tema e lema estão em sintonia com a Campanha da Fraternidade 2015 que trata da relação Igreja e sociedade e refletem situações do contexto brasileiro. O tema “A Vida em primeiro lugar” e o lema “Que país é este que mata gente, que a mídia mente e nos consome”, mediante 06 eixos: “Unir os generosos, Direitos Básicos, Desmentir a Mídia; As formas diferentes de violência; Função do Estado; Participação Política e A rua é o lugar”, aponta para a reivindicação daqueles que lutam por igualdade, justiça e vida digna e os que têm seus direitos negados e violados. Na pauta, portanto, o debate do papel do Estado e questões como o extermínio dos povos indígenas, da juventude negra e pobre, maioridade penal, reforma politica, democratização dos meios de comunicação.
Diante do grito e sofrimento dos povos indígenas não podemos ficar cegos, surdos, mudos e indiferentes: o assassinato do líder Simião Vilhalva, dos povos kaiowá-guarani, no dia 29 de agosto na Terra Indígena Ñanderu Marangatu, em Antonio João, MS, no mesmo território sagrado onde tombaram Marçal de Souza, Dorvalino Rocha e tantos outros, clama por justiça. E os assassinos continuam atacando impunemente nossos irmãos indígenas, vulneráveis e indefesos, como afirma o CIMI, com um único objetivo: eliminar os povos originários e continuar invadindo e explorando seus territórios.
A Liturgia deste domingo permite-nos aprofundar os temas da Semana da Pátria, destacando os “pobres de Javé” e a opção de Deus pelos deserdados. Aqueles que sofrem podem criar coragem, pois a justiça de Deus encontra-se com os que estão marginalizados e é comunicada como abundância de vida (Sl 145).
O profeta Isaías mostra a marcha dos mutilados voltando do exílio (Is 35,4-7a). É a peregrinação rumo à vida nova que Deus lhes preparou. Javé dos inválidos posiciona-se a favor dos que foram privados de ver, ouvir, andar e falar. Ele é o Deus dos que não têm voz, liberdade, vez e defesa; dos que foram manipulados e marginalizados (VP).
No Evangelho de Marcos, Jesus é aquele que, anunciado em Isaías, abre os ouvidos e a boca das pessoas, para que possam testemunhá-lo (Mc 7,31-37). A multidão proclama que Jesus “tem feito bem todas as coisas: aos surdos fez ouvir e aos mudos falar”. Ele cria o mundo novo e devolve vida e liberdade aos oprimidos e mutilados pela sociedade.
A carta de Tiago mostra a sabedoria cristã diante dos desafios. Reduz a Lei judaica ao mandamento do amor ao próximo (Tg 2,1-5) que se traduz em igualdade cristã, preferência pelos pobres, amor ativo. Esse amor exclui a exploração; a fé é dinamismo que produz ação e só é madura quando se expressa em atos concretos. A fé torna todos iguais e conduz a relações sociais justas.
O teólogo Johan Konings nos interpela dizendo que muitas vezes a religião é usada para dominar as pessoas, para que fiquem quietas e não protestem contra a exploração pelos poderosos: será isso promover a vida do ser humano? Dizem que os que sofrem serão recompensados na eternidade. Mas isso não justifica que se faça sofrer aqui na terra! O Deus da Bíblia quer o bem das pessoas desde já. Pode existir doença, sofrimento, mas não é a última palavra. Deus não pode servir para legitimar nenhuma opressão; Ele não tem uma opção de classe privilegiando uns em detrimento de outros. Deus oferece o seu amor, a sua graça e a sua vida a todos; contudo, uns acolhem os seus dons e outros não.
A justiça é a exigência mínima do amor. A verdadeira religião liberta o ser humano do mal, também do mal econômico e político; serve para o bem do homem todo, para aquelas dimensões que são esquecidas: a integridade da vida e do verdadeiro amor; o crescimento espiritual e o sentido último da vida.
