segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

VIA CAMPESINA DEBATE EDUCAÇÃO DO CAMPO EM RONDÔNIA.




Educação de qualidade, Direito Nosso e dever do Estado....!

Aconteceu no Município de ouro Preto do Oeste nos dias 12 e 13 de fevereiro de 2016, o I Seminário Estadual de Educação dos Movimentos e organizações da Via campesina Rondônia.
Durante o seminário foram abordados diferentes temas e realizados debates, tais como apresentação das experiências de educação que os movimentos ligados a Via Campesina vem realizado junto às comunidades e assentamentos.
Outro debate importante, foi analisar a conjuntura da educação do campo no Brasil e do Estado de Rondônia, compreendendo como o Agronegócio vem influenciando na concepção e aplicação de programas e políticas conquistada pelos movimentos da educação do campo.
A educação do campo nasce como uma tentativa de construção educacional, a partir dos trabalhadores do campo, dos movimentos sociais camponeses, da qual teve sua origem a partir das lutas no campo, nascendo dos movimentos sociais camponeses.
No entanto, na atual conjuntura o discurso da educação do campo deixa de ser bandeira levantada apenas pelos movimentos sociais do campo, e passa a universalizar-se em diversos segmentos, desde políticos defensores do capitalismo verde a multinacionais.
Sendo assim, o agronegócio vê na educação uma forma de garantir mão-de-obra, conquistar ideologicamente os camponeses, e ainda desenvolver ações sociais passíveis de isenção parcial ou total de impostos.
Todo esse movimento adverso aos movimentos sociais deixou o seguinte cenário; Apenas em 2014, mais 4.084 escolas do campo fecharam suas portas. Se pegarmos os últimos 15 anos, essa quantidade salta para mais de 37 mil unidades educacionais a menos no meio rural, se dividirmos esses números ao longo do ano, temos oito escolas rurais fechadas por dia em todo país.
Só em Rondônia, de 2000 a 2011 foram fechadas 70,14 % de suas escolas rurais, liderando o ranking de fechamento de escolas rurais no Brasil. Isso segundo pesquisadores, acarretando disparidade, por exemplo, nas matrículas na Educação Básica. Enquanto na cidade em 2012 essa taxa era de 87,7%, no campo ficaram em 12,3%. Outro exemplo é em relação à taxa de analfabetismo, que na cidade em 2012 era de 6,51% de pessoas de 15 anos ou mais, no campo essa taxa foi de 21,17%.
Por ultimo o governo do estado busca implantar no campo Rondoniense, as aulas por televisão (EMITEC) em 179 escolas do estado, onde um professor de Porto Velho (capital)  vai transmitir suas aulas por televisores (Monitores) que será instaladas nas escolas em cada município.

As teles aulas esta vinculada a fundação Roberto Marinho da rede globo. Os estudantes não poderão tirar suas duvidas, pois  terão apenas 15 minutos para perguntas. Isso influencia na dinâmica coletiva e social entre professores, alunos e comunidade, processo importante na formação de adolescente e jovem nesta fase da aprendizagem.
Portanto o fechamento das escolas no campo não pode ser entendido somente pelo viés da educação. O que está em jogo é a opção do governo por um modelo de desenvolvimento para o campo, que é o agronegócio “embutido” por diversas contradições entre elas, a concentração das terras, dos recursos naturais, expulsão dos/das camponeses/as do campo e destruição do meio ambiente através de sua tecnologia extremamente agressiva.
Diante desse cenário, o seminário apontou vários desafios que mobilizara os diferentes movimentos a realizar debates com sua base e sociedade, denunciando e repudiando esse projeto que não foi dialogado com a sociedade e que tão pouco sua intencionalidade politica dialoga com a necessidade e pautas históricas construídas pelas organizações do campo.
Não queremos ser, cobaias de programas, vindo de cima para baixo, desconsiderando a realidade e por outro lado dando passos para privatizar a educação, trocando o direito pela meritocracia e o dialogo pelo silencio que busca as caladas privatizar a educação em Rondônia .

texto: Luiz Carlos Sousa
fotos: Milaine
Via Campesina (MPA-MST-MAB-CPT)


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