A crise atual exige que assumamos o diálogo entre as pastorais e movimentos sociais, unindo forças; o diálogo ecumênico mediado por ações concretas voltadas aos excluídos da sociedade, um diálogo de ação e metodologia que possa acolher toda a riqueza espiritual das Religiões; exige reintegrar as forças sociais, visto que as diferentes manifestações que estão acontecendo, somadas a um projeto de poder divorciado dos anseios populares, geraram dificuldades para análise do novo perfil da sociedade.
Na mensagem da Igreja sobre o momento atual da vida do País, a CNBB afirma que “pagamos um alto preço pela falta de vontade política de fazer as reformas urgentes e necessárias, capazes de colocar o Brasil na rota do desenvolvimento com justiça social quais sejam as reformas política, tributária, agrária, urbana, previdenciária e do judiciário”. O gasto com a dívida pública, o ajuste fiscal e outras medidas para retomada do crescimento colocam a saúde pública na UTI, comprometem a qualidade da educação, inviabilizam a segurança pública e inibem importantes conquistas sociais. 
A corrupção, metástase que atinge de morte não só os poderes constituídos, mas também o mundo empresarial e o tecido social, desafia a política a seguir o caminho da ética e do bem comum. Combatê-la de forma intransigente supõe assegurar uma justa investigação de todas as denúncias que vêm à tona com a consequente punição de corruptos e corruptores.
A “Nota da CNBB a favor do Brasil” (26/08/2015) recorda as palavras do papa Francisco: “é urgente resgatar a credibilidade da atividade política em que seja fortalecida a cultura inclusiva e democrática, pois um método que não dá liberdade às pessoas para assumir responsavelmente sua tarefa de construção da sociedade é uma chantagem, e nenhum político pode cumprir o seu papel, seu trabalho, se se encontra chantageado por atitudes de corrupção”.
O cenário político brasileiro não está isento desta condenável prática. É inaceitável que os interesses públicos e coletivos se submetam aos interesses individuais, corporativos e partidários. As disputas políticas exacerbadas podem comprometer a ordem democrática e a estabilidade das instituições. Garantir o estado de direito democrático é imperativo ético e político dos brasileiros. O bem do Brasil exige uma radical mudança da prática política.
A Igreja, através Conselho Pastoral da CNBB, reafirma o diálogo e a luta contra a corrupção como meios para preservar e promover a democracia. Nesse diálogo, devem tomar parte os poderes constituídos e a sociedade civil organizada. Com o Papa lembramos que “o futuro da humanidade não está unicamente nas mãos dos grandes dirigentes, das grandes potências e das elites. Está fundamentalmente nas mãos dos povos; na sua capacidade de se organizarem e também em suas mãos que regem, com humildade e convicção, este processo de mudança”. O Espírito Santo nos ajude a dar a razão de nossa esperança e nos anime no compromisso de agir juntos pelo bem comum do povo brasileiro (CNBB).
Neste mês da Bíblia, vamos perceber, através do Evangelho de João, que pessoas pobres e marginalizadas formavam a comunidade joanina; vivendo de um jeito novo, eram unidos pelo amor e não pela Lei.
Desde 2012 estamos aprofundando o tema “Discípulos missionários a partir dos Evangelhos”; cada Evangelho está sendo relido na perspectiva do seguimento: Marcos em 2012; Lucas em 2013, Mateus em 2014. Em 2015, o tema “Discípulos e missionários a partir do Evangelho de João” e o lema “Permanecei no meu amor para dar muitos frutos” (Jo 15,8-9) mostram que o Evangelho da comunidade de João nasceu do anúncio vivo, da memória de homens e mulheres que guardavam e praticavam os ensinamentos transmitidos por Jesus (Bíblia Gente). É o testemunho vivo da comunidade, de suas lutas e dificuldades, dos conflitos vividos com as autoridades judaicas, com o Império Romano e com os seus próprios membros em suas diferentes compreensões da mensagem de Jesus.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

10ª Romaria da Terra e das águas: Terra, Floresta e Água, dádivas de Deus para viver e conviver


                                                                                         “A 10 ª Romaria da Terra e das Águas foi mais um momento histórico 
com a missão de “replantar” em cada coração um jeito de ser igreja comprometida com a caminhada do povo pobre!”. Zé Pinto da CPT


No dia 23 de Agosto aconteceu na cidade de Machadinho D’Oeste a 10ª Romaria da Terra e das Águas, com o tema: Terra, Floresta e Água, dadivas de Deus para viver e conviver, a escolha da cidade para sediar a 10ª Romaria partiu da necessidade de alertar a população local sobre a construção da hidrelétrica Tabajara e a PCH da Cachoeira São Jose na cidade, o avanço do agronegócio e a concentração de terras na região, conscientizar a população sobre os malefícios dos agrotóxicos, uma vez que a cidade registra altos índices de uso e pela atual situação de conflitos agrários na região.

Se reconhecemos na terra, água e floresta as dádivas de Deus, por outro lado essa romaria nos convida enquanto cristãos a sermos testemunhas de um novo céu e uma nova terra, devemos lembrar a profecia de Maria, as mudanças nos pequenos gestos coerentes com a sua fé, derruba do trono os poderosos. 
Jair Bruxel que participou de todas as romarias relembra “Naquela época as pessoas vinham de pau de arara, de caminhão, chegavam de todos os lugares do estado, todas com muita fé e animação, desde então todas as romarias vem alimentando a esperança do povo de Deus da luta pela terra e na terra. 
São 29 anos de Romaria da terra, muitas coisas mudaram, mas ainda muitas bandeiras de 87 são bandeiras vivas e recentes, muitas romarias ainda vão acontecer para que o povo tenha esperança que a água possa servir para todos, que o meio ambiente possa ser preservado e para que nos possamos judiar menos de nossa casa  comum.”                                                                                                                                                                                                                               
A romaria contou com a participação de varias pastorais da igreja católica e dioceses de Guajará-Mirim, Porto Velho e Ji-Paraná, para Zé Pinto da CPT “A 10 ª Romaria da Terra e das Águas foi mais um momento histórico com a missão de “replantar” em cada coração um jeito de ser igreja comprometida com a caminhada do povo pobre!”.

Vários movimentos sociais do campo e da cidade que fazem parte da VIA Campesina, como o Movimento dos Atingidos por Barragens MAB, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra MST e o Movimento dos Pequenos Agricultores MPA, participaram ativamente da construção da Romaria. Também foi marcante a atuação das comunidades ribeirinhas como São Carlos e Nazaré, extrativistas e indígenas que denunciaram ameaças a seus territórios e violações de seus direitos, para Claudio da Coordenação estadual do MST RO “E muito importante ter os movimentos sociais participando da Romaria em Machadinho, atualmente essa região vive uma conjuntura muito complexa, temos duas situações impactantes, a primeira é o uso de agrotóxicos nos monocultivos de arroz e a outra e a construção da hidrelétrica de Tabajara”. Segundo ele em todos os municípios do estado de Rondônia que foram construídas hidrelétricas o impacto da população local foi muito grande, essa Romaria vem chamar a sociedade para refletir sobre o cuidado coletivo que devemos ter com a terra e com a água, com a terra o MST reforça a luta pela reforma agraria para que todos os camponeses tenham acesso a terra, e com a defesa da água que é importante para a produção de alimentos mas também para o consumo humano, a água é um patrimônio coletivo, a construção de qualquer hidrelétrica em qualquer região tem que ser dialogada com a sociedade.”

Caminhavam juntos romeiros de varias denominações cristãs, para Jose Aparecido da Diocese de Ji-Parana “Desde a primeira romaria da terra que aconteceu dia 20 de junho de 1987, em Ji-Paraná, percebemos o comprometimento das comunidades, da Igreja católica e luterana e dos movimentos sociais com a vida, a reforma agraria, a defesa das águas, da terra e da floresta, e essa 10ª Romaria traz uma reflexão sobre os mártires que doaram suas vidas na defesa da terra, esse ano celebramos 30 anos do assassinato do Padre Ezequiel e certamente ele esta presente nessa caminhada junto com outros homens e mulheres que também perderam suas vidas na luta”. 

A caminhada de 6 Km, saiu da Paróquia Matriz Nossa Senhora de Aparecida até a Cachoeira de São José, lugar onde pretende-se construir uma PCH (Pequena Central Hidrelétrica), cerca de quatro mil e quatrocentos pessoas participaram da caminhada e permaneceram nesse local refletindo e celebrando.

A vivência da espiritualidade se manifesta nas mais diversas formas, numa Romeira que veio pela terra, mas também da água, em canoas, entoando o canto “Virá o dia em que todos ao levantar a vista, veremos nesta terra reinar a liberdade”.

Dom Benedito, bispo de Guajará-Mirim que presidiu a missa, conclamou romeiros e romeiras a se comprometerem com as causas sociais e sintonizados com as palavras do Papa Francisco convidou a todos a repetirem juntos: “NENHUMA FAMÍLIA SEM CASA, NENHUM CAMPONÊS SEM TERRA E NENHUM TRABALHADOR SEM DIREITOS!”, renovadas as esperanças e os compromissos as reflexões feitas nessa romaria segundo ele “devem refletir no trabalho de base”, “essa romaria  é para refazer as nossas forças, despertar a nossa coragem, afastar o medo, o cansaço e renovar o nosso testemunho, o nosso compromisso, pois Deus é o nosso guia e nos conduz nessa caminhada”.
 Assessoria : CPT-RO








terça-feira, 1 de setembro de 2015

Dom Moacyr Grechi: Educadores da fé e o cuidado da criação!

Palavra de Dom Moacyr Grechi – Arcebispo Emérito de Porto Velho
Matéria 487 - Edição de domingo – 30/08/2015

Educadores da fé e o cuidado da criação!
Encerramos o mês de Agosto homenageando os cristãos leigos/as que têm por missão o ministério da Catequese: aqueles que “através do sacerdócio comum do povo de Deus” (DAp 157) transmitem a fé, vivem a sua vocação na construção da Igreja de Cristo e são portadores de esperança para a sociedade. “Espalhados nas comunidades das estradas, ribeirinhas, indígenas e de nossas cidades, estão sempre presentes e atuantes, contribuindo para o dinamismo missionário do Reino” (doc Manaus 71).
Com os catequistas, a Igreja é a educadora da fé que conduz seus filhos e filhas a crescerem em uma espiritualidade autêntica e adulta, comprometida com a missão de testemunhar os valores do Reino, da justiça, solidariedade e misericórdia no meio do mundo (n.75; Rm 12,9-21). A serviço do processo de educação da fé os catequistas exercem sua missão na gratuidade, transformando as CEBs em comunhão de Comunidades de fé, celebração e caridade.
Como estamos educando nossos filhos na fé, como estamos alimentando nossa experiência cristã? O documento de Aparecida ainda questiona: ou educamos na fé, colocando as pessoas realmente em contato com Jesus Cristo, convidando-as para seu seguimento, ou não cumpriremos nossa missão evangelizadora (DAp 287).
Muitos católicos não têm consciência de sua missão de serem sal e fermento no mundo, vivem uma identidade cristã fraca e vulnerável (DAp 287). Em alguns setores da sociedade, constata-se a tendência ao cultivo da fé de forma intimista, privativa.
O caminho de formação do cristão na tradição mais antiga da Igreja “teve sempre um caráter de experiência, na qual era determinante o encontro vivo e persuasivo com Cristo, anunciado por autênticas testemunhas” (SC 64). Trata-se de uma experiência que introduz o cristão numa profunda e feliz celebração dos sacramentos, com toda a riqueza de seus sinais. Deste modo, a vida vem se transformando progressivamente pela catequese e vivência dos santos mistérios que se celebram, capacitando o cristão a transformar o mundo (DAp 290).
Nessa nossa caminhada de fé, Deus nos conduz nesta constante troca de ensinamentos e aprendizados no exercício de nossa missão. Na Exortação Evangelli Gaudium o papa Francisco lembra-nos que “cada um dos batizados, independente da própria função na Igreja e do grau de instrução da sua fé, é um sujeito ativo de evangelização” (EG 120). A nova evangelização deve implicar um novo protagonismo de cada um dos batizados. Cada cristão é missionário na medida em que se encontrou com o amor de Deus em Cristo Jesus.
Somos chamados a dar aos outros o testemunho explícito do amor de Deus, que, sem olhar às nossas imperfeições, nos oferece a sua proximidade, a sua Palavra, a sua força, e dá sentido à nossa vida. A nossa imperfeição não deve ser desculpa; pelo contrário, a missão é um estímulo constante para não nos acomodarmos na mediocridade, mas continuarmos a crescer (EG 121). O testemunho de fé, que todo o cristão é chamado a oferecer, implica dizer como São Paulo: “Não que já o tenha alcançado ou já seja perfeito; mas corro para ver se o alcanço, lançando-me para o que vem à frente” (Fl 3,12-13).
Como servidores do evangelho que gera Vida em abundância, cada catequista coloca em prática o ensinamento de Jesus, dedicando seu tempo para que adultos, jovens, adolescentes e crianças possam encontrar o caminho do discipulado missionário, a partir da experiência pessoal e comunitária com Jesus Cristo.
Ao celebrar o Dia do Catequista neste ano, a Igreja no Brasil está envolvida em dois projetos interligados: a lembrança dos 50 anos da conclusão do Concílio Vaticano II e a celebração do Ano da Paz, motivado pela situação nacional e mundial, onde a violência se destaca. Esses projetos valorizam a vocação dos catequistas, que são dedicados transmissores dos valores cristãos e animadores do processo de crescimento na fé. A Igreja agradece a Deus por seus catequistas e convida as comunidades a demonstrar o reconhecimento de valor desse apostolado.
A liturgia de hoje ilumina nossa vida cristã, que deve estar centrada na verdadeira religião. Uma religião que não é exterioridade, mas sintonia com


Deus, verdadeira piedade, amor a Deus e aos irmãos.

Para muitas pessoas, as leis e preceitos de Deus são um caminho de escravidão, que condicionam a autonomia e limitam a liberdade do homem; para outras, as leis e preceitos de Deus são uma moral ultrapassada, que não condiz com os valores do nosso tempo e que deve permanecer, coberta de pó, no museu da história. No Livro do Deuteronômio (Livro da Lei, da Aliança) a Palavra de Deus é um caminho sempre atual, que liberta o homem da escravidão do egoísmo e que o conduz ao encontro da verdadeira vida e liberdade (Dt 4,1-2.6-8).
No Evangelho, Jesus ensina-nos qual é a vontade de Deus. Ele respeita a Lei, melhorando-a para torná-la mais de acordo com a vontade de Deus, que é o verdadeiro bem do ser humano. Isso é o essencial.
O que vem de fora não torna o homem pecador, e sim o que sai do coração, isto é, da consciência humana, que cria os projetos e dá uma direção às coisas (BP). Jesus anuncia uma nova forma de moralidade, onde os homens podem relacionar-se entre si na liberdade e na justiça. Com isso, aboliu a lei sobre a pureza e impureza (Lv 11), cuja interpretação era o fundamento de uma sociedade injusta, baseada em tabus que criavam e solidificavam diferenças entre as pessoas, gerando privilegiados e marginalizados, opressores e oprimidos (Mc 7,1-8.14-15.21-23).
Mais ainda que a Lei de Moisés em sua simplicidade original, a “religião de Jesus” deve brilhar por sua profunda sabedoria e bondade. Deve mostrar com toda a clareza o quanto Deus ama seus filhos e filhas ensinando-lhes a amarem-se mutuamente (Konings). Daí nossa pergunta: nossas práticas religiosas ajudam a amar mais a Deus e ao próximo, ou apenas escondem nossa falta de compromisso com a humanidade pela qual Jesus deu a sua vida?
Verdadeira religião não é doutrina, mas amor prático, para com os mais humildes em primeiro lugar; é o que nos ensina o apóstolo Tiago, afastando–nos do legalismo, do cumprimento sem sentido da lei, para acolhermos o verdadeiro espírito da Palavra de Deus, que é vida (Tg 1,17-18.21b-22.27); assim, em nossa caminhada de fé, junto à comunidade de irmãos, passamos a testemunhar nossa fidelidade à Boa-Nova de Jesus, enquanto esperamos o dia de habitarmos na casa do amor, o coração do Pai (Sl 14/15).

Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação
Dia 1º de setembro iniciaremos o mês da Bíblia com o “Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação”. Instituído pelo papa Francisco esse dia já ocorre há tempos na Igreja Ortodoxa. Em sua carta, o papa fala das motivações e fundamenta a razão deste dia:
Anualmente, o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação oferecerá a cada fiel e às comunidades a preciosa oportunidade para renovar a adesão pessoal à própria vocação de guardião da criação, elevando a Deus o agradecimento pela obra maravilhosa que Ele confiou ao nosso cuidado, invocando a sua ajuda para a proteção da criação e a sua misericórdia pelos pecados cometidos contra o mundo em que vivemos.
A celebração deste Dia, na mesma data, com a Igreja Ortodoxa, será uma ocasião profícua para testemunhar a nossa crescente comunhão com os irmãos ortodoxos. Vivemos num tempo em que todos os cristãos enfrentam idênticos e importantes desafios, diante dos quais, para ser mais críveis e eficazes, devemos dar respostas comuns. Por isto, é meu desejo que este Dia também possa envolver, de alguma forma, outras Igrejas e Comunidades eclesiais, e ser celebrado em sintonia com as iniciativas que o Conselho Mundial de Igrejas promove sobre este tema.
O papa pede que “a celebração deste dia seja devidamente organizada com a participação de todo o Povo de Deus: sacerdotes, religiosos e fiéis leigos”. Que seja “um momento forte de oração, reflexão, conversão e uma oportunidade para assumir estilos de vida coerentes”. E que este Dia Mundial “possa tornar-se sinal de um caminho percorrido conjuntamente por todos os que creem em Cristo”.